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2014-12-29

Pórtico - Rainer Maria Rilke


Quem quer que sejas: Quando a noite vem,
sai do teu quarto onde tudo conheces;
a tua casa é a última ante o longe:
Quem quer que sejas.
Com teus olhos, que, de cansados, mal
conseguem libertar-se do teu limiar gasto,
levantas devagar uma árvore negra
e põe-la ante o céu: esguia, só.
E fizeste o mundo. E ele é grande
e como palavra ainda a amadurar no silêncio.
E quando o teu querer abrange o seu sentido,
teus olhos o abandonam, ternamente...


in “Poemas - Elegias de Duíno - Sonetos a Orfeu”,
Prefácios, Selecção e Tradução de Paulo Quintela,
Edições Asa, 4ª. Edição, 2001

Reiner Maria Rilke (nasceu em Praga em 4 de dezembro de 1875; m. em Valmont, Suiça a 29 Dez. 1926)

Ler, neste blog, do mesmo autor:
Zum Einschlafen zu sagen / To Say Before Going to Sleep / Para dizer antes de dormir
Amo as Horas Sombrias do Meu Ser
O Poeta /The Poet;
O Mundo Estava no Rosto da Amada

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2010-12-29

Zum Einschlafen zu sagen / To Say Before Going to Sleep / Para dizer antes de dormir - Rainer Maria Rilke

Ich möchte jemanden einsingen,
bei jemandem sitzen und sein.
Ich möchte dich wiegen und kleinsingen
und begleiten schlafaus und schlafein.
Ich möchte der Einzige sein im Haus,
der wüsste: die Nacht war kalt.
Und möchte horchen herein und hinaus
in dich, in die Welt, in den Wald.
Die Uhren rufen sich schlagend an,
und man sieht der Zeit auf den Grund.
Und unten geht noch ein fremder Mann
und stört einen fremden Hund.
Dahinter wird Stille. Ich habe groß
die Augen auf dich gelegt;
und sie halten dich sanft und lassen dich los,
wenn ein Ding sich im Dunkel bewegt.


English Version

I would like to sing someone to sleep,
have someone to sit by and be with.
I would like to cradle you and softly sing,
be your companion while you sleep or wake.
I would like to be the only person
in the house who knew: the night outside was cold.
And would like to listen to you
and outside to the world and to the woods.

The clocks are striking, calling to each other,
and one can see right to the edge of time.
Outside the house a strange man is afoot
and a strange dog barks, wakened from his sleep.
Beyond that there is silence.

My eyes rest upon your face wide-open;
and they hold you gently, letting you go
when something in the dark begins to move.


Translated by Albert Ernest Flemming

Em Português

Gostava de cantar a alguém uma cantiga de embalar,
sentar-me a seu lado, e ficar sossegado.
Gostava de embalar-te murmurando uma canção,
estar contigo na orla do sono.
Ser a única pessoa acordada em casa
a saber que a noite está fria.
Gostava de ouvir cá dentro e lá fora,
ouvir-te, ouvir o mundo e os bosques.
Os relógios tocam a rebate,
e podes ver o tempo até ao fim escoar-se.
Ao fundo da rua um estranho passa
e incomoda o cão de um vizinho.
Por trás, o silêncio. Pousei os meus olho
sem ti como numa mão aberta,
e eles prendem-te ao de leve e deixam-te ir,
quando algo se move no escuro

Reiner Maria Rilke (nasceu em Praga em 4 de dezembro de 1875; m. em Valmont, Suiça a 29 Dez. 1926)

Ler, neste blog, do mesmo autor:
Amo as Horas Sombrias do Meu Ser
O Poeta /The Poet;
O Mundo Estava no Rosto da Amada

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2010-12-04

Dançarina Espanhola - Reiner Maria Rilke


Como um fósforo a arder antes que cresça
a flama, distendendo em raios brancos
suas línguas de luz, assim começa
e se alastra ao redor, ágil e ardente,
a dança em arco aos trêmulos arrancos.

E logo ela é só flama, inteiramente.

Com um olhar põe fogo nos cabelos
e com a arte sutil dos tornozelos
incendeia também os seus vestidos
de onde, serpentes doidas, a rompê-los,
saltam os braços nus com estalidos.

Então, como se fosse um feixe aceso,
colhe o fogo num gesto de desprezo,
atira-o bruscamente no tablado
e o contempla. Ei-lo ao rés do chão, irado,
a sustentar ainda a chama viva.
Mas ela, do alto, num leve sorriso
de saudação, erguendo a fronte altiva,
pisa-o com seu pequeno pé preciso.


(Tradução: Augusto de Campos)

Reiner Maria Rilke (nasceu em Praga em 4 de dezembro de 1875; m. em Valmont, Suiça a 29 Dez. 1926)

Ler, neste blog, do mesmo autor:
Amo as Horas Sombrias do Meu Ser
O Poeta /The Poet;
O Mundo Estava no Rosto da Amada

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2009-12-04

Amo as horas sombrias do meu ser - Rainer Maria Rilke

Amo as horas sombrias do meu ser
em que os meus sentidos se aprofundam;
nelas encontrei, como em velhas cartas,
o meu dia a dia já vivido,
ultrapassado e vasto como numa lenda.

Elas me ensinam que possuo espaço
p'ra uma intemporal Segunda vida.
E por vezes sou como a árvore
que, madura e rumorosa, sobre uma campa
cumpre o sonho que a criança de outrora
(abraçada por suas cálidas raízes)
perdeu em tristezas e canções.

Tradução de Ana Haterly
in Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

Rainer Maria Rilke (n. em Praga a 4 Dez. 1875; m. em Valmont, Suiça a 29 Dez. 1926)

Ler, neste blog, do mesmo autor: O Poeta /The Poet; O Mundo Estava no Rosto da Amada

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2008-12-29

O mundo estava no rosto da amada - Rainer Maria Rilke (que faleceu faz hoje 82 anos)

imagem daqui

O mundo estava no rosto da amada -
e logo converteu-se em nada, em
mundo fora do alcance, mundo-além.

Por que não o bebi quando o encontrei
no rosto amado, um mundo à mão, ali,
aroma em minha boca, eu só seu rei?

Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.
Mas eu também estava pleno de
mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei.

(Tradução: Augusto de Campos)

Rainer Maria Rilke (n. em Praga 1875; m. em Valmont, Suiça a 29 Dez. 1926

Ler do mesmo autor, neste blog O Poeta / The Poet

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2007-12-29

O Poeta - Rainer Maria Rilke

Na passagem do aniversário da morte do poeta:

Já te despedes de mim, Hora.
Teu golpe de asa é o meu açoite.
Só: da boca o que faço agora?
Que faço do dia, da noite?

Sem paz, sem amor, sem teto,
caminho pela vida afora.
Tudo aquilo em que ponho afeto
fica mais rico e me devora.

Tradução de Augusto de Campos

(in English)

The Poet

O hour of my muse: why do you leave me,
Wounding me by the wingbeats of your flight?
Alone: what shall I use my mouth to utter?

How shall I pass my days? And how my nights?

I have no one to love. I have no home.
There is no center to sustain my life.
All things to which I give myself grow rich
and leave me spent, impoverished, alone.

Translated by Albert Ernest Flemming


Rainer Maria Rilke (n. em Praga 1875; m. em Valmont, Suiça a 29 Dez. 1926)

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