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2016-10-14

Pai: quando falava no futuro - Sebastião Alba

Pai: quando falava no futuro
a que se referia – ao meu tempo?
Nunca, na ascensão em espiral
de qualquer culto,
dominámos um frouxo de tosse.
Abro o livro (o seu era L’espoir):
Se o malogro das personagens não é certo,
Por certo o é o do autor.
Bem sucedido, morrerá: fim.
E isso nenhum estilo o redime.
Sorrio congeminando
Que o seu tinha uma encadernação durável.
Os meus filhos sorrirão doutra coisa.
Eis como o sorriso propaga.


in Cem Poemas Portugueses sobre a Infância
selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria

Dinis Albano Carneiro Gonçalves nasceu em Braga, a 11 de março de 1940, mas viveu a maior parte da sua vida em Moçambique. Morreu em Braga, no dia 14 de outubro de 2000

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2014-10-14

Uma Pedra ao Lado da Evidência - Sebastião Alba

Deito-me na rede atada
Aos pináculos do fuso horário.

Tivessem os meus dias um dono
ao alcance da voz
que por mim cora; sem pejo
o adularia.

Este sulco em minha mão
que enruga a testa das ciganas
não vai mais longe o seu cavalo cego.

Que ilusória beleza
raia
um verso nado
e, dúplice, na ausência de ambos,
a cama estática.

Como dos deuses, descreio
da inspiração;
entre mim e a voz,
há um convívio silente.

Quando da avenida,
o alto repuxo de som
inunda a flat,
volvo eu à secura
íntima da água

Há poetas com musa. Muitos.
Eu, neste jardim do Éden,
a cargo do município,
onde um velho destece a sua vida
e, baixando o olhar,
ainda lhe afaga a trama,
quando a poesia se afoita,
amuo
na agrura de, ao acordar,
tê-la sonhado.


in A Noite Dividida/ o Limite Diáfano, Lisboa, Assírio e Alvim, 1996.

Dinis Albano Carneiro Gonçalves, cujo pseudónimo é Sebastião Alba, nasceu em Braga a 11 de março de 1940; faleceu em Braga a 14 de outubro de 2000.

Pai; quando falava no futuro
Envelheces, Rapaz

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2012-10-14

Envelheces, Rapaz - Sebastião Alba


Palavras, cascalho desabrido
que em cada manhã, suspirando,
realinho nos canteiros
e que, sem fé, sagro
de cal idílica.
A vizinha chega-se ao muro,
diz "bom dia".
Vem duma comunidade
com juízo; apercebe-se
de que a minha saudação
carreta as pedras
dum mutismo lavrado.
Acabará por julgar
que há ali uxoricídio, e eu velo
para que ele não fique a descoberto.
Há-de ver
o meu bilhete de identidade, auge
de quem sou,
santo-e-senha, vínculo
que nem a morte pui.
Nada feia. No dia em que
um giro de andorinhas nos aureole,
dir-lhe-ei que tive
relações conjugais, sim!,
mas com a beleza, etc.
Não tardará que ela me escolha
as palavras e os chinelos
a seu gosto.

Extraído de Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

Dinis Albano Carneiro Gonçalves nasceu em Braga, a 11 de Março de 1940, mas viveu a maior parte da sua vida em Moçambique. Morreu em Braga, no dia 14 de Outubro de 2000

Pai; quando falava no futuro

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2011-10-14

Pai: quando falava no futuro - Sebastião Alba

Pai: quando falava no futuro
a que se referia – ao meu tempo?
Nunca, na ascensão em espiral
de qualquer culto,
dominámos um frouxo de tosse.
Abro o livro (o seu era L’espoir):
Se o malogro das personagens não é certo,
Por certo o é o do autor.
Bem sucedido, morrerá: fim.
E isso nenhum estilo o redime.
Sorrio congeminando
Que o seu tinha uma encadernação durável.
Os meus filhos sorrirão doutra coisa.
Eis como o sorriso propaga.


in Cem Poemas Portugueses sobre a Infância
selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria

Dinis Albano Carneiro Gonçalves nasceu em Braga, a 11 de Março de 1940, mas viveu a maior parte da sua vida em Moçambique. Morreu em Braga, no dia 14 de Outubro de 2000

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2010-03-19

Dia do Pai

imagem daqui

Pai: quando falava do futuro
a que se referia ao meu tempo?
Nunca, na ascensão em espiral
de qualquer culto,
dominámos um frouxo de tosse.
Abro o livro (o seu era L'espoir):
se o malogro das personagens não é certo,
por certo o é o do autor.
Bem sucedido, morrerá: fim.
E isso nenhum estilo o redime.
Sorrio congeminando
que o seu tinha uma encadernação durável.
Os meus filhos sorrirão doutra coisa.
Eis como o sorriso se propaga.

Sebastião Alba, pseudónimo de Dinis Albano Carneiro Gonçalves(1940 - 2000)

in Cem Poemas Portugueses sobre a Infância, selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria, Terramar

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