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2004-11-15

O Silêncio

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas.

1971 Eugénio de Andrade

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2004-11-14

Comentário à Jornada 10

O Porto passou à liderança do Campeonato Português de Futebol ao vencer em Barcelos o Gil Vicente por 2-0 num jogo em que o resultado não espelha a fraca exibição portista, que começou a desenhar-se graças a um golo espectacular de Ricardo Quaresma numa jogada individual ainda na primeira parte; o segundo golo surgiu quase no final por Costinha de cabeça na sequência dum canto, quando o Gil Vicente procurava o empate, que não havia acontecido pouco antes por Braima, que rematou ao lado, desperdiçando uma oportunidade concedida por Nuno que falhara um cruzamento. O treinador do Gil Vicente no final do jogo queixou-se de um pretenso penalty não marcado a favor da sua equipa com o resultado ainda em 0-0.
Melhor em campo : Ricardo Quaresma

No Funchal assistiu-se a uma primeira parte de grande nível com Marítimo a superiorizar-se ao Benfica graças ao excelente nível técnico dos seus jogadores aliada a grande velocidade, que confundiu o Benfica. Aos 5' Simão Sabrosa rematou ao poste mas foi o Marítimo que se adiantou no marcador logo aos 9' por Pena. A vantagem durou pouco porque Simão Sabrosa na execução dum livre directo empatou o jogo. A 2ª. parte não correspondeu às expectativas deixadas pela primeira e as equipas como que se conformaram com o empate, o Marítimo porque não manteve os níveis físicos e principalmente de velocidade da 1ª. parte , o Benfica talvez por incapacidade achou que o empate seria o mal menor. O esquema tactico de dois pontas de lança do Benfica desta vez não resultou - Karadas e Sokota tiveram uma reduzida eficácia frente à defesa maritimista. No Benfica, continua a faltar um organizador de jogo no meio-campo e a saída de Geovanni por lesão ainda na 1º. parte limitou as opções de Trapatonni, que no final do jogo confirmou aquela falta de ambição ao declarar que o Benfica tinha ganho um ponto e não perdido. Desta vez não houve motivos para dizer mal da arbitragem, pelo contrário, em jogo difícil o árbitro esteve bem. O melhor em campo na nossa opinião foi Manduca, mas Moreira ao defender superiormente um remate de Leo Lima já na 2ª. parte protagonizou o momento do jogo.

O Sporting derrotou já na noite de domingo o Boavista copiosamente por 6-1. O Boavista sofreu neste jogo tantos golos quantos havia sofrido nos 9 jogos anteriores! Tudo correu bem ao Sporting que fez uma excelente exibição enquanto o Boavista foi um "desastre" (designação do treinador Jaime Pacheco à exibição da sua equipa),tal foi a desorganização. Num jogo que termina 6-1 o árbitro nem devia ser chamado à colação tal o desnível, mas Duarte Gomes cometeu erros que um jogo fácil não justificava: a) Roshemback na primeira parte ficou impune após ter dado uma cotovelada num adversário; b) O assistente deixou passar um fora de jogo a Liedson que atirou ao poste (mas que valia se entrasse!); c) Com o resultado já em 4-0 (com o não auxílio do assistente) nem assim assinalou uma grande penalidade nítida de Polga sobre Flores. O melhor em campo na nossa opinião foi Douala.

Nos outros jogos a Académica conseguiu a primeira vitória fora neste campeonato ao derrotar o Estoril por 1-0 e saiu dos lugares de despromoção, enquanto o Penafiel regressou às vitórias batendo por 2-1 o Beira Mar, deixando Cajuda em "maus lençóis" - ainda não ganhou. O Belenenses derrotou o Moreirense por 3-0 afundando a equipa de Moreira de Cónegos na classificação onde é penúltimo. O Vitória de Setúbal bateu em casa por 1-0 com um golo de Igor à entrada para o último qurto de hora e encontra-se em excelente 3º. lugar a dois pontos do Porto e a um do Benfica.

Em Leiria a União local e o Sp. Braga empataram a zero num jogo disputado com algum interesse mas com incapacidade concretizadora de ambos os lados.

A jornada encerra com o Rio Ave - Guimarães a jogar-se nesta segunda-feira.

