Blog Widget by LinkWithin
Mostrar mensagens com a etiqueta Nazim Hikmet. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nazim Hikmet. Mostrar todas as mensagens

2015-06-03

APELO - Nâzim Hikmet

Este país,cabeça duma égua
da Ásia ao Mediterrâneo trotando tanta légua
este país é o nosso.
Punhos em sangue banhados,dentes serrados,planta nua
e chão feito alfombra,toda em seda crua,
este inferno,este céu é o nosso.
Fechem-se as portas de estranhos, não mais voltem a abrir!
O homem não imponha ao homem escravidão!
Este apelo é o nosso.
Viver!Qual árvore,sozinha e livre
e juntos irmanados,qual floresta:
Este anseio é o nosso.

Tradução de Doina Zugravescu

in Rosa do Mundo 2001 Poemas Para o Futuro, Porto Editora

Nâzım Hikmet Ran (n. 20 de Novembro de 1901 – m. 3 de Junho 1963)

Read More...

2014-11-20

A menina - Nâzim Hikmet

Sou eu que bato às portas,
às portas, umas após outras.
Sou invisível aos vossos olhos.
Os mortos são invisíveis.

Morta em Hiroxima
há mais de dez anos,
sou uma menina de sete anos.
As crianças mortas não crescem.
Primeiro arderam os meus cabelos,
também os olhos arderam, ficaram calcinados.
Num instante fiquei reduzida a um punhado de cinzas
que se espalharam ao vento.

No que diz respeito a mim,
nada vos imploro:
não podia comer, nem sequer bombons,
a criança que ardeu como papel.

Bato à vossa porta, tio, tia:
uma assinatura. Não matem as crianças


(Tradução de Rui Caeiro)

Nâzım Hikmet Ran (n. 20 de novembro de 1901 Salonica, Império Otomano (hoje Salónica, Grécia) – m. 3 de junho 1963 em Moscovo, então URSS).

Read More...