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2012-08-24

Criação do Mar - Oliveira Guerra

Alma de artista, criador, o Mar
um dia, inspirado,
entrou de modelar com sábio jeito
o barro duro e quente e atrigueirado
talvez posto por Deus à sua frente
para ser modelado;
e ora com firmeza rude e brava,
ora com branda ternura,
o Mar foi modelando
a sua nova escultura...
A pouco e pouco então,
o barro duro e quente e atrigueirado,
foi-se doirando de beleza e graça
e foi tomando a forma fascinante
que uma só vez na vida se realiza:
E um dia, um dia, enfim,
tu surgiste, Galiza...

Mulher e feiticeira
de olhos compridos, carnes matinais,
tu és, terra de Além,
a tentação das almas siderais,
daquelas almas que andam pelo mundo
de olhar perdido, vago, procurando
a Pátria feminina do seu sonho
e com ela sonhando...
Mulher e feiticeira de alma céltica,
dada a mistérios e encantos
das mais longínquas eras e depois
rendida cristãmente à voz dos santos,
tu és a terra bendita
de que a minha alma, tua irmã, precisa,
tu és, terra de sonho,
Pátria da minha Pátria, a Galiza...

Manuel de Oliveira Guerra nasceu a 24 de Agosto de 1905 em Oliveira de Azeméis e morreu no Porto a 5 de Julho de 1964.

Da mesma autoria : Incitamento; Verbo

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2010-08-24

Incitamento - Oliveira Guerra

Eu sei, poeta, que não lograrás
matar a fome negra com o talento
e que, por certo, um dia morrerás
imerso num profundo esquecimento.

Mas também sei que, se o Destino faz
mercê a alguém dum bem de que é avarento,
dessa mercê mal digno tu serás
se lhe não deres emprego e valimento.

Trabalha a tua língua com fervor
que, embora tarde, um dia o teu valor
há-de ser tido como maravilha.

...Se um diamante se perder na estrada,
há-de encontrá-lo mão aventurada,
porque entre as pedras negras ele brilha.


Manuel de Oliveira Guerra nasceu a 24 de Agosto de 1905 em Oliveira de Azeméis e morreu subitamente no Porto a 5 de Julho de 1964. Autodidacta, estreou-se nas letrasem 1932 com a edição do livro de poemas "Padre Nosso", a que se seguiria a escrita de "Ave Maria", só publicado em 1960. Não se trata, porém, de poesia religiosa, conforme se poderia deduzir dos títulos, mas antes de obras anticlericais, de sátira à Igreja, na senda do autor de "A Velhice do Padre Eterno". Publicou mais um livro de contos, "Caminho Longo" (1960) e novos volumes de poesia: "Algemas" (1962) e "Coisas desta Negra Vida" (1963). No ano de 1960 fundara, no Porto, o Círculo de Estudos Galaico-Portugueses, que viria a editar a revista "Céltica", dedicada à cultura luso-galaica-brasileira.

Soneto e nota biobibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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2008-06-05

Verbo - Manuel de Oliveira Guerra



Palavra, ó linfa pura que, batida
de rocha em rocha, mais se purifica
e depois é, no grande mar da vida,
a Mãe que gera e cria e santifica.

Luz flutuante que dos Céus vertida
cai sobre os génios e sobre eles fica
como que por espelhos reflectida
mais luminosa, deslumbrante e rica.

Sopro divino, brando como um sopro
ou vigoroso como um duro escopro
cortando a pedra rija do universo,

que eu tenha um dia a extraordinária Sorte
de te poder usar até à Morte
ditando então o derradeiro verso!

Manuel de Oliveira Guerra (n. a 24 Ago 1905 em Oliveira de Azeméis; m. no Porto a 5 Jun 1964)

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