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2016-05-13

Saudade - Raimundo Correia

A Henrique de Magalhães


Aqui outrora retumbaram hinos;
Muito coche real nestas calçadas
E nestas praças, hoje abandonadas,
Rodou por entre os ouropéis mais finos...

Arcos de flores, fachos purpurinos,
Trons festivais, bandeiras desfraldadas,
Girândolas, clarins, atropeladas
Legiões de povo, bimbalhar de sinos...

Tudo passou! Mas dessas arcarias
Negras, e desses torreões medonhos,
Alguém se assenta sobre as lájeas frias;

E em torno os olhos úmidos, tristonhos,
Espraia, e chora, como Jeremias,
Sobre a Jerusalém de tantos sonhos!...

in Cinco Séculos de Poesia, Antologia da Poesia Clássica Brasileira, Selecção e Introdução de Frederico Barbosa, Landy Editora

Raimundo da Mota de Azevedo Correia (nasceu a bordo, no litoral do Maranhão, a 13 de maio de 1859 e faleceu em Paris a 13 de setembro de 1911)

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2015-05-13

A Cavalgada - Raimundo Correia


A lua banha a solitária estrada...
Silêncio!... mas além, confuso e brando,
O som longínquo vem se aproximando
Do galopar de estranha cavalgada.

São fidalgos que voltam da caçada;
Vêm alegres, vêm rindo, vêm cantando,
E as trompas a soar vão agitando
O remanso da noite embalsamada...

E o bosque estala, move-se, estremece...
Da cavalgada o estrépito que aumenta
Perde-se após no centro da montanha...

E o silêncio outra vez soturno desce,
E límpida, sem mácula, alvacenta
A lua a estrada solitária banha...

Raimundo da Mota de Azevedo Correia (nasceu a bordo do vapor São Luiz, na baía de Mogunca, nas costas do Maranhão, a 13 de Maio de 1859 e faleceu em Paris a 13 de Setembro de 1911)

Ler do mesmo autor neste blog:
Mal Secreto
Saudade
Mal Secreto

As Pombas;
Plena Nudez;
Anoitecer

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2014-05-13

Mal Secreto - Raimundo Correia

Se a cólera que espuma, a dor que mora
Na alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!


Raimundo da Mota de Azevedo Correia (nasceu a bordo, no litoral do Maranhão, a 13 de Maio de 1859 e faleceu em Paris a 13 de Setembro de 1911)

Ler do mesmo autor neste blog:
Saudade
Mal Secreto

As Pombas;
Plena Nudez;
Anoitecer

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2011-09-13

Renascimento - Relembrando Raimundo Correia no centenário do seu falecimento

Venha, após tanta lágrima bebida
e tanto fel provado, a doce e branda
alegria, em que a murcha flor se expanda
do sorriso, e eu de novo surja à vida!

De novo em festas, gárrula e florida,
a alma se rasgue inteira - ampla varanda
escancarada de uma e de outra banda
ao fresco e à luz, de alegre sol batida...

Parta a loisa ao sepulcro que a devora,
e, livre assim dessa mortal tristeza,
desfeita em hinos, vá pela floresta.

Vá pelo mar... vá pelo azul afora...
Derramando por toda a natureza
o pouco de ilusões que inda me resta


Poema extraído daqui
Raimundo da Mota de Azevedo Correia (nasceu a bordo, no litoral do Maranhão, a 13 de Maio de 1859 e faleceu em Paris a 13 de Setembro de 1911)

Ler do mesmo autor neste blog:
Saudade
Mal Secreto

As Pombas;
Plena Nudez;
Anoitecer

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2010-05-13

Saudade - Raimundo Correia

A Henrique de Magalhães

Aqui outrora retumbaram hinos;
Muito coche real nestas calçadas
E nestas praças, hoje abandonadas,
Rodou por entre os ouropéis mais finos...

Arcos de flores, fachos purpurinos,
Trons festivais, bandeiras desfraldadas,
Girândolas, clarins, atropeladas
Legiões de povo, bimbalhar de sinos...

