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2011-11-12

Psicologia De Um Vencido - Augusto dos Anjos

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigénesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!


Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (n. no Engenho Pau d'Arco, Paraíba, no dia 20 de abril de 1884; m. em Leopoldina em 12 de Nov. de 1914).

Ler do mesmo autor:
A Minha Estrela
O sonho, a crença e o amor
Budismo Moderno
Ao Luar
A Ideia
Tempos Idos
Versos Intimos
Soneto (canta teu riso...)
Contrastes

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2011-10-13

No 43º. aniversário da morte de Cristovam Pavia

Na noite da minha morte
Tudo voltará silenciosamente ao encanto antigo...
E os campos libertos enfim da sua mágoa
Serão tão surdos como o menino acabado de esquecer.

Na noite da minha morte
Ninguém sentirá o encanto antigo
Que voltou e anda no ar como um perfume...
Há-de haver velas pela casa
E xales negros e um silêncio que eu
Poderia entender.

Mãe: talvez os teus olhos cansados de chorar
Vejam subitamente...
Talvez os teus ouvidos, só eles ouçam, no silêncio da casa velando,
E mesmo que não saibas de onde vem nem porque vem
Talvez só tu a não esqueças.


Cristóvam Pavia é o pseudónimo literário de Francisco António Lahmeyer Flores Bugalho, nascido na freguesia de Alcântara, Lisboa a 7 de Outubro de 1933 e faleceu na mesma cidade a 13 de Outubro de 1968.

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Momento Num Café - Manuel Bandeira

Funeral imagem daqui

Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida

Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.


in Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro, Porto 2001, Assírio & Alvim

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (n. Recife, 19 Abril 1886 — m. Rio de Janeiro, 13 de Out. de 1968).

Ler do mesmo autor, neste blog:
Tema e Variações
Hiato
Desencanto
A Onda
Antologia
Maçã

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2011-07-07

Eterna Dor - Artur de Azevedo

Já te esqueceram todos neste mundo...
Só eu, meu doce amor, só eu me lembro,
Daquela escura noite de setembro
Em que da cova te deixei no fundo.

Desde esse dia um látego iracundo
Açoitando-me está, membro por membro.
Por isso que de ti não me deslembro,
Nem com outra te meço ou te confundo.

Quando, entre os brancos mausoléus, perdido,
Vou chorar minha acerba desventura,
Eu tenho a sensação de haver morrido!

E até, meu doce amor, se me afigura,
Ao beijar o teu túmulo esquecido,
Que beijo a minha própria sepultura!

Poema extraído daqui

Artur Nabantino Belo Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís (MA) a 7 de Julho de 1855 e faleceu no Rio de Janeiro a 22 de Outubro de 1908

Ler, neste blog, do mesmo autor:
Arrufos
Por Decoro

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2011-07-04

Paz Aos Mortos - Adolfo Casais Monteiro

Detestei sempre os arquitectos de infinito:
como é feio fugir quando nos espera a vida!
Nunca tive saudades do futuro
e o passado… o passado vivi-o, que fazer?!
- e não gosto que me ordenem venerá-los
se eu todo não basto a encher este presente.

Não tenho remorsos do passado. O que vivi, vivi
Tenho, talvez, desprezo
por esta débil haste que raramente soube
merecer os dons da vida,
e se ficava hesitante
na hora de passar da imaginação à vida.

As pazadas de terra cobrindo o que já fui
sabem mal, às vezes; noutros dias
deliro quando lanço à vala um desses seres tristonhos
que outrora fui, sem querer

(Sempre e Sem Fim, 1937)
Extraído de Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

Adolfo Casais Monteiro (nasceu no Porto a 4 de Julho de 1918 e faleceu em São Paulo a 23 de Julho de de 1972)

Ler do mesmo autor, neste blog, FADO

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2011-03-27

O Homem e a Morte - Affonso Romano de Sant'Anna

O homem é um animal que enterra seus mortos   
ambiguamente. Os animais
deixam seus pares apodrecerem
à calcinada luz do Sol
e elaboram à luz da Lua
o luto
de suas plumas e pêlos.

Os homens, não. Ambiguamente
enterram os ossos alheios
na medula de seus sonhos.

Por isso
são sepulcros deambulantes
com sempre-vivas nos olhos
exalando suspiros
exalando remorsos
in Poesia Brasileira do Século XX Dos Modernistas à Actualidade
Selecção, introdução e notas de Jorge Henrique Bastos, Edições Antígona

Affonso Romano de Sant'Anna (nasceu em Belo Horizonte a 27 de Março de 1937)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Silêncio Amoroso
Arte-final

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2010-06-09

José Gomes Ferreira nasceu há 110 anos

imagem daqui
XXVII


Eh! velhos pinheiros!
Cá estou outra vez
a falar com vocês
numa língua estranha
que não é português
nem espanhol...
Mas esta alegria de princípio do mundo
de andar com mãos roubadas de vagabundo
a atirar pedras aos pássaros e ao sol

(Areia (1938) 1950)
in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

e que melhor homenagem ao poeta senão seguirmos as suas "instruções"?

