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2016-07-30

Dizem os Sábios - Ângelo de Lima


Dizem os sábios que já nada ignoram
Que alma, é um mito!...
Eles que há muito, em vão, dos céus exploram
O almo infinito...
Eles, que nunca achavam no ente humano
Mais que esta face
De ser finito, orgânico, o gusano
Que morre e nasce,
Fundam-se na razão.
E a razão erra!...

Quem da lagarta a rastejar na terra
Pode supor,
Sonhar sequer, que um dia há-de nascer
A borboleta, aquela alada flor
Matiz dos céus?
Sábios, achai em vão o pode ser
Saber... só Deus.

O homem rasteja, semelhante ao verme
Por que não há-de a paz da sepultura
- Quanto labor sob a aparente calma!
Servir d'abrigo àquele ser inerme,
De que há-de um dia após tarefa oscura
Surgir vivaz, alada e flor, a Alma.

Ângelo de Lima (nasceu no Porto a 30 de julho de 1872; m. Lisboa, no Hospital de Rilhafoles, em 14 de agosto de 1921)

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2015-07-31

Soneto: Pára-me de repente o pensamento - Angelo de Lima

Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz, do esquecimento...

Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado...
Pára e fica e demora-se um momento.

Pára e fica na doida correria...
Pára à beira do abismo e se demora
E mergulha na noite escura e fria

Um olhar de aço que essa noite explora...
Mas a espora da dor seu flanco estria
E ele galga e prossegue sob a espora.


Do livro: "Líricas Portuguesas", seleção, prefácio e notas de Cabral do Nascimento, Portugália Editora, 1945, Portugal

Ângelo de Lima (n. Porto 31 de julho de 1872; m. Lisboa 14 de agosto de 1921)

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2012-07-31

Pára-me de repente o pensamento - Ângelo de Lima

Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz do esquecimento.

Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado.
Pára e fica, e demora-se um momento.

Pára e fica, na doida correria.
Pára à beira do abismo, se demora.
E mergulha na noite escura e fria.

Um olhar de aço, que essa noite explora.
Mas a espora da dor seu flanco estria,
E ele galga e prossegue sob a espora...


in Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

Ângelo Vaz Pinto Azevedo Coutinho de Lima nasceu no Porto a 31 de Julho de 1872 e morreu louco em Lisboa a 14 de Agosto de 1921

Nota: algumas fontes dão como data de nascimento 30 de Julho de 1872 em vez de 31 de Julho do mesmo ano. Se algum leitor tiver informações adicionais sobre esta questão agradecemos o contacto ou comentário.

Pode ler do mesmo autor, neste blog:
O Mar
Eu Ontem Vi-te
Não Tinha
Estes Versos Antigos

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2011-07-31

O Mar - Ângelo de Lima



Semelhante a Algum Monstro Quando Dorme
- O Mar... Era Sombrio, Vasto, Enorme...
- Arfando Demorado -
- Imenso sob os Céus!...

- Tal Imenso e Sombrio, o Mar Seria
- E assim Em Vagas Tristes Arfaria
No Tempo Em que o Espírito de Deus
- Sobre Ele era Levado!...

in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

Ângelo Vaz Pinto Azevedo Coutinho de Lima nasceu no Porto a 31 de Julho de 1872 e morreu louco em Lisboa a 14 de Agosto de 1921

Nota: algumas fontes dão como data de nascimento 30 de Julho de 1872 em vez de 31 de Julho do mesmo ano. Se algum leitor tiver informações adicionais sobre esta questão agrademos o contacto ou comentário.

Pode ler do mesmo autor, neste blog:
Eu Ontem Vi-te
Não Tinha
Estes Versos Antigos

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2010-07-31

Pára-me de repente o pensamento - Angelo de Lima

Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz, do esquecimento...

Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado...
Pára e fica e demora-se um momento.

Pára e fica na doida correria...
Pára à beira do abismo e se demora
E mergulha na noite escura e fria

Um olhar de aço que essa noite explora...
Mas a espora da dor seu flanco estria
E ele galga e prossegue sob a espora.