Tudo passou! Mas dessas arcarias
Negras, e desses torreões medonhos,
Alguém se assenta sobre as lájeas frias;

E em torno os olhos úmidos, tristonhos,
Espraia, e chora, como Jeremias,
Sobre a Jerusalém de tantos sonhos!...


in Cinco Séculos de Poesia, Antologia da Poesia Clássica Brasileira, Selecção e Introdução de Frederico Barbosa, Landy Editora

Raimundo da Mota de Azevedo Correia (nasceu a bordo, no litoral do Maranhão, a 13 de Maio de 1859 e faleceu em Paris a 13 de Setembro de 1911)

Ler do mesmo autor neste blog:
Mal Secreto
A Pombas;
Plena Nudez;
Anoitecer

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2009-09-13

Mal Secreto - Raimundo Correia

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!

in Cinco Séculos de Poesia, Antologia da Poesia Clássica Brasileira, Selecção e Introdução de Frederico Barbosa, Landy Editora

Raimundo da Mota de Azevedo Correia (nasceu a bordo, no litoral do Maranhão, a 13 de Maio de 1859 e faleceu em Paris a 13 de Setembro de 1911)

Ler do mesmo autor neste blog:
A Pombas;
Plena Nudez;
Anoitecer

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2009-05-13

Raimundo Correia nasceu há 150 anos - As Pombas

Doves (pombas)


Vai-se a primeira pomba despertada ...
Vai-se outra mais ... mais outra ... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada ...

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...

Raimundo da Mota de Azevedo Correia nasceu a bordo, no litoral do Maranhão, a 13 de Maio de 1859 e faleceu em Paris a 13 de Setembro de 1911, vitimado por um ataque de uremia. Bacharel em Direito (1882) pela universidade de São Paulo, exerceu a magistratura em São João da Barra (1883), o professorado na Faculdade de Direito de Ouro Preto (1892) e a diplomacia, como secretário de legação em Lisboa. As suas «Poesias» foram reunidas em volume na capital portuguesa (1898). Constitui com Alberto de Oliveira e Olavo Bilac a tríade dos mestres do parnasianismo brasileiro. Céptico, tímido, introvertido e misantropo, a sua obra em verso é de tendência filosófica.

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.
Ler do mesmo autor neste blog: Plena Nudez ; Anoitecer

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2008-05-13

Anoitecer - Raimundo Correia


Anoitecer foto daqui

Esbraseia o Ocidente na agonia
o Sol... Aves, em bandos destacados,
por céus de ouro e de púrpura raiados,
fogem...Fecha-se a pálpebra do dia...

Delineiam-se, além da serrania,
os vértices de chama aureolados
e em tudo, em torno, esbatem derramados
uns tons suaves de melancolia...

Um mundo de vapores no ar flutua...
Como uma informe nódoa, avulta e cresce
a sombra, à proporção que a luz recua...

A natureza apática esmaece...Anoitecer
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
surge trémula, trémula... Anoitece.

Raimundo da Mota de Azevedo Correia nasceu a bordo, no litoral do Maranhão, a 13 de Maio de 1859 e faleceu em Paris a 13 de Setembro de 1911, vitimado por um ataque de uremia. Bacharel em Direito (1882) pela universidade de São Paulo, exerceu a magistratura em São João da Barra (1883), o professorado na Faculdade de Direito de Ouro Preto (1892) e a diplomacia, como secretário de legação em Lisboa. As suas «Poesias» foram reunidas em volume na capital portuguesa (1898). Constitui com Alberto de Oliveira e Olavo Bilac a tríade dos mestres do parnasianismo brasileiro. Céptico, tímido, introvertido e misantropo, a sua obra em verso é de tendência filosófica.

Soneto e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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2007-05-14

As Pombas - Raimundo Correia

Ontem deixamos escapar a efemeride do nascimento de Raimundo Correia o que suprimos hoje com a divulgação de um dos seus sonetos mais conhecidos:

foto: Pombas brancas


Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada...

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...


Raimundo da Mota Azevedo Correia (n. na Baía de Mogúncia MA a 13 Maio 1859; m. em Paris a 13 Set 1911)

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2006-09-13

Plena Nudez - Raimundo Correia

Venus Asleep, c. 1510, Giorgione, Giorgio da Castelfranco
Oil on canvas, 108 x 175 cm
Gemaeldegallerie Alte Meister, Dresden


Eu amo os gregos tipos de escultura:
Pagãs nuas no mármore entalhadas;
Não essas produções que a estufa escura
Das modas cria, tortas e enfezadas.

Quero em pleno esplendor, viço e frescura
Os corpos nus; as linhas onduladas
Livres: da carne exuberante e pura
Todas as saliências destacadas...

Não quero, a Vênus opulenta e bela
De luxuriantes formas, entrevê-la
Da transparente túnica através:

Quero vê-la, sem pejo, sem receios,
Os braços nus, o dorso nu, os seios
Nus... toda nua, da cabeça aos pés!


Raimundo da Mota de Azevedo Correia (n. 13 Mai 1859, Barra da Magunça MA ; m. em Paris (França) a 13 Set. 1911)

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