Blog Widget by LinkWithin

2014-05-31

Musical suggestion of the day: Perdóname - Pablo Alborán (+ Carminho)



Pablo Moreno de Alborán Ferrándiz (Málaga, 31 de maio de 1989)

Read More...

2014-05-30

Monólogo da noite - Ribeiro Couto

Esta noite estou triste e não sei a razão.
Vou, para espairecer minha melancolia,
Ouvir o mar, que o mar é uma consolação.
Paro junto do cais olhando a água sombria.
Intermitente, sob o véu da cerração,
Vejo uma luz vermelha a acenar-me... "Confia!"
Obrigado, farol que és como um coração...

A água negra, noturna, a bater contra o cais,
Ilude a minha dor fútil de vagabundo.
E o farol a acenar de longe... "Espera mais!"
Recordo... "Antônio, que o paquete fosse ao fundo!"
Depois, fico a pensar nos que foram leais,
Nos que tiveram a coragem de ir do mundo
E numa noite assim se atiraram do cais.

Água eterna... água terrível... água imortal...
Apavora-me a sua aparência sombria.
Se eu pudesse acabar de uma vez o meu mal!
Mas tenho medo. "Não... A água está muito fria.
Além de fria é funda e tem gosto de sal."
E surpreendo-me, a chorar de covardia,
Dizendo ao vento esse monólogo banal.

Publicado no livro Poemetos de Ternura e de Melancolia, 1920/1922 (1924).


Ruy Lopes Esteves Ribeiro de Almeida Couto nasceu em Santos (SP) a 12 de Março de 1898 e faleceu em Paris a 30 de Maio de 1963.

Ler do mesmo autor: Noite de Tormenta; Santos; O Longe e o Perto; Elegia; Fado de Maria Serrana; 

No Jardim da Penumbra

Read More...

2014-05-29

I will ... - Fernando Semana

Que interessa se querem que eu faça ou desfaça
Se tenho, intemporal, a táctil memória da tua graça
Não sei, confesso, se era tua ou de alguém de quem perdi o nome,
Se alguma vez exististe ou quem seja de quem sinta fome
Na antologia dos momentos, às vezes há poemas sem autor...

Que importa a fachada ou se a porta está fechada
Se eu tenho a visão de todas as coisas interiores escondidas
Para além da realidade está o sonho sem medidas.
Não há teste de imparidade para este goodwill…
Se quero, prometo que terei, eu sei, I will…

Read More...

2014-05-28

De profundis - José Craveirinha

Extenso dia taciturno de nuvens.
Nas ramadas passarinhos de mágoa
Lacrimejando chilros. Um braçado
Policromo de flores
Perfumado
De profundis
De coroas.

Tão duro
Assim lacónico
Nosso adeus de rosas, Maria.


José João Craveirinha (Lourenço Marques, atual Maputo, 28 de Maio de 1922 — Maputo, 6 de Fevereiro de 2003)

Ler do mesmo autor neste blog:
Gumes de Névoa
Karingana ua Karingana
Um Homem Não Chora
Aforismo
Eu Quero Ser Tambor

Read More...

2014-05-27

Uma longa despedida - José Carlos González

Abro as varandas altas da manhã:
o teu rosto é essa estrela sobre o mar.
Oh meu amor eu vivo a desenhar
o teu rosto de sal na praia vã.

De ti conheço um sopro, o naufragar
de um barco altivo por marés desfeito
e ando de porto em porto a recordar
a costa de ouro e fogo do teu leito.

Já te perdi de bússola e de norte
no caminho magnético dos astros
por tanto navegar contra a corrente.

Mas ao saber a cor da minha morte
eu vivo em ti, na curva dos teus braços
com um deserto de fogo à minha frente.


in Cem Sonetos Portugueses, selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria, Terramar

José Carlos González Rodríguez (Lisboa, 27 de Maio de 1937 - 2000)

Read More...