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2013-10-21

Soneto das Nuvens e da Brisa - Waldemar Lopes

Os pássaros nostálgicos.. Errantes,
mágicos do crepúsculo, soprando
das longas asas trêmulas o brando
vento da tarde; e logo, em céus cambiantes,

alvos blocos de pluma ão distantes
e efêmeras imagens modelando:
sereias e hipocampos, entre o bando
de carneiros, e rosas, e elefantes,

cães e estrelas, dragões, ou aguçadas
torres, na superfície roseoviva
por onde voga, acesa, a caravela

e nas longas asas captam, retesadas,
a poesia da tarde, fugitiva,
mas eterna no instante em que foi bela.


in Sonetos do Tempo Perdido, Editora Gurarapes - EGM, 2002
soneto extraído daqui

Waldemar Freire Lopes (Quipapá, Pernambuco, 1 de fevereiro de 1911 — Recife, 21 de outubro de 2006)

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2011-10-21

Soneto das imagens interiores - Waldemar Lopes

Mistério das imagens interiores.
Imersas nestes mares de abandono
as sementes de fogo geram flores:
rosas de pó nas lâminas do outono.

Transfigurada, a fria luz de sono
vela de cinza a face dos pastores,
e os súditos do tempo, e os reis sem trono,
sob o mudo legado de outras dores.

Na áspera latitude um rio corre
branco de eternidade. As nebulosas
vão-se formando, enquanto o sonho morre.

Há pássaros absortos na obcecada
cisma da solidão; e mãos ansiosas
abrem portas de sombra para o nada.


Waldemar Freire Lopes (n. em Peri-Peri, então Município de Quipapá, mas hoje integrante do Município de S. Benedito do Sul, Pernambuco, a 1 de Fev. de 1911 - m. em 21 Out. 2006 no Recife).

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2011-02-01

Centenário do Nascimento de Waldemar Lopes - Soneto dos Vaga-lumes

Era o impúbere céu, era a anteaurora
translúcida. Na meia-luz contida
de súbito se abria, aura sonora,
a flor do canto, logo emurchecida.

Mas no chão da memória, surge agora,
de matérias do tempo concebida,
visão morta da noite feita aurora
(e uma vida fundida noutra vida).

Chispas de azul verdefosforescendo
trazem à solidão da terra acesa
o secreto esplendor da alma apagada.

Ritmo de lume e cor, nascem morrendo,
enquanto cresce – tensa de beleza,
madura de silêncio – a madrugada.


Waldemar Freire Lopes (n. em Peri-Peri, então Município de Quipapá, mas hoje integrante do Município de S. Benedito do Sul, Pernambuco, a 1 de Fev. de 1911 - m. em 21 Out. 2006 no Recife).

Ler também do mesmo autor, neste blog Soneto dos Símbolos Efêmeros

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2008-10-21

Soneto dos Símbolos Efêmeros - Waldemar Lopes (que faleceu faz hoje dois anos)

Rosa (flor)

Os símbolos efêmeros: memento
da vida breve: música secreta
– do tempo, a se esvair na asa do vento,
– do sonho, a esmaecer a chama inquieta.

Cresça no céu de pedra o véu nevoento;
junto às nuvens se perca a doida seta
rumo ao não e ao talvez: o sentimento
atrela-se a uma estrela, e essa incompleta

visão apaziguante é misteriosa
luz transcendência: rútila persiste,
seiva do ser, essência poderosa,

pois se foi dito o quanto a carne é triste,
arde em perfume o espírito da rosa
e é mais belo o que só no sonho existe.

Waldemar Freire Lopes (n. em Peri-Peri, então Município de Quipapá, mas hoje integrante do Município de S. Benedito do Sul, Pernambuco, a 1 de Fev. de 1911 - m. em 21 Out. 2006 no Recife).

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