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2016-11-09

CONTEMPLANDO O CÉU - Pereira da Silva



Contemplo o céu noturno - o belo, fundo,
Constelado esplendor que me fascina
E me faz pressentir que tudo é oriundo
Do só poder da emanação divina.

Agora, neste instante, me domina
Uma única ideia: é que se o mundo
É vil e a nossa mente pequenina,
O sentimento humano é bem profundo!

Que importa a Dor? Que importa a imensidade
Implacável da Dor num tal momento,
Em que a graça dos deuses nos invade

Se, de espírito em êxtase, olhar fito
Nos céus – gozamos o deslumbramento
De ser outro infinito ante o infinito?

Beatitudes (1919)

Pereira da Silva (Antônio Joaquim P. da S.), jornalista e poeta, nasceu em Araruna, Serra da Borborema, PB, em 9 de novembro de 1876, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 11 de janeiro de 1944.

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2011-11-09

Impressão... - Pereira da Silva

Era tal meu desgosto nesse dia
Que o próprio coração desfalecia...
E então vi vindo a Morte a passo lento,
Vago, sutil, quase sem movimento.

Era uma virgem de cabelo louro
E manto azul, cheio de estrelas de ouro
E claridade fria e compungente
Como a luz do crepúsculo do Poente.

Vi-a chegar de olhar alheio a tudo,
Mas imóvel no meu, lívido e mudo.

E ou porque se enganasse no lugar
Ou me quisesse apenas avisar
Que a Vida é como um gozo de entremez,
Sorriu-se do meu susto e se desfez...


Pereira da Silva (Antônio Joaquim P. da S.), jornalista e poeta, nasceu em Araruna, Serra da Borborema, PB, em 9 de novembro de 1876, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 11 de janeiro de 1944.

Ler do mesmo autor, no Nothingandall, Nihil

Biografia na Academia Brasileira de Letras

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2008-01-11

Nihil - Pereira da Silva

No aniversário da morte do poeta:


Dia parado entre nevoento e enxuto.
A natureza como semimorta.
Quanto aos vencidos, Musa, desconforta
esta infinita sugestão de luto!

Quanto a mim, de minuto por minuto,
ouço alguém... Alguém bate à minha porta...
Quem é? Quem sabe? Uma saudade morta,
cousas tão d’alma que eu somente escuto.

Nesta indecisa solidão sombria,
sem cor, sem som, meio entre a noite e o dia,
com que a morte a tudo, a tudo assiste...

como que pela Terra desolada,
a consciência universal do Nada
deixa um silêncio cada vez mais triste...


António Joaquim PEREIRA DA SILVA
Nasceu em Araruna (PB) a 9 de Novembro de 1876 e faleceu no Rio de Janeiro a 11 de Janeiro de 1944. Estudou na Escola Militar da Praia Vermelha (RJ), donde foi transferido para o Paraná. Aqui, ligou-se aos simbolistas. Depois, no Rio, dedicou-se ao jornalismo e formou-se em Direito. De regresso ao Paraná, foi promotor público. Novamente no Rio, tornou-se funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil. A sua poesia evidencia pessimismo, tristeza, solidão, nostalgia, mágoa, desencanto, dor e morte. A sua principal obra é a «Senhora da Melancolia» (1928).

Poema e nota bibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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