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2017-05-08

Até Sempre... - Luís Ferreira

As mãos perdidas definem sonhos,
Fecundo gesto que paira,
Como uma ave sem porto…
Naquela carta afogada.
As palavras deslizam sem sons,
Pétalas de uma rosa desfolhada varrem o vazio,
Despindo o jardim
Entre as vagas dos acenos da saudade.
Letra a letra,
Desnudo a minha alma,
Sereno…
Sinto o sangue dos espinhos,
Entre as lágrimas derramadas.
Talvez…
A minha face dispa o túmulo da minha voz,
Soletrando em murmúrios
Os silêncios libertos da memória.
Corvos que pairam no destino,
O meu… o meu talvez,
Nas dúvidas que engoliram a terra crua,
Libertando o triste aroma,
Entre o ventre dos desejos esquecidos.
Um dia…
Os meus dedos irão despertar
As sombras partirão das raízes
Novas linhas serão preenchidas,
Para de novo,
Acariciar o céu com as minhas asas.

Luís Manuel Marques Ferreira nasceu no Barreiro a 8 de maio de 1970

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2015-05-08

Longe - Luís Ferreira



Longe,
Tão longe e ninguém...
Esvaziando o espaço
Onde as lágrimas
Deslizam até à foz.
Há muito...
Que os pássaros já não voam,
Nada existe,
Nem os nomes,
Secando palavras
Quando os dias acabam.
Sem alma,
Equívoca sombra,
Que fecha as pálpebras,
Esperando que os relógios,
Despertem...

in "O céu também tem degraus"

Luís Ferreira nasceu no Barreiro a 8 de maio de 1970

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