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2023-06-20

Lendo e vendo notícias: ao correr da pena...

"Bento é um guarda-redes de futuro": E eu a pensar que o Bento foi um grande guarda-redes do Benfica no passado! 


 "GYOKERES" : Não entendo esta obsessão do Sporting pela mulher do CR7: Gyo Keres? Não se trata de assédio sexual? 

 "Nunca abdicarei da seleção" (CR7): Isso sabemos nós; é bom é que a seleção abdique de ti, porque senão ainda vais jogar de bengala! 

 "Nova Zelândia abandona jogo amigável; os jogadores da Nova Zelândia recusaram regressar para a segunda parte no particular frente ao Qatar, de Carlos Queiroz, alegando que o seu jogador foi vítima de ofensas racistas": então não se tratava de um jogo amigável? Jogam enquanto e durante lhes apetecer... 

Pedro Proença (PP): “Posso afirmar hoje, por ser a primeira vez que publicamente abordo o assunto, que caso não tivesse ocorrido a renúncia ao cargo por parte do Presidente da Mesa da Assembleia Geral durante a reunião de urgência para a qual convoquei os presidentes dos três Órgãos Sociais que compõem a Liga Portugal, estávamos, eu e os presidentes do Conselho Jurisdicional e do Conselho Fiscal, preparados e alinhados para renunciarmos aos cargos para os quais fomos empossados há pouco mais de uma semana” . Isto é que é uma declaração conveniente e politicamente correta! Afirmar-se que se demitia caso o Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Mário Costa (suspeito de tráfico de seres humanos) não renunciasse, depois de este já ter renunciado...

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2023-03-24

Grandes da Bola nº. 31

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2023-01-19

No centenário de Eugénio de Andrade - O que fizeste das palavras?

O que fizeste das palavras?

Que contas darás tu dessas vogais

de um azul tão apaziguado?


E das consoantes que lhes dirás,

ardendo entre o fulgor

das laranjas e o sol dos cavalos?


Que lhes dirás, quando

te perguntarem pelas minúsculas

sementes que te confiaram?


in Matéria Solar



Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nasceu em Póvoa de Atalaia, Fundão a 19 de janeiro de 1923, f. no Porto, 13 de junho de 2005.

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2022-09-08

Os Grandes da Bola - nº. 10

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2022-08-27

Fagner - Me Leve (poema de Ferreira Gullar)

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2022-05-25

Os Grandes da Bola - Último programa da época 2021/22

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2022-01-03

soneto dos sonetos - Vasco da Graça Moura (no dia em que faria 80 anos)

catorze versos tem este soneto
de dez sílabas cada, na contagem
métrica portuguesa; de passagem,
o esquema abba dá esqueleto

aos versos do começo: a engrenagem
podia ser abab, mas meto
aqui baab: destarte, preto
no branco, instabilizo a sua imagem.

teria, isabelino, uma terceira
quadra, cddc e ee final,
em vez de dois tercetos com quilate

sempre de ouro no fim, de tal maneira
porém o engengrei continental
que em duplo cde tem seu remate.

in poesia reunida, vol. 2, Quetzal

Vasco Graça Moura nasceu na freguesia da Foz do Douro, no Porto, a 3 de Janeiro de 1942; faleceu no dia 27 de abril de 2014, em Lisboa>

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2021-08-10

Canção do Exílio - Gonçalves Dias



Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas tem mais flores,
Nossos bosques tem mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o sabiá.

Antonio Gonçalves Dias (n. Caxias, Maranhão, 10 de agosto de 1823; m. 3 de novembro de 1864)

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2021-08-03

Momento - Políbio Gomes dos Santos

Não sei qual seja agora o meu querer:
Se ver-te para não ter mais saudades
Se as saudades de te ver,
Que ver-te a dois passos me faz desejar-te
Mais perto
E mais perto
Esmagada comigo
Num rito brutal ─ os dois sangues trocados!

Mas eu sei que ficaremos
Separados
Como valvas de marisco
No cisco da praia!
─ Duas peças do engenho de Deus
Avariado,
Enquanto o Homem não descobre o Mundo.


