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2017-03-08

TENTAÇÃO - Ruy Cinatti


A noite incandescente e turva
de luzes de néon, de portas que se abrem
e penetram o escuro de uma noite
que julga estar subindo escadas,
afigura-se-me oculta
como tantas outras infinitas coisas
— vozes vindas dos corredores da infância.

in tempo da cidade, Lisboa: Editorial Presença, colecção forma, 1996

Ruy Cinatti Vaz Monteiro Gomes (Londres, 8 de março de 1915 — Lisboa, 12 de outubro de 1986)

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2013-10-12

Lembranças - Ruy Cinatti

Chorar pelos vivos que falecem
é natural – coisa lacrimal.
A carne sente a falta do costume
às tantas … tem fome.
Não choro ninguém.

Quando digo chorar é outra pressa
de chegar a tempo
da conversa atenta com um amigo
que nos quer bem.

Chorar por ninguém é chorar pelos vivos
que já morreram, sem o saber,
e vivem no seu presídio.

O resto, repito, é fisiologia
provocada, e ainda bem, pelo riso,
ou pela dor que temos de já ter nascido
e sermos chorados por alguém.


in Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade
selecção, organização e introdulção de José Fanha e José Jorge Letria
Terramar

Ruy Cinatti Vaz Monteiro Gomes (Londres, 8 de Março de 1915 — Lisboa, 12 de Outubro de 1986)

Ler do mesmo autor, neste blog: Vigília
Quando o Amor Morrer Dentro de Ti

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2011-10-12

Quando o Amor Morrer Dentro de Ti - Ruy Cinatti (na passagem dos 25 anos do desaparecimento do poeta)

Quando o amor morrer dentro de ti
Caminha para o alto onde haja espaço,
E com o silêncio outrora pressentido
Molda em duas colunas os teus braços.
Relembra a confusão dos pensamentos,
E neles ateia o fogo adormecido
Que uma vez, sonho de amor, teu peito ferido
Espalhou generoso aos quatro ventos.
Aos que passarem dá-lhes o abrigo
E o nocturno calor que se debruça
Sobre as faces brilhantes de soluços.
E se ninguém vier, ergue o sudário
Que mil saudosas lágrimas velaram;
Desfralda na tua alma o inventário
Do templo onde a vida ora de bruços
A Deus e aos sonhos que gelaram.


(Anoitecendo, a Vida Recomeça, 1942)
in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI

Ruy Cinatti Vaz Monteiro Gomes (Londres, 8 de Março de 1915 — Lisboa, 12 de Outubro de 1986)

Ler do mesmo autor, neste blog: Vigília

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2010-10-12

Vigília - Ruy Cinatti


Dois CaminhosDois Caminhos - imagem daqui

Paralelamente sigo dois caminhos
Abstracto na visão de um céu profundo.
Nem um nem outro me serve, nem aquele
Destino que se insinua
Com voz semelhante à minha.
O melhor mundo
Está por descobrir.
Não sequer a lua
Nem o perfil da proa.
Vai direito
Ao vago, incerto, misterioso
Bater das velas sinalado de oculto.

Quero-me mais dentro de mim, mais desumano
Em comunhão suprema, surto e alado
Nas aragens nocturnas que desdobram as vagas,
Chamam dorsos de peixe à tona de água
E precipitam asas na esteira de luz.
Da vida nada senão a melhoria
De um paraíso sonhado e procurado
Com ternura, coragem e espírito sereno.

Doçura luminosa de um olhar. Ameno
Brincar de almas verticais em pleno
Sol de alvorada que descerra as pálpebras.


in Rosa do Mundo, 2001 Poemas Para o Mundo, Assírio & Alvim

Ruy Cinatti Vaz Monteiro Gomes (Londres, 8 de Março de 1915 — Lisboa, 12 de Outubro de 1986)

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