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2016-08-23

Noite - Menotti del Pichia

Imagem daqui

As casas fecham as pálpebras das janelas e dormem.
Todos os rumores são postos em surdina,
todas as luzes se apagam.

Há um grande aparato de câmara funerária
na paisagem do mundo.

Os homens ficam rígidos,
tomam a posição horizontal
e ensaiam o próprio cadáver.

Cada leito é a maquete de um túmulo.
Cada sono um ensaio de morte.

No cemitério da treva
tudo morre provisoriamente

Paulo Menotti del Picchia (nasceu em São Paulo, SP, em 20 de março de 1892, e faleceu na mesma cidade em 23 de agosto de 1988).

Ler do mesmo autor:
Germinal I; Chuva de PedraPiedosa Mentira e Clássico.

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2014-08-23

O VOO - Menotti del Picchia

Goza a euforia do vôo do anjo perdido em ti
Não indagues se nossas estradas, tempo e vento
desabam no abismo.
Que sabes tu do fim?
Se temes que o teu mistério seja uma noite,
enche-o de estrelas.
Conserva a ilusão de que o teu vôo te leva sempre para o mais alto.
No deslumbramento da ascensão,
se pressentires que amanhã estarás mudo,
esgota, como um pássaro, as canções que tens na garganta.
Canta, canta para conservar uma ilusão de festa e de vitória.
Talvez as canções adormeçam as feras
que esperam devorar o pássaro.
Desde que nasceste, não és mais que um vôo no tempo.
Rumo ao céu? Que importa a rota?
Voa e canta, enquanto resistirem as tuas asas.


 Paulo Menotti del Picchia (nasceu em São Paulo, SP, em 20 de março de 1892, e faleceu na mesma cidade em 23 de agosto de 1988).

Ler do mesmo autor:
Germinal I
Chuva de Pedra;
Noite;
Piedosa Mentira;
Clássico;
Nirvana.

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2013-08-23

Nirvana - Menotti del Picchia (nos 25 anos do desaparecimento do poeta)

Quisera ficar a teu lado
No grande êxtase pacífico
do nosso silêncio.
Continuar indefinidamente
o diálogo mudo dos nossos olhos.

Quisera
diluir-me em ti como um aroma no vento
como dois rios que fundem suas águas
no abraço do mesmo leito
e correm para o mesmo destino...

Somos duas árvores solitárias
que entrelaçam suas ramas:
à mesma brisa estremecem
florescem
envelhecem
e morrem...


Paulo Menotti del Picchia (nasceu em São Paulo, SP, em 20 de março de 1892, e faleceu na mesma cidade em 23 de agosto de 1988).

Ler do mesmo autor:
Germinal I
Chuva de Pedra;
Noite;
Piedosa Mentira
Clássico.

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2013-03-20

Nirvana - Menotti del Pichia

Quisera ficar a teu lado
No grande êxtase pacífico
do nosso silêncio.
Continuar indefinidamente
o diálogo mudo dos nossos olhos.

Quisera
diluir-me em ti como um aroma no vento
como dois rios que fundem suas águas
no abraço do mesmo leito
e correm para o mesmo destino...

Somos duas árvores solitárias
que entrelaçam suas ramas:
à mesma brisa estremecem
florescem
envelhecem
e morrem...


Paulo Menotti del Picchia (nasceu em São Paulo, SP, em 20 de março de 1892, e faleceu na mesma cidade em 23 de agosto de 1988).

Ler do mesmo autor:
Germinal I
Chuva de Pedra;
Noite;
Piedosa Mentira
Clássico.

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2011-08-23

Noite - Menotti del Pichia

Imagem daqui

As casas fecham as pálpebras das janelas e dormem.
Todos os rumores são postos em surdina,
todas as luzes se apagam.

Há um grande aparato de câmara funerária
na paisagem do mundo.

Os homens ficam rígidos,
tomam a posição horizontal
e ensaiam o próprio cadáver.

Cada leito é a maquete de um túmulo.
Cada sono um ensaio de morte.

No cemitério da treva
tudo morre provisoriamente

Paulo Menotti del Picchia (nasceu em São Paulo, SP, em 20 de março de 1892, e faleceu na mesma cidade em 23 de agosto de 1988).
Ler do mesmo autor:
Germinal I; Chuva de PedraPiedosa Mentira e Clássico.

