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2016-12-16

Nel Mezzo del Camin... - Olavo Bilac


Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
e triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada
e alma de sonhos povoada eu tinha...

E parámos de súbito na estrada
da vida: longos anos, presa à minha
a tua mão, a vista deslumbrada
tive da luz que teu olhar continha

Hoje, segues de novo... Na partida.
nem o pranto os teus olhos umedece,
nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face e tremo
vendo o teu vulto que desaparece
na extrema curva do caminho extremo.

Poesias, Sarças de fogo, 1888

Olavo Braz Martins dos Guimarães (n. no Rio de Janeiro em 16 de dezembro de 1865; m. 28 de dezembro de 1918 )

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2015-12-28

Nel Mezzo del Camin... - Olavo Bilac


Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
e triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada
e alma de sonhos povoada eu tinha...

E parámos de súbito na estrada
da vida: longos anos, presa à minha
a tua mão, a vista deslumbrada
tive da luz que teu olhar continha

Hoje, segues de novo... Na partida
nem o pranto os teus olhos umedece,
nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face e tremo
vendo o teu vulto que desaparece
na extrema curva do caminho extremo.

Extraído de "Os poemas da minha Vida" - António Lobo Xavier - Público

Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac (n. no Rio de Janeiro em 16 de dezembro 1865; m. 28 de dezembro de 1918)

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2015-12-16

XXXI [Longe de ti, se escuto, porventura ] - Olavo Bilac (na passagem dos 150 anos do nascimento)



Longe de ti, se escuto, porventura,
Teu nome, que uma boca indiferente
Entre outros nomes de mulher murmura,
Sobe-me o pranto aos olhos, de repente...

Tal aquele, que, mísero, a tortura
Sofre de amargo exílio, e tristemente
A linguagem natal, maviosa e pura,
Ouve falada por estranha gente...

Porque teu nome é para mim o nome
De uma pátria distante e idolatrada,
Cuja saudade ardente me consome:

E ouvi-lo é ver a eterna primavera
E a eterna luz da terra abençoada,
Onde, entre flores, teu amor me espera.

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (nasceu no Rio de Janeiro a 16 de dezembro de 1865 e morreu na mesma cidade a 28 de dezembro de 1918).

Neste blog pode encontrar do mesmo autor, mais os seguintes poemas:
Delírio
Vita Nuova
Por Estas Noites

Nel Mezzo del Camin
Por tanto tempo
Um beijo
Ao coração que sofre
Como Quisesse Livre Ser

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2014-12-28

Canção - Olavo Bilac

Dá-me pétalas de rosa
Dessa boca pequenina:
Vem com teu riso, formosa!
Vem com teu beijo, divina!

Transforma num paraíso
O inferno do meu desejo...
Formosa, vem com teu riso!
Divina, vem com teu beijo!

Oh! tu, que tornas radiosa
Minh’alma, que a dor domina,
Só com teu riso, formosa,
Só com teu beijo, divina!

Tenho frio, e não diviso
Luz na treva em que me vejo:
Dá-me o clarão do teu riso!
Dá-me o fogo do teu beijo!


Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (nasceu no Rio de Janeiro a 16 de dezembro de 1865 e morreu na mesma cidade a 28 de dezembro de 1918).

Neste blog pode encontrar do mesmo autor, mais os seguintes poemas:
XXXI - [Longe de ti, se escuto, porventura]
Delírio
Por estas noites frias e brumosas
Vita Nuova
Via Láctea
Nel Mezzo del Camin
Ao coração que sofre
Por tanto tempo
Um beijo
Como Quisesse Livre Ser

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2014-12-16

XXXI - [Longe de ti, se escuto, porventura] - Olavo Bilac

Longe de ti, se escuto, porventura,
Teu nome, que uma boca indiferente
Entre outros nomes de mulher murmura,
Sobe-me o pranto aos olhos, de repente...

Tal aquele, que, mísero, a tortura
Sofre de amargo exílio, e tristemente
A linguagem natal, maviosa e pura,
Ouve falada por estranha gente...

Porque teu nome é para mim o nome
De uma pátria distante e idolatrada,
Cuja saudade ardente me consome:

E ouvi-lo é ver a eterna primavera
E a eterna luz da terra abençoada,
Onde, entre flores, teu amor me espera.


Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (nasceu no Rio de Janeiro a 16 de dezembro de 1865 e morreu na mesma cidade a 28 de dezembro de 1918).

Neste blog pode encontrar do mesmo autor, mais os seguintes poemas:
Delírio
Por estas noites frias e brumosas
Vita Nuova
Por Estas Noites

Via Láctea
Nel Mezzo del Camin
Ao coração que sofre
Por tanto tempo
Um beijo
Como Quisesse Livre Ser

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2012-12-16

Delírio - Olavo Bilac


Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...


Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (nasceu no Rio de Janeiro a 16 de Dezembro de 1865 e morreu na mesma cidade a 28 de Dezembro de 1918).