Políbio Gomes dos Santos (n. Ansião, 7 de Agosto de 1911 — m. Ansião, 3 de Agosto de 1939)

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2021-07-08

O QUE EU VI - Manuel de Arriaga


Saí um dia a contemplar o mundo,
Por ver quanto há de belo e quanto brilha
Na múltipla e gloriosa maravilha,
Que anda suspensa em o azul profundo!

Vi montes, vales, árvores e flores,
Límpidas águas, múrmuras torrentes,
Do grande mar as músicas plangentes,
Dos céus sem fim os trémulos fulgores!

Trouxe os olhos tão ricos de beleza,
O coração tão cheio de harmonia,
De quanto havia em terra, mar e céus,

Que interpretando a sós a Natureza:
Dentro de mim esplêndido fulgia,
Num circulo de luz, teu nome, oh Deus!

in CANTOS SAGRADOS, Manoel Gomes Editor, LISBOA, 1899

Nota: A ortografia foi atualizada pelo autor do blog


Manuel José de Arriaga Brum da Silveira e Peyrelongue (Horta, Matriz, 8 de julho de 1840 — Lisboa, 5 de março de 1917).

Manuel de Arriaga, a 24 de agosto de 1911, tornou-se no primeiro presidente eleito da República Portuguesa, sucedendo na chefia do Estado ao Governo Provisório presidido por Teófilo Braga.

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2021-06-17

JONAS - JACARANDÁ

Mais um fadista emergente... Vão ouvir falar dele!

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2021-06-15

Aconteceu-me - Almada Negreiros

Eu vinha de comprar fósforos
e uns olhos de mulher feita
olhos de menos idade que a sua
não deixavam acender-me o cigarro.
Eu era eureka para aqueles olhos.
Entre mim e ela passava gente como se não passasse
e ela não podia ficar parada
nem eu vê-la sumir-se.
Retive a sua silhueta
para não perder-me daqueles olhos que me levavam espetado
E eu tenho visto olhos!
Mas nenhuns que me vissem
nenhuns para quem eu fosse um achado existir
para quem eu lhes acertasse lá na sua ideia
olhos como agulhas de despertar
como íman de atrair-me vivo
olhos para mim!
Quando havia mais luz
a luz tornava-me quase real o seu corpo
e apagavam-se-me os seus olhos
o mistério suspenso por um cabelo
pelo hábito deste real injusto
tinha de pôr mais distância entre ela e mim
para acender outra vez aqueles olhos
que talvez não fossem como eu os vi
e ainda que o não fossem, que importa?
Vi o mistério!
Obrigado a ti mulher que não conheço.


in Poemas Portugueses Antologia da Poesia portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI; selecção, organização, introdução e notas de Jorge Reis-Sá e Rui Lage, Porto Editora

José Sobral de Almada Negreiros (n. em S. Tomé e Príncipe a 7 de abril de 1893; m. em Lisboa, a 15 de junho de 1970)

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2021-06-03

Caetano Veloso - Você não me ensinou a te esquecer

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2021-05-05

INTERMÉDIO - Luís Amaro


Alguém que se ignora
Passeia a sua mágoa
Lá pela noite fora.
Já sem saber se existe,
Entre silêncio e treva,
Nem alegre nem triste,
Alguém que a própria sorte
Enjeita, vai absorto
Num sonho que é a morte
E é vida — sendo morto.

(in Antologia de Poetas Alentejanos)


De Luís Amaro é também exte excerto:

Quando vier a tristeza, 
Faz que ela tenha uma grandeza. 
Quando vier a rara alegria, 
Faz que ela seja pura
como a luz do dia.


Francisco Luís Amaro nasceu em Aljustrel em 5 de maio de 1923 e faleceu em Lisboa a 24 de agosto de 2018

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2021-04-08

Egito Gonçalves - Com Palavras

Woman with a Flower - 1932 by Pablo Picasso (nasceu em Málaga a 25 Out 1881 e m. em Mougins, França a 8 Abr. 1973)
 
 
 
Com palavras me ergo em cada dia!
Com palavras lavo, nas manhãs, o rosto
E saio para a rua.
Com palavras — inaudíveis — grito
Para rasgar os risos que nos cercam.

Ah!, de palavras estamos todos cheios.
Possuímos arquivos, sabemo-las de cor
Em quatro ou cinco línguas.
Tomamo-las à noite em comprimidos
Para dormir o cansaço.