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2010-08-23

Germinal I - Menotti del Pichia

Nuvens voam pelo ar como bandos de garças,
Artista boêmio, o sol, mescla na cordilheira pinceladas esparsas
de ouro fosco. Num mastro, apruma-se a bandeira
de São João, desfraldando o seu alvo losango.

Juca Mulato cisma. A sonolência vence-o

Vem, na tarde que expira e na voz de um curiango,
o narcótico do ar parado, esse veneno
que há no ventre da treva e na alma do silêncio.

Um sorriso ilumina o seu rosto moreno.

No piquete relincha um poldro; um galo álacre
tatala a asa triunfal, ergue a crista de lacre,
clarina a recolher entre varas de cerdos,
mexem-se ruivos bois processionais e lerdos
e, num magote escuro, a manada se abisma na treva.

Anoiteceu.

Juca Mulato cisma.


Paulo Menotti del Picchia (nasceu em São Paulo, SP, em 20 de março de 1892, e faleceu na mesma cidade em 23 de agosto de 1988).

Ler do mesmo autor: Chuva de Pedra; Noite; Piedosa Mentira e Clássico.

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2009-08-23

Chuva de Pedra - Menotti del Picchia

O granizo salpica o chão como se as mãos das nuvens
quebrassem com estrondo um pedaço de gelo
para a salada de fruta dos pomares...

O cafezal, numa carreira alucinada,
grimpa as lombas de ocre
apedrejada matilha de cães verdes...

fremem, gotejam eriçadas suas copas
como pêlos de um animal todo molhado.

O céu é uma pedreira cor de zinco
onde estoura dinamite dos coriscos.

Rola de fraga em fraga a lasca retumbante
de um trovão.

Os riachos
correm com seus pés invisíveis e líquidos
para o abrigo das furnas. No terreiro,
as roupas penduradas nos varais
dançam, funambulescas, com as pedradas,
numa fila macabra de enforcados!

Paulo Menotti del Picchia (nasceu em São Paulo, SP, em 20 de março de 1892, e faleceu na mesma cidade em 23 de agosto de 1988).


Ler do mesmo autor:Noite; Piedosa Mentira e Clássico

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2009-03-20

NOITE - Menotti del Picchia

Imagem daqui

As casas fecham as pálpebras das janelas e dormem.
Todos os rumores são postos em surdina,
todas as luzes se apagam.

Há um grande aparato de câmara funerária
na paisagem do mundo.

Os homens ficam rígidos,
tomam a posição horizontal
e ensaiam o próprio cadáver.

Cada leito é a maquete de um túmulo.
Cada sono em ensaio de morte.

No cemitério da treva
tudo morre provisoriamente


Paulo Menotti Del Picchia (n. em São Paulo, em 20 de março de 1892; m. em São Paulo a 23 de agosto 1988)

Ler do mesmo autor: Piedosa Mentira e Clássico

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2008-08-23

Piedosa Mentira - Menotti del Picchia (na passagem do 20º. aniversário da morte do poeta)

Ontem na tarde loura e de aquarela,
alguém me perguntou: "Como vai ela?
Como vai teu amor?" - Eu respondi:
" Não sei. Uma mulher passou na minha vida,
mas não lembro... " E, nessa hora comovida,
como nunca lembrava-me de ti!

E menti por pudor... A mágoa que alvoroça
nosso peito é tão santa, tão pura, tão nossa
que se esconde aos demais.
E se uma voz indaga contristada:
" Estás sofrendo?" - "Não, não tenho nada..."
E é quando a gente sofre mais...

Paulo Menotti Del Picchia (n. em São Paulo, em 20 de março de 1892; m. em São Paulo a 23 de agosto 1988)

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2007-08-23

Clássico - Menotti del Picchia


Senhora, por quem sois, não sejais minha,
que o bem que aspiro é um mal para nós dois.
Sede insensível como terna sois,
à paixão que vos tenta e me espezinha.

Não cedais. Resisti. Morra sozinha
esta chama. Soframos hoje, pois,
mais vale ora penar que ver, depois,
que o bem que se sonhou só mal continha.

A ansiedade de agora é vã tristura
Comparada a essa angústia que não cansa
Do amor que se encaminha para o tédio...

Antes este amargor sem amargura,
este doido esperar sem esperança,
que arrepender-se sem ter mais remédio.

Paulo Menotti Del Picchia (n. em São Paulo a 20 de Mar de 1892 — m. em São Paulo a 23 de Agosto de 1988)

in A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edições Unicepe

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