Vivam, apenas

Vivam, apenas
Sejam bons como o sol.
Livres como o vento.
Naturais como as fontes.

Imitem as árvores dos caminhos
que dão flores e frutos
sem complicações.

Mas não queiram convencer os cardos
e transformar os espinhos
em rosas e canções.

E principalmente não pensem na morte.
Não sofram por causa dos cadáveres
que só são belos
quando se desenham na terra em flores.

Vivam, apenas.
A morte é para os mortos!


José Gomes Ferreira (n. no Porto a 9 Jun 1900, m. 8 Fev 1985)

Ler do mesmo autor, neste blog:

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2009-09-11

O que Diz a Morte - Antero de Quental

Deixai-os vir a mim, os que lidaram;
Deixai-os vir a mim, os que padecem;
E os que cheios de mágoa e tédio encaram
As próprias obras vãs, de que escarnecem...

Em mim, os Sofrimentos que não saram,
Paixão, Dúvida e Mal, se desvanecem.
As torrentes da Dor, que nunca param,
Como num mar, em mim desaparecem. -

Assim a Morte diz. Verbo velado,
Silencioso intérprete sagrado
Das cousas invisíveis, muda e fria,

É, na sua mudez, mais retumbante
Que o clamoroso mar; mais rutilante,
Na sua noite, do que a luz do dia.

Antero Tarquínio de Quental (n. em Ponta Delgada, 18 de Abril de 1842 - m. 11 de Setembro de 1891)

Ler do mesmo autor, neste blog: Palácio da Ventura; Mors-Amor ; Idílio.; Pepa (excerto)

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2009-09-03

Entre o 25º. aniversário da morte e o 89º. do nascimento do poeta Raúl de Carvalho

Quando eu nasci, minha Mãe
Pediu à Virgem Maria
Que nunca me abandonasse
E que um anjo me guiasse
E uma estrela alumiasse
A minha noite e o meu dia.

Respondeu-lhe a Virgem Maria
(Quem tem filhos, tem amor):
- Hei-de mostrar o teu filho
A Jesus Nosso Senhor.

Quando eu morrer, minha Mãe,
Diz à Virgem Mãe do Céu
Que Ela se esqueceu de mim,
Que Ela de mim se esqueceu...

in Antologia da Poesia Portuguesa Contemporânea, Um Panorama, Organização de Alberto da Costa e Silva e Alexei Bueno, Rio de Jabeiro, Lacerda Editores

Raul Maria Penedo de Carvalho (n. em Alvito, Baixo Alentejo, a 4 de Setembro de 1920; m. no Porto a 3 de Setembro de 1984).

Ler do mesmo autor, neste blog: Coração Sem Imagens; Serenidade És Minha

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2009-03-19

Ironia de Lágrimas - Cruz e Sousa (no dia em que se completa 111 anos após a sua morte)


Junto da morte é que floresce a vida!
Andamos rindo junto a sepultura.
A boca aberta, escancarada, escura
Da cova é como flor apodrecida.

A Morte lembra a estranha Margarida
Do nosso corpo, Fausto sem ventura...
Ela anda em torno a toda criatura
Numa dança macabra indefinida.

Vem revestida em suas negras sedas
E a marteladas lúgubres e tredas
Das Ilusões o eterno esquife prega.

E adeus caminhos vãos mundos risonhos!
Lá vem a loba que devora os sonhos,
Faminta, absconsa, imponderada cega!

João da Cruz e Sousa (Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), Santa Catarina em 24 de novembro de 1861 —m. Estação do Sítio, Minas Gerais a 19 de março de 1898).

Ler do mesmo autor:
Inefável
Vida Obscura
Silêncios
Sorriso Interior

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2009-02-08

Recordando José Gomes Ferreira que faleceu há 24 anos

Um dia virás, hora doce e calma
sem as espadas dolorosas
que me sangram a alma
quando cismo...

Eu que até nas rosas
procuro um abismo.


************

Vive em cada minuto
a tua eternidade
- sem luto
nem saudade.

Vive-a, pleno e forte,
num frenesim
de arremesso.

Para que a tua morte
seja sempre um fim
e nunca um começo


in Antologia da Poesia Portuguesa Contemporânea, Um Panorama, Organização de Alberto da Costa e Silva e Alexei Bueno Lacerda Editores

José Gomes Ferreira (n. no Porto a 9 Jun 1900, m. 8 Fev 1985)

Ler do mesmo autor:

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2009-01-08

Taxa de suicídios aumenta com a crise

Os suicídios aumentam: é a perda do emprego, a desvalorização das carteiras de títulos, a perda de valor, quando não, falência das empresas. E principalmente a perda de auto-estima.

