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2015-03-25

SOB OS RAMOS - Pedro Kilkerry



É no Estio. A alma, aqui, vai-me sonora,
No meu cavalo — sob a loira poeira
Que chove o sol — e vai-me a vida inteira
No meu cavalo, pela estrada a fora.

Ai! desta em que te escrevo alta mangueira
Sob a copada verde a gente mora.
E em vindo a noite, acende-se a fogueira
Que se fez cinza de fogueira agora.

Passa-me a vida pelo campo... E a vida
Levo-a cantando, pássaros no seio,
Qual se os levasse a minha mocidade...

Cada ilusão floresce renascida;
Flora, renasces ao primeiro anseio
Do teu amor... nas asas da Saudade!

 Pedro Militão Kilkerry (n. em Salvador (BA), a 10 de março de 1885: m. em 25 de março 1917)

Ler do mesmo autor:
Essa que paira em meus sonhos
Ritmo Eterno
Folhas da Alma
É o Silêncio


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2014-03-25

Essa, que paira em meus sonhos - Pedro Kilkerry

Essa, que paira em meus sonhos,
Em meus sonhos a brilhar,
E tem nos lábios risonhos
O nácar do Iônio — Mar —
Numa fantasia estranha,
Estranhamente a sonhei
E de beleza tamanha,
Enlouqueci. É o que sei.
Ela era, em plaustro dourado
Levado de urcos azuis,
De Paros nevirrosado,
Ombros nus, os seios nus...
E que de esteiras de estrelas,
De prásio, opala e rubim!
Na praia perto, por vê-las
Vi que saltava um delfim
Que longamente as fitando
Alçou a cauda, a tremer
E outros delfins, senão quando
Aparecer.


Pedro Militão Kilkerry (n. em Salvador (BA), a 10 de Março de 1885: m. em 25 de Mar. 1917)

Ler do mesmo autor:
Ritmo Eterno
Folhas da Alma
É o Silêncio

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2013-03-25

Cérbero - Pedro Kilkerry

É, não vens mais aqui... Pois eu te espero,
Gele-me o frio inverno, o sol adusto
Dê-me a feição de um tronco, a rir, vetusto
- Meu amor a ulular... E é o teu Cérbero!

É, não vens mais aqui... E eu mais te quero,
Vago o vergel, todo o pomar venusto
E a cada fruto de ouro estendo o busto,
Estendo os braços, e o teu seio espero.

Mas como pesa esta lembrança... a volta
Da aléia em flor que em vão, toda transponho,
E onde te foste, e a cabeleira solta!

Vais corações rompendo em toda a parte!
Virás, um dia... E à porta do meu Sonho
Já Cérbero morreu, para agarrar-te.

Pedro Militão Kilkerry (n. em Salvador (BA), a 10 de Março de 1885: m. em 25 de Mar. 1917)

Ler do mesmo autor:
Ritmo Eterno
Folhas da Alma
É o Silêncio

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2011-03-25

É o Silêncio... - Pedro Kilkerry

É o silêncio, é o cigarro e a vela acesa.
Olha-me a estante em cada livro que olha.
E a luz nalgum volume sobre a mesa...
Mas o sangue da luz em cada folha.

Não sei se é mesmo a minha mão que molha
A pena, ou mesmo o instinto que a tem presa.
Penso um presente, num passado. E enfolha
A natureza tua natureza.
Mas é um bulir das cousas... Comovido
Pego da pena, iludo-me que traço
A ilusão de um sentido e outro sentido.
Tão longe vai!
Tão longe se aveluda esse teu passo,
Asa que o ouvido anima...
E a câmara muda. E a sala muda, muda...
Àfonamente rufa. A asa da rima
Paira-me no ar. Quedo-me como um Buda
Novo, um fantasma ao som que se aproxima.
Cresce-me a estante como quem sacuda
Um pesadelo de papéis acima...

...................................................

E abro a janela. Ainda a lua esfia
últimas notas trêmulas... O dia
Tarde florescerá pela montanha.

E ó minha amada, o sentimento é cego...
Vês? Colaboram na saudade a aranha,
Patas de um gato e as asas de um morcego.

Poema extraído daqui

Pedro Militão Kilkerry (n. em Salvador (BA), a 10 de Março de 1885: m. em 25 de Mar. 1917)
Ler do mesmo autor: Ritmo Eterno; Folhas da Alma

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2010-03-25

Folhas da Alma - Pedro Kilkerri

Tu vens... e, oh! fina estranheza!
Respiro uma ilusão morta:
Sorrindo, minha tristeza -
Moça lunar - te abre a porta.

Se em tua fronte de sonho.
O sonho é uma flor de cera
Chegas... Do que era tristonho
Que luz rosada nascera!

Mas em ti, a ilusão morta
lembrou a sua estranheza;
Vem! São dois braços à porta
Da minha antiga tristeza.


Poema extraído de Cinco Séculos de Poesia, Antologia da Poesia Clássica Brasileira, selecção e introdução de Frederico Barbosa, Landy Editora

Pedro Militão Kilkerry (n. em Salvador (BA), a 10 de Março de 1885: m. em 25 de Mar. 1917)

Ler do mesmo autor: Ritmo Eterno

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2008-03-25

Ritmo Eterno - Pedro Kilkerry

Nascer do Sol


Abro as asas da Vida à Vida que há lá fora.
Olha... Um sorriso da alma! — Um sorriso da aurora!
E Deus — ou Bem! ou Mal — é Deus cantando em mim,
Que Deus és tu, sou eu — a Natureza assim.

Árvore! boa ou má, os frutos que darás
Sinto-os sabendo em nós, em mim, árvore, estás.
E o Sol, de cujo olhar meu pensamento inundo,
Casa multiplicando as asas deste mundo...

Oh, braços para a Vida! Oh, vida para amar!
Sendo uma onda do mar, dou-me ilusões de um mar...
Alvor, turquesa, ondula a matéria... É veludo,

É minh'alma, é teu seio, e um firmamento mudo.
Mas, aos ritmos da Terra, és um ritmo do Amor?
Homem! ouve a teus pés a Natureza em flor!

Pedro Militão Kilkerry (n. em Salvador (BA), a 10 de Março de 1885: m. em 25 de Mar. 1917)

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