Na próxima jornada temos o Porto-Boavista, enquanto o Benfica joga em casa com o Rio Ave e o Sporting vai a Aveiro defrontar o Beira Mar. Na cauda da classificação há um Moreirense-Penafiel enquanto o último, Gil Vicente joga novamente em casa contra o Setúbal. Há ainda a registar o derby madeirense Nacional-Marítimo.

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2004-11-12

LIBERA ME - Carlos Queiroz

Livrai-me, Senhor
De tudo o que for
Vazio de amor.

Que nunca me espere
Quem bem não me quer
(Homem ou mulher).

Livrai-me também
De quem me detém
E graça não tem.

E mais de quem não
Possui nem um grão
De imaginação.

Carlos Queiroz

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Eu quero ser eu

Eu quero ser eu
Mas qual?
Talvez, o eu que não sou?!
Sentir-me onde não estou
Portanto fugir de mim...

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2004-11-09

O estado financeiro dos clubes e o quadro competitivo nacional

O Jornal de Negócios noticia na sua edição de 4 do corrrente que o Benfica está a negociar com um grupo de entidades bancárias uma operação de engenharia financeira que consiste em titularizar as receitas de bilheteira e de publicidade dos principais patrocinadores das bancadas do Estádio da Luz. O princípio não é novo, trata-se de obter já, ou seja antecipar, encaixes financeiros que estarão mais ou menos assegurados no futuro. O Governo português tem ultimamente usado (abusado?) disso, no âmbito das chamadas medidas extraordinárias para pôr o deficit orçamental em níveis mais aceitáveis, como foi o caso da titularização das dívidas fiscais. O lema, com alguma simplificação é certo é, “receber hoje o que está prometido para amanhã”. Priveligia-se o presente, o futuro se verá!

Esta situação suscita a análise do estado financeiro actual dos clubes portugueses; e já não falo dos pequenos clubes, de que os exemplos recentes do Salgueiros e creio que do Felgueiras são apenas paradigmáticos. Falo dos grandes clubes de Portugal.

O Futebol Clube do Porto, que nas recentes épocas atingiu o topo nacional e internacional das "performances" desportivas, nem por isso deixou de apresentar resultados líquidos substancialmente negativos nas últimas épocas. Ressalve-se, embora, que a venda dos craques Deco e Ricardo Carvalho no início desta época, entre outros, terá impacto apenas nas contas do exercício em curso.

Do Sporting são ainda recentes os ecos da preocupação de proeminentes figuras sportinguistas relativamente ao elevado passivo constante do Balanço.

No Benfica, com 122,8 milhões de passivo, 40,1 milhões de endividamento e 8 milhões de euros de prejuízo na época 2003/2004 (números avançados pela mesma fonte), tem havido um esforço significativo nos últimos tempos de recuperação da situação caótica das finanças herdada das últimas direcções, mas bem se vê, que caso não haja êxitos desportivos a curto prazo a situação dificilmente se equilibrará.

E entra-se num círculo vicioso : para ter sucesso desportivo tem-se de investir (ou pelo menos de não “desinvestir” os melhores jogadores) e para investir tem de se ter dinheiro, dinheiro que se procura arranjar alicerçado em expectativas de sucesso desportivo futuro. Se o sucesso desportivo se atinge a situação pode equilibrar-se, se não ocorre a situação torna-se ruinosa.

E esta análise, ainda que superficial, remete o tema para outro mais fundo e que agora tem andado esquecido, que é o da remodelação do quadro competitivo das principais provas do calendário nacional de futebol.

Então a redução do número de clubes já está (outra vez) nas gavetas? Já viram qual o número de espectadores que assiste à grande maioria dos jogos, mesmo na Superliga?

Então para a dimensão económica, e geográfica – tamanho e população – justificam-se tantas equipas nas divisões profissionais?

Quem de direito que responda, quem de direito que tome as medidas adequadas, mas depressa, porque se não houver medidas cautelares, ah … não duvidem, mal os bancos não aceitem continuar a suportar os apoios financeiros aos clubes e as taxas de juro aumentem e teremos ... falências, ou ...talvez não, talvez venham aí alguns "mecenas" de leste (ou da Ásia) tomar conta deles.



Ver proposta de redução do número de clubes, em artigo anterior neste blog

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