As palavras embrulham-se na língua.
As mais puras transformam-se, violáceas,
Roxas de silêncio. De que servem
Asfixiadas em saliva, prisioneiras?

Possuímos, das palavras, as mais belas;
As que seivam o amor, a liberdade...
Engulo-as perguntando-me se um dia
As poderei navegar; se alguma vez
Dilatarei o pulmão que as encerra.

Atravessa-nos um rio de palavras:
Com elas eu me deito, me levanto,
E faltam-me palavras para contar...
 
In "Sonhar a Terra Livre e Insubmissa"'
 
José Egito de Oliveira Gonçalves (Matosinhos, 8 de abril de 1920; Porto, 28 de janeiro de 2001)

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Sara Correia - Mais uma estrela no Fado

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2021-03-18

Carta ao Oceano - António Nobre

Ó Grande Alma trágica e sombria!
Quando hás-de enfim, na campa repousar?
Após a luta persistente e fria,
Ah, quanto é bom morrer... dormir... sonhar...

Estrebuchas nas ânsias da agonia,
Há mil e tantos séculos, ó Mar!
E nunca cessas de lutar, um dia,
E nunca morres, Alma singular!

Mas, ao chegar teu último momento, 
Quando zurzir nos ares a metralha
Da tua alma desfraldada ao vento:

Envolto nessa líquida mortalha,
Tu cairás prostrado, sem alento,
Como um guerreiro ao fim d'uma batalha!


António Nobre  (n. 16 agosto de 1867, Porto ; m. 18  de mar 1900 Porto (Foz do Douro))
Poesia Completa, 1867-1900
Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2000

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2021-03-04

TUA FRIEZA AUMENTA O MEU DESEJO - Eugénio de Castro

Tua frieza aumenta o meu desejo:
Fecho os meus olhos para te esquecer,
Mas quanto mais procuro não te ver,
Quanto mais fecho os olhos mais te vejo.

Humildemente, atrás de ti rastejo,
Humildemente, sem te convencer,
Enquanto sinto para mim crescer
Dos teus desdéns o frígido cortejo.

Sei que jamais hei de possuir-te, sei
Que outro, feliz, ditoso como um rei,
Enlaçará teu virgem corpo em flor.

Meu coração no entanto não se cansa:
Amam metade os que amam com esp'rança,
Amar sem esp'rança é o verdadeiro amor.

Eugénio de Castro (n. em Coimbra a 4 Março de 1869; m. em Coimbra, a 17 de Agosto de 1944)

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2021-03-03

Chuva de Estrelas - Marcelo Gama

 

Li uma vez em páginas antigas
que, se uma estrela cai do céu clemente,
concede tudo o que lhe pede a gente.
Como as estrelas são nossas amigas!

Por isso agora, insone e sem fadigas,
fito os céus toda a noite atentamente.
Chovem estrelas... E eu: – Astro fulgente,
quero que eterno o nosso amor predigas!

– Faze-me bom! Conserva-lhe a doçura!
– Estrela, dá-nos paz, serenidade!
– Que a nossa filha seja linda e pura!

Doiradas ambições! Como dizê-las,
se elas são tantas? Deus, por piedade,
manda que caiam todas as estrelas!


Marcelo Gama (n. a 3 de março de 1878 em Mostardas, Rio Grande do Sul, Brasil; m. a 7 de março de 1915 no Rio de Janeiro)

MARCELO GAMA foi o pseudónimo de Possidónio Cezimbra Machado, que nasceu em Mostardas (RS) a 3 de Março de 1878 e morreu no Rio de Janeiro a 7 de Março de 1915. Teve uma morte insólita: caiu do eléctrico em que viajava, dormindo, alta madrugada, sobre os trilhos. Foi um epígono do simbolismo: poeta, teatrólogo, crítico, jornalista, empregado do comércio e boémio. Hipersensível, com uma imaginação plástica de grande originalidade, professava um socialismo utópico e sentia, a um tempo, ódio e amor à vida. Os seus versos, por vezes, másculos e cortantes, revelam influência de Cesário Verde.


Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004).

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Confissão - Fernando Semana

Custa admitir tristeza assim

Mas não há mais rosas no jardim

Agora os temas dos meus sonhos

São cardos e fardos medonhos

Não há medronhos, não há jasmim



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