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2012-03-31

Tocar - Octavio Paz

As minhas mãos
abrem as cortinas do teu ser
vestem-te com outra nudez
descobrem os corpos do teu corpo
As minhas mãos
inventam outro corpo
para o teu corpo


in Qual é a minha ou a tua língua, cem poemas de amor de outras línguas; organização de Jorge Sousa Braga, Assírio & Alvim

Octavio Paz Lozano (n. Cidade do México, 31 de Março de 1914 — m. Cidade do México, 19 de Abril de 1998)

Do mesmo autor, no Nothingandall: Madrugada

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2012-03-30

Soneto - Natividade Saldanha

Se no seio da pátria carinhosa,
Onde sempre é fagueira a sorte dura,
Inda lembras, e lembras com ternura,
Os meigos dias da união ditosa ;

Se entre os doces encantos de que goza
Teu peito divinal, tua alma pura
Suspiras por um triste e sem ventura,
Que vive em solidão cruel, penosa;

Se lamentas com mágoa a minha sorte,
Recebe estes meus ais, oh minha amante,
Talvez núncios fiéis da minha morte.

E se mais nós não virmos, e eu distante
Sofrer da parca dura o férreo corte:
Amou-me, dize então, morreu constante.

José da NATIVIDADE SALDANHA nasceu em Santo Amaro do Jaboatão (PE) a 8 de Setembro de 1795 e morreu exilado em Bogotá, capital da Colômbia, em 30 de Março de 1830.

Ler do mesmo autor:
Nárcia! Márcia! ai de mim!
À Sombra Deste Cedro Venerando;
Os teus olhos gentis encantadores...

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2012-03-29

Poesia não dá camisa - Pedro Bial

Poesia não dá camisa.
Mas quando o poeta tem uma musa,
não precisa de blusa,
vive de brisa.

Pedro Bial - nascido Pedro Bialski - Rio de Janeiro, 29 de março de 1958)

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2012-03-28

Se te falasse se me ouvisses eu - Luís de Miranda Rocha

Se te falasse se me ouvisses eu
se te dissesse que diria
que me diria a ti se me
ouvisses mas não ouço eu não sei

não sei de ti perdeu-se-
-me o sentido aqui e não
posso pensar-te onde
há quanto tanto ausente

- há quanto tanto ausente habituei-me
a isto a este estar assim aqui
a que habituei-me entanto não
sei bem ainda como ou sequer se

- se posso como posso passarei
que tempo tanto assim aqui sem que


in Os dias do Amor, um poema para cada dia do ano; recolha, selecção e notas de Inês Ramos; Ministério dos Livros

Luís de Miranda Rocha, nasceu em Mira em 1947, faleceu em Coimbra a 28 de Março de 1997

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Musical suggestion of the day: Anda Comigo Ver os Aviões - Os Azeitonas



Anda comigo ver os aviões levantar voo
A rasgar as nuvens
Rasgar o céu

Anda comigo ao porto de Leixões ver os navios
A levantar ferro
A rasgar o mar

Um dia eu ganho a lotaria
Ou faço uma magia
(mas que eu morra aqui)
Mulher tu sabes o quanto eu te amo,
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti

Anda comigo ver os automóveis à avenida
A rasgar as curvas
A queimar pneus

Um dia vamos ver os foguetões levantar voo
A rasgar as núvens
A rasgar o céu...

Um dia eu ganho o totobola
Ou pego na pistola
Mas que eu morra aqui
Mulher tu sabes o quanto eu te amo
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à lua
Nem que eu roube a lua,
Só para ti
Um dia eu vou jogar a bola
Ou vendo esta viola
Nem que eu morra que aqui
Mulher tu sabes o quanto eu te amo
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti

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