Neste blog pode encontrar do mesmo autor, mais os seguintes poemas:
Vita Nuova
Por Estas Noites

Nel Mezzo del Camin
Por tanto tempo
Um beijo
Ao coração que sofre
Como Quisesse Livre Ser

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2011-12-16

Por estas noites frias e brumosas - Olavo Bilac

Amantes Imagem daqui

Por estas noites frias e brumosas
É que melhor se pode amar, querida!
Nem uma estrela pálida, perdida
Entre a névoa, abre as pálpebras medrosas

Mas um perfume cálido de rosas
Corre a face da terra adormecida ...
E a névoa cresce, e, em grupos repartida,
Enche os ares de sombras vaporosas:

Sombras errantes, corpos nus, ardentes
Carnes lascivas ... um rumor vibrante
De atritos longos e de beijos quentes ...

E os céus se estendem, palpitando, cheios
Da tépida brancura fulgurante
De um turbilhão de braços e de seios.

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (nasceu no Rio de Janeiro a 16 de Dezembro de 1865 e morreu na mesma cidade a 28 de Dezembro de 1918).

Neste blog pode encontrar do mesmo autor, mais os seguintes poemas:
Vita Nuova
Por Estas Noites

Nel Mezzo del Camin
Por tanto tempo
Delírio
Um beijo
Ao coração que sofre
Como Quisesse Livre Ser

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2010-12-16

Vita Nuova - Olavo Bilac


Se ao mesmo gozo antigo me convidas,
Com esses mesmos olhos abrasados,
Mata a recordação das horas idas,
Das horas que vivemos apartados!

Não me fales das lágrimas perdidas,
Não me fales dos beijos dissipados!
Há numa vida humana cem mil vidas,
Cabem num coração cem mil pecados!

Amo-te! A febre, que supunhas morta,
Revive. Esquece o meu passado, louca!
Que importa a vida que passou? que importa,

Se inda te amo, depois de amores tantos,
E inda tenho, nos olhos e na boca,
Novas fontes de beijos e de prantos?!


in Os dias do Amor, um poema para cada dia do ano; recolha,selecção e organização de Inês Ramos, Prefácio de Henrique Manuel Bento Fialho, Ministério dos Livros

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (nasceu no Rio de Janeiro a 16 de Dezembro de 1865 e morreu na mesma cidade a 28 de Dezembro de 1918).

Neste blog pode encontrar do mesmo autor, mais os seguintes poemas:
Por Estas Noites
Nel Mezzo del Camin
Por tanto tempo
Delírio
Um beijo
Ao coração que sofre
Por Estas Noites Frias e Brumosas
Como Quisesse Livre Ser

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2009-12-28

Via Láctea - Olavo Bilac

Via-láctea

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
perdeste o senso!". E eu vos direi, no entanto,
que, para ouvi-las, muita vez desperto
e abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
a via-láctea, como um pálio aberto,
cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
'inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
capaz de ouvir e de entender estrelas"

Soneto extraído de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (nasceu no Rio de Janeiro a 16 de Dezembro de 1865 e morreu na mesma cidade a 28 de Dezembro de 1918).

Neste blog pode encontrar do mesmo autor, mais os seguintes poemas:
Por Estas Noites
Nel Mezzo del Camin
Por tanto tempo
Delírio
Um beijo
Ao coração que sofre
Por Estas Moites Frias e Brumosas
Como Quisesse Livre Ser

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2009-12-16

Vita Nuova - Olavo Bilac



Se ao mesmo gozo antigo me convidas,
Com esses mesmos olhos abrasados,
Mata a recordação das horas idas,
Das horas que vivemos apartados!

Não me fales das lágrimas perdidas,
Não me fales dos beijos dissipados!
Há numa vida humana cem mil vidas,
Cabem num coração cem mil pecados!

Amo-te! A febre, que supunhas morta,
Revive. Esquece o meu passado, louca!
Que importa a vida que passou? que importa,

Se inda te amo, depois de amores tantos,
E inda tenho, nos olhos e na boca,
Novas fontes de beijos e de prantos?!


Extraído de "Os dias do amor, um poema para cada dia do ano"; recolha,selecção e organização de Inês Ramos, Prefácio de Henrique Manuel Bento Fialho, Ministério dos Livros

Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 16 de dezembro de 1865, e faleceu, na mesma cidade, em 28 de dezembro de 1918)

Neste blog pode encontrar do mesmo autor, mais os seguintes poemas:
Por Estas Noites
Nel Mezzo del Camin
Por tanto tempo
Via Láctea
Delírio
Um beijo
Ao coração que sofre

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2008-12-28

Olavo Bilac desapareceu há 90 anos - Por estas Noites

portrait de Olavo Bilac

Olavo Bilac [Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac] faleceu faz hoje 90 anos no Rio de Janeiro. Nascido na mesma cidade brasileira em 16 de Dezembro de 1865 foi jornalista, poeta e membro fundador da Academia Brasileira de Letras em 1896. Passou por Medicina e por Direito (não comcluindo os cursos) mas foi por causa da sua escrita na língua de Camões, essa «Última flor do Lácio, inculta e bela», que estamos aqui a relembrá-lo. Juntamente com Alberto de Oliveira e Raimundo Correia, foi a maior liderança e expressão do parnasianismo no Brasil, constituindo a chamada Tríade Parnasiana (ver Parnasianismo).

