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2013-05-10

Poemas para a noite invariável IV - Luiza Neto Jorge

Gasto-me à espera da noite
impraticável

fiel
sugo os lábios da noite

invariável caio
nos poços da noite

Gasto-me à espera da noite alheia
amassada de gargalhadas doces e areia

Amor anoitecido vem
tecer-me um vestido
nocturno

Atraiçoo os anúncios luminosos
até a lua nova sabe a ausente
- e eu anavalhei-te com naifas de ansiedade -

Estou à espera da noite contigo
venham as pontes ruindo sob os barcos
venham em rodas de sol
os montes os túneis e deus

Estou à espera da noite contigo
livre de amor e ódio
livre
sem o cordão umbilical da morte
livre da morte

estou
à espera
da noite


in A noite vertebrada

Maria Luiza Neto Jorge (n. em Lisboa a 10 Mai 1939; m. em Lisboa a 23 Fev 1989)

Ler da mesma autora, neste blog:
Nas Cidades do Sul
Baixo-Relevo
Desinferno II
Minibiografia
As casas vieram de noite
O poema ensina a cair
Magnólia
Ritual
Acordar na Rua do Mundo

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2013-05-09

Cúmulo da desfaçatez e sem vergonha: PP nomeado para o jogo do título

A corrupção do sistema nem sequer se dá ao trabalho de tentar disfarçar. É preciso muito descaramento... e falta de vergonha. Se eu fosse presidente do Benfica decidia fazer falta de comparência ao jogo. Depois de ter dado o título ao Porto na época passada no jogo da Luz com um fora de jogo de dois jogadores (a dois minutos do fim em lance de bola parada!) e da sistemática aversão patológica ao Benfica tão profusamente ilustrada em todos os jogos em que participa não é preciso dizer mais nada...
Basta ver os links (a título meramente exemplificativo):
O Benfica empatou no Dragão e só não ganhou porque o árbitro não deixou
Proença 1 Benfica 1
O que Proença anda a fazer?
Ainda o polémico lance do Porto-Sporting
Vetar Proença? Honra ao mais prejudicado, o Benfica!

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As Palavras da Fé - Friedrich Schiller

imagem daqui

Há três palavras, plenas de sentido,
Que andam de boca em boca, e vos proponho:
Não as sei por saber, nem só de ouvido,
Só o coração delas dá testemunho:
A humanidade sem valores vai ficar,
Se a fé nas três palavras renegar.

Livres fomos criados, livre somos,
Ainda que em cadeias nascidos;
Não vos confunda a turba e seus assomos,
Nem abusos de loucos furibundos:
Perante o escravo que quebra os seus grilhões,
perante o homem livre, não temais!

E a virtude não é palavra vã,
Uma vida a podemos cultivar;
E inda que um homem tropece, em seu afã,
À divina pode sempre aspirar.
E o que o siso dos sisudos não alcança,
Singela o faz um'alma de criança.

E um Deus é, e viva a Sua vontade,
E inda que a humana possa vacilar,
Pra lá de tempo e espaço há a verdade
Da ideia suprema a fermentar.
E se tudo gira em mudança eterna,
A lei da permanência nos governa.

Guardai as palavras plenas de sentido,
Passai-as de boca em boca, vos proponho;
E se não as souberdes só de ouvido,
Voss'alma delas dará testemunho:
E a humanidade seu valor vai manter,
Se a fé nas três palavras não perder.


Trad. João Barrento in Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

Johann Christoph Friedrich Schiller nasceu a 10 de Novembro de 1759 em Marbach am Neckar, Württemberg — morreu a 9 de Maio de 1805 em Weimar, Saxe-Weimar)

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Musical suggestion of the day: Remembering Lena Horne



Lena Mary Calhoun Horne (June 30, 1917 – May 9, 2010)

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2013-05-08

O Momento - Edgar Carneiro (no centenário do nascimento do poeta)

É do momento incerto
Que se fala
Não movido por horas
Ou por dias
Mas apenas e só
Do abrir e fechar
Das asas e das flores,
Do som, do tom, das cores
De tudo que se move
Neste mundo
E como um círio
Ou súbito relâmpago
Se ilumina e desfaz
Em menos dum segundo.

In "Périplo"

Edgar Carneiro nasceu em Chaves em 8 de Maio de 1913 e faleceu em V. N. de Gaia em 15 de Janeiro de 2011.

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