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2015-05-25

D. Quixote - Maria Virgínia Monteiro

Don Quijote de La Mancha and Sancho Panza,
1863 Gustave Doré

Nunca serás dos escolhidos, dos primeiros
(dos bem amados senhores do Absoluto!).
Vestido chegas de saudade, por janeiros,
e arrastas longos teus farrapos e o teu luto.

Mas não te apontem os caminhos verdadeiros
os que possuem da Verdade o usufruto,
os que mantêm, esforçados cavaleiros,
as torres altas da Mudança por reduto!

Cavaleiro apenas és, de esporas rotas,
sem vitórias conseguidas, de armas botas,
pelos caminhos esgrimindo vacilante,

como bálsamo o choro das derrotas
nas feridas, trespassados elmo e cotas,
D. Quixote sem cavalo Rocinante.

Mª VIRGÍNIA Santos Teles Guerra MONTEIRO nasceu em Espinho a 25 de Maio de 1931. Filha do poeta Oliveira Guerra, licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras do Porto e exerceu o magistério no ensino secundário. Poetisa bilingue, publicou: «Mulher de Loth» (1992), «...Ribeiro, teu indício» (1995), «O Silêncio Todo» (2000), «Ces Quelques Lettres Portugaises» e «As Cinzas e as Brisas» (2002), e «Precário Registo» (2003).

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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2011-05-25

... Lá - Maria Virgínia Monteiro (na passagem do 80º. aniversário)

Como o vento
à noite,
no telhado
esse lamento do mal que não tem cura;

"... nada
do que foi teu será
nada te pertence já...
nenhuma coisa passada te é futura..."

Escutas:

Pássaros da noite em soltas alvoradas
ou fantasmas loucos
de roxas madrugadas.
Transidas de escuros medos
de solidões
de lutas
de finitas paixões
e de segredos...
as fadas chegam,
do lembrar:

"...Nada é eterno teu...
só esse luto!...
O futuro perdeste-o no passado
Lá, no caminho sagrado
passou-te ao lado e
morreu..."

Escutas;
De longes e ocultas fundas grutas...
que há em ti
desabitadas
veladas vêm discretas
as vozes secretas
das boas fadas do antigo lar:

"...Não esse luto!...
Lá, nessa glória inteira da lembrança
do teu paraíso longínquo de criança,
é teu o absoluto..." (*)


daqui
Maria Virgínia Santos Teles Guerra Monteiro nasceu em Espinho a 25 de Maio de 1931

(*) O último verso que na fonte citada consta "o absoluto é teu" foi corrigido para "é teu o absoluto" graças à atenta informação literária recebida do meu amigo Rui Vaz Pinto da Unicepe

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2010-05-25

Meus versos pobres ... - Maria Virgínia Monteiro

Meus versos pobres, só meus
minhas conquistas de céus
minhas asas de loucura...
Sonhos de mim, na lembrança
fantasmas meus de criança
minhas horas de doçura...

Meus versos da cor da aurora
- poeta? - talvez o fora
se me deixassem comigo!...
Minha lareira sem fumo
minhas cantigas d'amigo...

Meu muro de além-fronteira -
- tão longe, tão derradeira,
tão distante, tão perdida...
Caminhos sem Sul nem Norte,
fugas da Vida e da Morte
que levam pra'além da vida.


Do livro Mulher de Loth, poema que extraímos de «Antologia de Poetas Portugueses e Brasileiros, Volume I, Organizadora Maria de Lourdes Brandão, Rio de Janeiro, Blocos, 1996».

Maria Virgínia Santos Teles Guerra Monteiro (nasceu em Espinho a 25 de Maio de 1931).

Ler da mesma autora, neste blog: D. Quixote

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2008-05-25

D. Quixote - Maria Virgínia Monteiro

Don Quijote de La Mancha and Sancho Panza,
1863 Gustave Doré

Nunca serás dos escolhidos, dos primeiros
(dos bem amados senhores do Absoluto!).
Vestido chegas de saudade, por janeiros,
e arrastas longos teus farrapos e o teu luto.

Mas não te apontem os caminhos verdadeiros
os que possuem da Verdade o usufruto,
os que mantêm, esforçados cavaleiros,
as torres altas da Mudança por reduto!

Cavaleiro apenas és, de esporas rotas,
sem vitórias conseguidas, de armas botas,
pelos caminhos esgrimindo vacilante,

como bálsamo o choro das derrotas
nas feridas, trespassados elmo e cotas,
D. Quixote sem cavalo Rocinante.

Mª VIRGÍNIA Santos Teles Guerra MONTEIRO nasceu em Espinho a 25 de Maio de 1931. Filha do poeta Oliveira Guerra, licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras do Porto e exerceu o magistério no ensino secundário. Poetisa bilingue, publicou: «Mulher de Loth» (1992), «...Ribeiro, teu indício» (1995), «O Silêncio Todo» (2000), «Ces Quelques Lettres Portugaises» e «As Cinzas e as Brisas» (2002), e «Precário Registo» (2003).

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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