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2012-03-13

Morte Suave - Tristão da Cunha

Ei-los que vão-se ao mal de onde vieram,
Os males da minh'alma envelhecida:
E a lembrar tantos risos que os trouxeram,
Eu choro docemente esta partida...

Prantos lavam o sangue que verteram,
Na atroz delícia que já vai perdida,
E enche-me de saudades que ainda esperam
A saudade que um monge tem da vida...

No olhar que além dos olhos adormece
Erguem-se mortas, puras como lírios
E formosas e tristes como luas...

E tristemente um véu de nuvens desce
Sobre um casto clarão de exaustos círios,
Que estas virgens que voltam, voltam nuas... 


Tristão da Cunha, pseudónimo de José Maria Leitão da Cunha Fº., nascido no Rio de Janeiro em 13 de Março de 1878, m. a 29 de Junho de 1942).

Ler do mesmo autor no Nothingandall:
Virgem Primitiva
Aniversário
Itervm

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2011-06-28

Virgem Primitiva - Tristão da Cunha

A pobre Ofélia deu-lhe os tristes olhos mansos
Onde bóia um luar de sonhos afogados;
Mãos piedosas dormindo em gestos resignados,
De tarde, a meditar nos eternos descansos.

Há idílios de irmãos, inviolados remansos,
Soluços de ternura, e sorrisos cansados,
E saudades que não vem dos tempos passados,
No sobre-humano olhar daqueles olhos mansos.

Eu vejo-a morta já (que tristeza tão doce!...)
As mãos no colo em cruz e branca de alabastros,
Noiva morta de amor na primeira manhã...

Na Via-Láctea que a leva, pura como a trouxe,
Florindo-lhe o caminho anjos espalham astros,
E a lua vai seguindo atrás, como uma irmã...

Tristão da Cunha, pseudónimo de José Maria Leitão da Cunha Fº., nascido no Rio de Janeiro em 13 de Março de 1878, m. a 29 de Junho de 1942).

Ler do mesmo autor no Nothingandall:
Aniversário
Itervm

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2011-03-13

Itervm - Tristão da Cunha

imagem daqui

Há muito tempo já que eu vou perdendo
os sonhos, um a um, pelo caminho:
- Sangue dum anho ingênuo, cor d'arminho,
de calvário em calvário perecendo.

No alto dum monte, a luz que eu ia vendo,
diante de mim cantando como um ninho,
fria beijou-me o rubro desalinho,
e atrás de mim no escuro foi descendo.

Hoje os olhos se voltam como preces
para as memórias, em que há luas mortas,
e tu, morta, que morta não pareces!

Sobre esta alma de dúvida e agonias
caia a luz desses olhos, dessas portas
onde esperam o sol as almas frias.


Tristão da Cunha (n. no Rio de Janeiro em 13 de Março de 1878; m. a 29 de Junho de 1942).

TRISTÃO DA CUNHA foi o pseudónimo escolhido por José Maria Leitão da Cunha F.º, que, em 13 de Março de 1878 nasceu no Rio de Janeiro, onde morreu a 29 de Junho de 1942. Aluno da faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, concluiu o bacharelato em 1900. Advogado, poeta e prosador (contos e ensaios), redigiu de 1910 a 1928 a secção brasileira da revista simbolista «Mercure de France». Tímido e arredio, conciliava um ideário político democrático com uma sensibilidade aristocrática, o requinte esteticista e o refinamento da linguagem com uma espontaneidade e fluência eivada de melancolia. Um título significativo: «Torre de Marfim» (1901).

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004).

Ler do mesmo autor no Nothingandall: Aniversário

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2010-03-13

Aniversário - Tristão da Cunha

Interrogando a lápide que encerra
tua ligeira forma torturada
vim deter, no pendor da humana estrada,
os passos que me levam para a terra.

O véu das manhãs de ouro se descerra.
Vives de novo na na infantil jornada,
toda ternura tímida e guardada,
toda piedade activa que não erra.

Um prodígio de amor muda em conforto
o próprio mal que neste chão depus,
e ei-lo convoca os risos fugitivos.

Na eucarística paz do último horto,
o teu tormento já desfeito em luz,
tua bondade purifica os vivos.


Tristão da Cunha (n. no Rio de Janeiro em 13 de Março de 1878; m. a 29 de Junho de 1942).

TRISTÃO DA CUNHA foi o pseudónimo escolhido por José Maria Leitão da Cunha F.º, que, em 13 de Março de 1878 nasceu no Rio de Janeiro, onde morreu a 29 de Junho de 1942. Aluno da faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, concluiu o bacharelato em 1900. Advogado, poeta e prosador (contos e ensaios), redigiu de 1910 a 1928 a secção brasileira da revista simbolista «Mercure de France». Tímido e arredio, conciliava um ideário político democrático com uma sensibilidade aristocrática, o requinte esteticista e o refinamento da linguagem com uma espontaneidade e fluência eivada de melancolia. Um título significativo: «Torre de Marfim» (1901).

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004).

Ler do mesmo autor, neste blog: INTERVM...

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2008-03-13

Tristão da Cunha nasceu há 130 anos

Há muito tempo já que eu vou perdendo
os sonhos, um a um, pelo caminho:
- Sangue dum anho ingênuo, cor d'arminho,
de calvário em calvário perecendo.

No alto dum monte, a luz que eu ia vendo,
diante de mim cantando como um ninho,
fria beijou-me o rubro desalinho,
e atrás de mim no escuro foi descendo.

Hoje os olhos se voltam como preces
para as memórias, em que há luas mortas,
e tu, morta, que morta não pareces!

Sobre esta alma de dúvida e agonias
caia a luz desses olhos, dessas portas
onde esperam o sol as almas frias.

Tristão da Cunha (n. no Rio de Janeiro em 13 de Março de 1878; m. a 29 de Junho de 1942).

TRISTÃO DA CUNHA foi o pseudónimo escolhido por José Maria Leitão da Cunha F.º, que, em 13 de Março de 1878 nasceu no Rio de Janeiro, onde morreu a 29 de Junho de 1942. Aluno da faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, concluiu o bacharelato em 1900. Advogado, poeta e prosador (contos e ensaios), redigiu de 1910 a 1928 a secção brasileira da revista simbolista «Mercure de France». Tímido e arredio, conciliava um ideário político democrático com uma sensibilidade aristocrática, o requinte esteticista e o refinamento da linguagem com uma espontaneidade e fluência eivada de melancolia. Um título significativo: «Torre de Marfim» (1901).

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004).




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