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2012-12-27

Confissão do Malandro - Serguei Essénin


Nem todos têm o dom
de cantar, ou de cair
aos vossos pés como a maçã.

É esta a maior confissão
que um malandro jamais fez.

É de propósito que ando despenteado,
a cabeça nos ombros como candeeiro
a petróleo. Gosto de aluniar no escuro
o outono desfolhado das vossas almas.
Gosto quando zunem sobre mim pedras de pragas
como granizo de tempestade a arrotar.

Aí, só aperto com mais força as mãos
na bolha a oscilar do meu cabelo.

Como é bom então eu recordar
o lago coberto de limo e o rouco restolhar do amieiro,
os meus velhotes que vivem por ali algures
nas tintas para todos os meus versos
e para quem sou querido como campo e corpo,
como chuva que amacia na primavera os rebentos
da seara, e que viriam espetar-vos a forquilha
por cada berro que me arremessais.

Pobres campónios, coitados!
Já não estarão tão mimosos,
e sempre com temor a Deus e aos pântanos.
Oh, se compreendessem
que o filho era, na Rússia,
o melhor poeta!
Então não lhes gelava a alma
quando ele molhava os pés nos charcos outonais?
E agora anda de cartola
e sapatos de verniz.

Mas ainda tem vida nele a têmpera antiga
de aldeão azougado.
Cumprimenta de longe cada vaca
das tabuletas dos talhos.
Quando se achega aos coches da praça
e lhe vem o cheiro a estrume do campo materno,
dá-lhe vontade de segurar o rabo do cavalo
como a cauda de um vestido de noiva.

Amo a terra-mãe.
Adoro a minha terra!
Embora a envolva a tristeza ferrugenta dos salgueiros,
agradam-me os focinhos porcos dos cochinos
e o estridor dos sapos no silêncio da noite.
Adoeço meigamente com as recotdações de infância,
sonho com a névoa húmida do anoitecer de abril.
O nosso bordo como que se agachava
à fogueira do ocaso para se aquecer.
Os ovos de gralhas que ru não roubei dos ninhos
encarrapitado nos seus galhos!
O nosso velho bordo será ainda o mesmo,
terá a casca rija, uma copa verde?

E tu, meu querido
e fiel cão malhado?!
Ficaste cego e roufenho de velhice,
de rabo caído a vaguear pelo quintal,
já o faro te confunde as portas e o curral.
Ah, tão queridas me são agora as nossasd diabruras,
o pão que roubávamos à minha mãe
e trincávamos à vez
sem nojo um do outro.

Sou o mesmo.
Pelo coração, sou o mesmo.
Como centáureas entre o centeio florescem os olhos na cara.
Desdobro as esteiras douradas dos versos porque queria
dizer-vos alguma coisa terna.

Boa noite!
Boa noite a todos!
Calou-se, já não raspa pela erva sombria a gadanha do ocaso.
Hoje eu só queria
pôr-me à janela a mijar para a lua.

Luz azul, luz tão azul!
Neste azul até nem me importa morrer.
Que importa eu parecer um cínico
de lanterna pendurada no traseiro!

Oh, bom Pégaso velho e gasto,
de que me serve o teu suave trote?
Vim para cantar, como um mestre severo,
a glória das ratazanas.
Minha cabeçorra, feita um agosto,
jorra dos cabelos como vinho esfuziante.

Quero ser uma vela amarela
apontada ao país para onde navegamos.

Trad.: Nina Guerra e Filipe Guerra

in Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro, Porto Editora

Sergei Alexandrovich Yesenin Серге́й Алекса́ндрович Есе́нин (n. 4 out. 1895, em Konstantinov, Ryazan, m . 27 dez. 1925. Leninegrado, União Soviética)

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2007-12-27

I'm tired of living in my land - Sergei Yesenin

Field of flowers from here

I'm tired of living in my land
With boring fields and buckwheat fragrant,
I'll leave my home for ever, and
Begin the life of thief and vagrant.

I'll walk through silver curls of life
In search of miserable dwelling.
My dearest friend will whet his knife
On me. The reason? There"s no telling.

The winding yellow road will go
Across the sunlit field of flowers,
The girl whose name I cherish so
Will turn me out of her house.

I will return back home to live
and see the others feeling happy,
I'll hang myself upon my sleeve,
On a green evening it will happen.

The silky willows by the fence
Will bend their tops low down, gently,
To dogs' barking, by my friends,
Unwashed, I will be buried plainly.

The moon will float up in the sky
Dropping the oars into the water...
As ever, Russia will get by
And dance and weep in every quarter.

1915
Translated from the Russian by Alec Vagapov

(original version)

Устал я жить в родном краю
В тоске по гречневым просторам,
Покину хижину мою,
Уйду бродягою и вором.

Пойду по белым кудрям дня
Искать убогое жилище.
И друг любимый на меня
Наточит нож за голенище.

Весной и солнцем на лугу
Обвита желтая дорога,
И та, чье имя берегу,
Меня прогонит от порога.

И вновь вернуся в отчий дом,
Чужою радостью утешусь,
В зеленый вечер под окном
На рукаве своем повешусь.

Седые вербы у плетня
Нежнее головы наклонят.
И необмытого меня
Под лай собачий похоронят.

А месяц будет плыть и плыть,
Роняя весла по озерам...
И Русь все так же будет жить,
Плясать и плакать у забора.

Sergei Yesenin (b. in Kronstantinovo, on October 3 [O.S. September 21]; d. on 27 Dec. 1925)

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Estou cansado de viver na minha terra natal - Sergei Yesenin

Estou cansado de viver na minha terra natal,
Pensativo nas vastidões de trigo negro,
A minha cabana vou abandonar
E partirei como vagabundo e ladrão.

Seguirei o dia de caracóis brancos
A procurar miserável abrigo.
E o meu melhor amigo afiará
Em mim a navalha tirada da bota.

A estrada atravessa o prado
Amarela de sol e Primavera,
E aquela de quem guardo o nome
Em mim, correr-me-á da sua porta.

E voltarei então à casa paterna,
Com a alegria de outro me consolarei,
E com a manga, uma noite verde,
Da janela me enforcarei.

Os salgueiros cinzentos na cerca
Inclinarão mais ternamente a cabeça.
E enterrar-me-ão sem me lavarem
Ao som dos cães a ladrar.

E a lua há-de vaguear e vaguear,
Deixando cair ramos nos lagos,
E a Rússia como dantes viverá
A dançar e a chorar na cerca.

Tradução de Manuel de Seabra.

Sergei Yesenin (b. in Kronstantinovo, on October 3 [O.S. September 21]; d. on 27 Dec. 1925)

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