Olavo Bilac, considerado o Príncipe dos Poetas Brasileiros foi também o autor da letra do Hino à Bandeira.

Na sua obra conta-se: * Poesias (1888) * Crônicas e novelas (1894) * Crítica e fantasia (1904) * Conferências literárias (1906) * Dicionário de rimas (1913) * Tratado de versificação (1910) * Ironia e piedade, crônicas (1916) * Tarde (1919); Poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957), e obras didáticas.

Desempenhou vários cargos públicos no estado do Rio de Janeiro e na antiga Guanabara, e foi um dos fundadores da Liga da Defesa Nacional (da qual foi secretário geral). Foi conferencista e a sua obra tornou-se leitura obrigatória, sendo declamado nos círculos literários.

Como jornalista nas palavras do crítico João Adolfo Hansen, "o mestre do passado, do livro de poesia escrito longe do estéril turbilhão da rua, não será o mesmo mestre do presente, do jornal, a cronicar assuntos cotidianos do Rio, prontinho para intervenções de Agache e a erradicação da plebe rude, expulsa do centro para os morros" (daqui).

Amantes Imagem daqui

Por estas noites frias e brumosas
É que melhor se pode amar, querida!
Nem uma estrela pálida, perdida
Entre a névoa, abre as pálpebras medrosas

Mas um perfume cálido de rosas
Corre a face da terra adormecida ...
E a névoa cresce, e, em grupos repartida,
Enche os ares de sombras vaporosas:

Sombras errantes, corpos nus, ardentes
Carnes lascivas ... um rumor vibrante
De atritos longos e de beijos quentes ...

E os céus se estendem, palpitando, cheios
Da tépida brancura fulgurante
De um turbilhão de braços e de seios.

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Via Láctea
Delírio
Um beijo
Ao coração que sofre

Para saber mais sobre Olavo Bilac

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2008-12-16

Ao coração que sofre - Olavo Bilac

Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.


Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac (n. no Rio de Janeiro em 16 Dez 1865; m. 28 Dez 1918)

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Nel Mezzo del Camin
Via Láctea
Delírio
Um beijo

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2007-12-28

Como quisesse livre ser - Olavo Bilac

Flying bird (from here)



Como quisesse livre ser, deixando
As paragens natais, espaço em fora,
A ave, ao bafejo tépido da aurora,
Abriu as asas e partiu cantando.

Estranhos climas, longes céus, cortando
Nuvens e nuvens, percorreu: e, agora
Que morre o sol, suspende o vôo, e chora,
E chora, a vida antiga recordando ...

E logo, o olhar volvendo compungido
Atrás, volta saudosa do carinho,
Do calor da primeira habitação...

Assim por largo tempo andei perdido:
— Ali! que alegria ver de novo o ninho,
Ver-te, e beijar-te a pequenina mão!

Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac (n. no Rio de Janeiro em 16 Dez 1865; m. 28 Dez 1918)

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Via Láctea
Delírio
Um beijo
Ao coração que sofre

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2007-12-16

Por tanto tempo - Olavo Bilac

Via-láctea


Por tanto tempo, desvairado e aflito,
Fitei naquela noite o firmamento,
Que inda hoje mesmo, quando acaso o fito,
Tudo aquilo me vem ao pensamento.

Sal, no peito o derradeiro grito
Calcando a custo, sem chorar, violento...
E o céu fulgia plácido e infinito,
E havia um choro no rumor do vento...

Piedoso céu, que a minha dor sentiste!
A áurea esfera da lua o ocaso entrava.
Rompendo as leves nuvens transparentes;

E sobre mim, silenciosa e triste,
A via-láctea se desenrolava
Como um jorro de lágrimas ardentes.

Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac (n. no Rio de Janeiro em 16 Dez 1865; m. 28 Dez 1918 )

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Ao coração que sofre

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2005-12-16

Nel Mezzo del Camin... - Olavo Bilac

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
e triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada
e alma de sonhos povoada eu tinha...

E parámos de súbito na estrada
da vida: longos anos, presa à minha
a tua mão, a vista deslumbrada
tive da luz que teu olhar continha

Hoje, segues de novo... Na partida.
nem o pranto os teus olhos umedece,
nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face e tremo
vendo o teu vulto que desaparece
na extrema curva do caminho extremo.

Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac (n. no Rio de Janeiro em 16 Dez 1865; m. 28 Dez 1918 )
in " Os poemas da minha Vida" - António Lobo Xavier - Público

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Ouvir estrelas
Delírio
Um beijo
Ao coração que sofre

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2004-12-28

Um beijo - Olavo Bilac

Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!

Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto....

Olavo Bilac [ 1865-1918]

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2004-12-16

Via Láctea - Olavo Bilac

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

Olavo Bilac

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Delírio - Olavo Bilac

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...

Olavo Bilac (n. 16-12-1865 ; m. 28-12-1918]

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