Ângelo Vaz Pinto Azevedo Coutinho de Lima nasceu no Porto a 31 de Julho de 1872 e morreu louco em Lisboa a 14 de Agosto de 1921. Era filho do poeta Pedro Augusto de Lima (1842/83), que também morrera louco. Frequentou o Colégio Militar e a Academia de Belas Artes do Porto. Após uma breve estadia em África, regressou de Moçambique com perturbações mentais, pelo que foi internado, em 1894, no Hospital do Conde de Ferreira (Porto), onde permaneceu até 1898 mas, em 1900, sofreu novo internamento no manicómio de Rilhafoles, em Lisboa, até ao fim da vida. Colaborou no nº. 2 da revista «Orpheu» (1915). A sua poesia é caracterizada por desvios danorma: sincopada e fragmentada, associações desconexas, confusão entre objectivo e subjectivo, procura do vago e misterioso, uso imoderado das maiúsculas, etc. A princípio simbolista, é um precursor do surrealismo, mas a sua obra tem mais interesse psiquiátrico do que literário. O soneto que inserimos nesta colectânea não tem, no original, qualquer sinal de pontuação.

Soneto e nota biobibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Nota: algumas fontes dão como data de nascimento 30 de Julho de 1872 em vez de 31 de Julho do mesmo ano. Se algum leitor tiver informações adicionais sobre esta questão agrademos o contacto ou comentário.

Pode ler do mesmo autor, neste blog:
Eu Ontem Vi-te
Não Tinha
Estes Versos Antigos

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2009-07-31

Não Tinha - Angelo de Lima (na passagem de mais um aniversário do poeta)

Narcisos - Oleo/Lienzo (146x97), by Nanci Caro

Não tinha esse perfume, dos Narcisos!...
Nem o calor fervente dos Abraços!...

Aquela, a quem um dia abri os braços...
- que me encantava a alma de sorrisos!...

- Vi seus olhos, então!... - os lagos lisos
Não são mais cristalinos...nem mais frios!...

- Pobres Almas de Moços... - Balbucios
E Inocentes! - e ínscios!... - E indecisos!!!...

extraído de 366 poemas que falam de amopr, uma antologia organizada por Vasdco da Graça Moura, Quertzal Editores

Ângelo Vaz Pinto Azevedo Coutinho de Lima (n. no Porto a 31 Jul 1872; m. em 14 Ago 1921).

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2008-07-31

EU ONTEM VI-TE... - Angelo de Lima

Deux by Ragnit von Mosch

Eu ontem vi-te...
Andava a luz
do teu olhar,
que me seduz,
a divagar
em torno de mim.
E então pedi-te,
não que me olhasses,
mas que afastasses,
um poucochinho,
do meu caminho,
um tal fulgor.
De medo, amor,
que me cegasse,
me deslumbrasse
fulgor assim.

Ângelo de Lima (n. Porto 31 Jul 1872; m. Lisboa 14 Ago 1921)


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2007-08-14

Estes versos antigos - Angelo de Lima

Estes versos antigos que eu dizia
Ao compasso que marca o coração
Lembram ainda?... Lembrarão um dia...
— Nas memórias dispersas recolhidas
Sequer na piedosa devoção

De algum livro de cousas esquecidas?
— Acaso o que ora canta... vive... existe
Nunca mais lembrará — eternamente?
E vindo do não ser, vai, finalmente,
Dormir no nada... majestoso e triste?

Ângelo Vaz Pinto Azevedo Coutinho de Lima (n. no Porto a 31 Jul 1872; m. em 14 Ago 1921).
Do livro: "Líricas Portuguesas", seleção, prefácio e notas de Cabral do Nascimento, Portugália Editora, 1945, Portugal

Ler do mesmo autor:
Eu Ontem Vi-te
Não Tinha;
Soneto: Pára-me de repente o pensamento...

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2007-07-31

Não tinha - Angelo de Lima

Narcisos - Oleo/Lienzo (146x97), by Nanci Caro


Não tinha esse perfume, dos Narcisos!...
Nem o calor fervente dos Abraços!...

Aquela, a quem um dia abri os braços...
- que me encantava a alma de sorrisos!...

- Vi seus olhos, então!... - os lagos lisos
Não são mais cristalinos...nem mais frios!...

- Pobres Almas de Moços... - Balbucios
E Inocentes! - e ínscios!... - E indecisos!!!...


Ângelo Vaz Pinto Azevedo Coutinho de Lima (n. no Porto a 31 Jul 1872; m. em 14 Ago 1921).

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2005-08-01

Soneto - Angelo de Lima

Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz, do esquecimento...

Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado...
Pára e fica e demora-se um momento.

Pára e fica na doida correria...
Pára à beira do abismo e se demora
E mergulha na noite escura e fria

Um olhar de aço que essa noite explora...
Mas a espora da dor seu flanco estria
E ele galga e prossegue sob a espora.


Do livro: "Líricas Portuguesas", seleção, prefácio e notas de Cabral do Nascimento, Portugália Editora, 1945, Portugal

Ângelo de Lima (n. Porto 31 Jul 1872; m. Lisboa 14 Ago 1921)

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