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2011-07-17

Dualidade - Tomás Padilha

Decifrar-me não tentes: o que sou
está contido em palavras e escombros
harmoniosamente dispostos;
o rosto é apenas a aparência,
meu arsenal
meu exército

Um pobre exército de perdidas batalhas.
Já o vês: sou duplo, na luz e na sombra
trafego entre mim e o outro, o que mente
mas transluz verdadeiro;
é lamentável que assim te fale,
mas não há outra forma.

Armas e esperanças tenho-as escondido
nos escombros que lavro, e não sabes.
São muito perigosas.
Mas não as procure,
para que não me aches
senão onde me encontro como agora,
diante de teu olhar perplexo.


Poema daqui

Telmo Padilha (nasceu em Itabuna, Bahia, a 5 de maio de 1930; faleceu em 17 de julho de 1977)

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