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2012-02-28

PESQUISA - Paulo Mendes Campos

Tempo é espaço interior. Espaço é tempo exterior.
Novalis

A gaivota determinada mergulha na água
Verde. Há um tempo para o peixe
E um tempo para o pássaro
E dentro e fora do homem
Um tempo eterno de solidão.
Muitas vezes, fixando o meu olhar no morto,
Vi espaços claros, bosques, igapós,
O sumidouro de um tempo subterrâneo
(Patético, mesmo às almas menos presentes)
Vi, como se vê de um avião,
Cidades conjugadas pelo sopro do homem,
A estrada amarela, o rio barrento e torturado,
Tudo tempos de homem, vibrações de tempo, vertigens.

Senti o hálito do tempo doando melancolia
Aos que envelhecem no escuro das boîtes,
Vi máscaras tendidas para o copo e para o tempo.
Com uma tensão de nervos feridos
E corações espedaçados.
Se acordamos, e ainda não é madrugada,
Sentimos o invisível fender do silêncio,
Um tempo que se ergue ríspido na escuridão.
Cascos leves de cavalos cruzam a aurora.
O tempo goteja
Como o sangue.
Os cães discursam nos quintais, e o vento,
Grande cão infeliz,
Investe contra a sombra.

O tempo é audível; também se pode ouvir a eternidade.


Paulo Mendes Campos nasceu em 28 de Fevereiro de 1922 em Belo Horizonte, Minas Gerais e faleceu no Rio de Janeiro em 1 de Julho de 1991

Ler do mesmo autor, neste blog: Amor Condusse Noi Ad Una Morte

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2010-02-28

Amor Condusse Noi Ad Una Morte - Paulo Mendes Campos

Quando o olhar adivinhando a vida
Prende-se a outro olhar de criatura
O espaço se converte na moldura
O tempo incide incerto sem medida

As mãos que se procuram ficam presas
Os dedos estreitados lembram garras
Da ave de rapina quando agarra
A carne de outras aves indefesas

A pele encontra a pele e se arrepia
Oprime o peito o peito que estremece
O rosto a outro rosto desafia

A carne entrando a carne se consome
Suspira o corpo todo e desfalece
E triste volta a si com sede e fome.

Paulo Mendes Campos nasceu em Belo Horizonte (MG) a 28 de Fevereiro de 1922 e faleceu no Rio de Janeiro a 1 de Julho de 1991. Em Porto Alegre (RS), cursou a Escola Preparatória de Cadetes e tentou Direito, Odontologia, Veterinária, antes de se fixar no Rio, em 1945, onde se dedicou ao jornalismo. Cronista e poeta, o soneto que o representa nesta colectânea foi tirado de «A Palavra Escrita» (1951).

Poema e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto

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2008-07-01

Amor Condusse Noi ad una Morte - Paulo Mendes Campos

Quando o olhar, adivinhando a vida,
prende-se a outro olhar de criatura,
o espaço se converte na moldura,
o tempo incide incerto sem medida,

as mãos que se procuram ficam presas,
os dedos estreitados lembram garras
da ave de rapina, quando agarra
a carne de outras aves indefesas,

a pele encontra a pele e se arrepia,
oprime o peito o peito que estremece,
o rosto o outro rosto desafia,

a carne entrando a carne se consome,
suspira o corpo todo e desfalece
e triste volta a si com sede e fome.

Paulo Mendes Campos nasceu em Belo Horizonte (MG) a 28 de Fevereiro de 1922 e faleceu no Rio de Janeiro a 1 de Julho de 1991. Em Porto Alegre (RS), cursou a Escola Preparatória de Cadetes e tentou Direito, Odontologia, Veterinária, antes de se fixar no Rio, em 1945, onde se dedicou ao jornalismo. Cronista e poeta, o soneto que o representa nesta colectânea foi tirado de «A Palavra Escrita» (1951).

Poema e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto


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