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2015-01-06

SONETO XXXI - Reis Quita


Quando em meu desvelado pensamento
O teu formoso gesto se afigura,
Não sei que afecto sinto, ou que ternura,
Que a toda esta alma dá contentamento.

Ali fico num largo esquecimento,
Contemplando na minha conjectura
De teu sereno rosto a graça pura,
De teus olhos o doce movimento.

Porém logo a inconstante fantasia
Me acorda o entendimento arrebatado,
E desfaz todo o bem que me fingia,

Sendo tal este gosto imaginado,
Que de Amor outra glória eu não queria
Mais que trazer-te sempre em meu cuidado.


Domingos dos REIS QUITA nasceu em Lisboa a 6 de Janeiro de 1728 e aí morreu, tuberculoso, a 26 de Agosto de 1770. Embora exercesse a humilde profissão de cabeleireiro e barbeiro, adquiriu, como autodidacta, uma cultura que lhe permitiu ser um dos mais destacados membros da Arcádia Lusitana, com o nome de Alcyno Mycénio. Foi autor de várias tragédias, mas é sobretudo notável como poeta bucólico.

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.


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2010-08-26

Em Louvor do Autor Em Sua Vida - Soneto - Reis Quita (falecido faz hoje 240 anos)

Mimoso Alcino, teu melífluo Canto
Faz esconder à Morte a foice ímpia;
Faz renascer da sepultura fria
O Século doirado, e lacro santo.

Eu vejo submergidas em espanto
As veneradas Deusas da Poesia.
Nossa Pátria de glória, e de alegria
Os bons Guerreiros não c'roaram tanto.

Ah ! Se Ulyssea em seu regaço visse
Fértil cópia de flautas tão amenas,
Talvez que a idade bela não carpisse

As mais glórias teria por pequenas;
Que ainda que de todas se despisse ,
Seria mais ditosa do que Atenas.


Domingos dos Reis Quita, chamado entre os da Arcádia Lusitana, Alcino Micenio, em Lisboa a 6 de Janeiro de 1728 e aí faleceu a 26 de Agosto de 1770.

Ler do mesmo autor neste blog:
Idílio; Pelo Campo Cantando; Soneto XXXI

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2010-01-06

Idílio - Reis Quita

Praias, que banha o Tejo caudaloso:
Ondas, que sôbre a areia estais quebrando:
Ninfas, que ides escumas levantando:
Escutai os suspiros dum saüdoso.

E vós também, ó côncavos rochedos,
Que dos ventos em vão sois combatidos,
Ouvi o triste som de meus gemidos,
já que de Amor calais tantos segredos.

Ai, amada Tircéa, se eu pudera
os teus formosos olhos ver agora,
Que depressa o pesar, que esta alma chora,
No gôsto mais feliz se convertera!

Oh, como então ficaras conhecendo
Quanto te amo, se visses a violência
Com que estão de meus olhos nesta ausência
Estas saüdosas lágrimas correndo!

Tanto neste pesar, que estou sentindo,
O triste coração se desfalece,
e tanto me atormenta, que parece
Que ao sofrimento a alma vai fugindo.

Mas oh, qual há de ser a crueldade
Dêste terrível mal, em que ando envolto,
Se a qualquer parte, emfim, que os olhos volto,
Imagens estou vendo de saüdade.
(...)



in Os dias do Amor, Um poema para cada dia do ano, recolha, selecção e organização de Inês Ramos; prefácio de Henrique Manuel Bento-Fialho.

Domingos dos Reis Quita (nasceu em Lisboa a 6 de Janeiro de 1728 e aí faleceu a 26 de Agosto de 1770)

Ler do mesmo autor neste blog: Pelo Campo Cantando; Soneto XXXI

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2008-08-26

SONETO XXXI - Reis Quita


Quando em meu desvelado pensamento
O teu formoso gesto se afigura,
Não sei que afecto sinto, ou que ternura,
Que a toda esta alma dá contentamento.

Ali fico num largo esquecimento,
Contemplando na minha conjectura
De teu sereno rosto a graça pura,
De teus olhos o doce movimento.

Porém logo a inconstante fantasia
Me acorda o entendimento arrebatado,
E desfaz todo o bem que me fingia,

Sendo tal este gosto imaginado,
Que de Amor outra glória eu não queria
Mais que trazer-te sempre em meu cuidado.

Domingos dos REIS QUITA nasceu em Lisboa a 6 de Janeiro de 1728 e aí morreu, tuberculoso, a 26 de Agosto de 1770. Embora exercesse a humilde profissão de cabeleireiro e barbeiro, adquiriu, como autodidacta, uma cultura que lhe permitiu ser um dos mais destacados membros da Arcádia Lusitana, com o nome de Alcyno Mycénio. Foi autor de várias tragédias, mas é sobretudo notável como poeta bucólico.

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.


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2008-01-06

Pelo campo cantando ... - Reis Quita

Farmer plowing daqui

Pelo campo cantando vai contente
o lavrador seguindo o seu arado;
e canta na prisão o desgraçado
ao triste som duma áspera corrente.

Aquele canta alegre e docemente,
nas suaves pensões de seu estado;
este, só por vingar-se de seu fado,
com o canto disfarça o mal que sente.

Eu também já em doces alegrias,
qual lavrador, cantei nesta espessura,
sem conhecer do fado as tiranias;

porém, hoje, de Amor na prisão dura,
com o canto disfarço as agonias,
por vingar-me de minha desventura.

Domingos dos REIS QUITA (n. em Lisboa a 6 de Janeiro de 1728; m. em Lisboa, a 26 de Agosto de 1770)

in «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004

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