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2009-01-03

Soneto do amor e da morte - Vasco Graça Moura

Na passagem do 67º. aniversário do poeta

quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura (nsceu na Foz do Douro, Porto, a 3 de Janeiro de 1942)

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2008-11-22

Morte Sucessiva - Mauro Mota (no 24º. aniversário da sua morte)

Não tenhas medo.
Tudo já aconteceu. Agora
será menos do que a cena final.
Apenas o cair das cortinas,
os dedos fechando as pálpebras antepostas
à derradeira paisagem
longe, cada vez mais longe, diluída quase na incolor distância.
Sentes na boca
o sangue dos princípios e esse gosto
de fim nunca sentido antes.
Não tenhas medo,
tudo já aconteceu. Agora
será somente a conclusão.
Esquece as gravuras do catecismo da infância
nos claros domingos de sinos paroquiais.
O diabo de espeto furando os olhos dos pecadores,
e eles caindo nas caldeiras infernais.
Partiste suave
que nem sentiste quase, mais suave
ainda será daqui a pouco.
Não tenhas medo da viagem sem volta e sem saber para onde
pois várias vezes já habitas lá.
Talvez tenhas perdido a memória
da casa de alpendres da cidadezinha,
o menino debaixo dos cajueiros.
Foi ele quem te deu a primeira
noção de saída do mundo, o primeiro
conhecimento da morte sucessiva e múltipla.
O piano do sobrado de azulejo
e a moça tocando a valsa do mês de maio,
a mãe, a mulher, as rosas
na jarra azul abrindo,
os ponteiros
como uma pinça
extraindo
as horas felizes do relógio da sala,
não se foram sós, foram levando a tua vida fugitiva.
Não tenhas medo
do instante derradeiro,
e que de ti encontrará bem pouco,
criatura dispersa tantas vezes
e tantas vezes morta.
Perdeste a integridade primitiva,
sombra do corpo ausente e do espírito distante,
não tenhas medo,
tudo já aconteceu.


Mauro Ramos da Mota e Albuquerque (nasceu em 16 Ago. 1911 no Recife, Pernambuco, Brasil; m. Recife, em 22 Nov. 1984)

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2008-10-06

Eterna Amália Rodrigues faleceu há nove anos


Amália Rodrigues faleceu faz hoje nove anos. Faleceu em 6 de Outubro de 1999 a musa do Fado, no dia em que passava dez anos sobre a morte de Bette Davies outra musa, esta do cinema.

Fica aqui a poesia e o Fado da grande artista portuguesa:

Horas De Vida Perdida - poema de Amália Rodrigues

Horas de vida perdida
à procura de viver
Vai-se à procura da vida
Não a encontra quem quer

Quem sou eu para dizer
Quem sou eu para o saber
Nem sei se sou ou não sou
Ninguém pode conhecer
Isto de ser e não ser

Sem saber sei entender
Assim sei o que não sei
Sinto que sou e não sou
Entre o que sei e não ei
A minha vida gastei
Sem conseguir entender

Ai quemme dera encontrar
As rimas da poesia
Ai se eu soubesse rimar
Tantas coisas que eu dizia

in Versos de Amália Rodrigues - Livros Cotovia
E agora ouçámo-la naquilo que sempre fez bem : Cantar o Fado









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2007-07-24

Soneto da Defunta Formosa - Alphonsus de Guimaraens

foto: Lírios by Luís Rodrigo

Temos saudade, pálida formosa,
De tudo quanto o pôr-do-sol fenece:
Ou seja o som final de extrema prece,
Ou seja o último anseio de uma rosa...

E mais ligeiramente a gente esquece
Uma hora que a alma de carinhos goza,
Que de ter visto, em roxa luz saudosa,
Uma imperial tulipa que adoece...

Um lírio doente no caulim de um vaso
Faz-nos lembrar um luar em pleno ocaso
Morrendo ao som das últimas trindades...

E nem eu sei, amor, por que perguntas,
Tu que és a mais formosa das defuntas,
Se eu de ti hei de ter loucas saudades.

Alphonsus de Guimaraens [Afonso Henriques da Costa Guimarães] (n. em Ouro Preto, Minas Gerais, a 24 Jul 1870; m. Mariana, Minas Gerais a 15 Jul 1921]

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2007-03-01

Bento grande guarda-redes do Benfica e um dos melhores de sempre faleceu hoje


Manuel Galrinho Bento, considerado unanimemente um dos melhores guarda-redes portugueses de sempre, e que defendeu a baliza do Benfica entre 1972 e 1992 faleceu hoje após paragem cardio-respiratória. Ainda ontem estivera na Gala do Benfica, no casino Estoril. «O Benfica fica mais pobre» disse Luís Filipe Vieira.


Bem me lembro da sua qualidade como guarda-redes do Benfica e da selecção nacional de Portugal que representou por 63 vezes. A rivalidade com Damas, outro grande guarda-redes, que defendia o Sporting era famosa e a associação é inevitável. Damas era mais espectacular, Bento mais consistente. Foi campeão nacional por 8 vezes e ganhou seis Taças de Portugal.

O corpo de Manuel Bento, ficará em câmara ardente a partir de amanhã, às 11 horas, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, e será cremado no sábado, às 19 horas, no cemitério dos Olivais, em Lisboa.

Fico triste como benfiquista, mas especialmente como desportista. Foi uma grande figura do futebol português. Estes factos põe-nos em sentido relativamente à nossa fragilidade em relação à vida. E dão-nos vontade de fazer coisas diferentes das que diariamente fazemos numa velocidade frenética ... a maior parte das vezes sem sentido.

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