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2017-05-08

Até Sempre... - Luís Ferreira

As mãos perdidas definem sonhos,
Fecundo gesto que paira,
Como uma ave sem porto…
Naquela carta afogada.
As palavras deslizam sem sons,
Pétalas de uma rosa desfolhada varrem o vazio,
Despindo o jardim
Entre as vagas dos acenos da saudade.
Letra a letra,
Desnudo a minha alma,
Sereno…
Sinto o sangue dos espinhos,
Entre as lágrimas derramadas.
Talvez…
A minha face dispa o túmulo da minha voz,
Soletrando em murmúrios
Os silêncios libertos da memória.
Corvos que pairam no destino,
O meu… o meu talvez,
Nas dúvidas que engoliram a terra crua,
Libertando o triste aroma,
Entre o ventre dos desejos esquecidos.
Um dia…
Os meus dedos irão despertar
As sombras partirão das raízes
Novas linhas serão preenchidas,
Para de novo,
Acariciar o céu com as minhas asas.

Luís Manuel Marques Ferreira nasceu no Barreiro a 8 de maio de 1970

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2017-05-05

Retrato - Luís Amaro

Um silêncio, um olhar, uma palavra
Nasceste assim na minha vida,
Inesperada flor de aroma denso,
Tão casual e breve.

Já te visionara no meu sonho,
Imagem de segredo esparsa ao vento
Da noite rubra, delicada, intacta.
E pressentira teu hálito na sombra
Que minhas mãos desenham, inquietas.

Existias em mim... O teu olhar
Onde cintila, pura a madrugada,
Guardara-o no meu peito, ó invisível,
Flutuante apelo das raízes
Que teimam em prender-te, minha vida!

in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco Graça Moura, Quetzal

Francisco Luís Amaro nasceu em Aljustrel, em 05 de maio de 1923

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2017-05-04

Cidade Mulher - Noel Rosa (na passagem dos 80 anos da sua morte)


Noel Rosa - Cidade Mulher por BeatBrazil



Cidade de amor e ventura
Que tem mais doçura
Que uma ilusão
Cidade mais bela que o sorriso
Maior que o paraíso
Melhor que a tentação
Cidade que ninguém resiste
Na beleza triste
De um samba-canção
Cidade de flores sem abrolhos
Que encantando nossos olhos
Prende o nosso coração

Cidade notável
Inimitável
Maior e mais bela que outra qualquer
Cidade sensível
Irresistível
Cidade do amor, cidade mulher

Cidade de sonho e grandeza
Que guarda riqueza
Na terra e no mar
Cidade do céu sempre azulado
Teu sol é namorado
Das noites de luar
Cidade padrão de beleza
Foi a natureza
Quem te protegeu
Cidade de amores sem pecado
Foi juntinho ao Corcovado
Que Jesus Cristo nasceu.

Noel de Medeiros Rosa (Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1910 — Rio de Janeiro, 4 de maio de 1937)

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2017-05-03

Silence - Thomas Hood

There is a silence where hath been no sound,
There is a silence where no sound may be,
In the cold grave—under the deep deep sea,
Or in the wide desert where no life is found,
Which hath been mute, and still must sleep profound;
No voice is hush’d—no life treads silently,
But clouds and cloudy shadows wander free,
That never spoke, over the idle ground:
But in green ruins, in the desolate walls
Of antique palaces, where Man hath been,
Though the dun fox, or wild hyena, calls,
And owls, that flit continually between,
Shriek to the echo, and the low winds moan,
There the true Silence is, self-conscious and alone.

Thomas Hood (n. Londres, 23 de maio de 1799, † Devonshire Lodge, Finchley Road (Londres), 3 de maio de 1845)

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2017-05-02

PÁGINA DESCONHECIDA - Adelino Fontoura

À brisa, ao sol, à serra, à flor silvestre
Ao ribeiro que corre cristalino,
Ao canto alegre e doce, matutino,
Das avezinhas no arvoredo agreste;

À campina que do orvalho a manhã veste,
Eu, sem de Homero ter o alto destino,
Um conto fui pedir áureo, divino,
Radiante dessa luz alva e celeste!

Com ele ornar quisera, alegremente,
O teu álbum mimoso — onde o talento
o teu génio se curva ao fogo ingente;

Mas, não tenho de Dante o pensamento,
Não acho inspiração na luz fulgente
Pra um canto te ofertar com sentimento.

in A Republica, orgão do Partido Republicano, Anno I, número 170, de 17 de setembro de 1890, Estado do Pará, Belém, pág. 3 aqui

Adelino Fontoura Chaves (Axixá, Maranhão, Brsil, 30 de março de 1859 — Lisboa, Portugal, 2 de maio de 1884)

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