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2018-02-19

Poema do Gato - António Gedeão

imagem daqui

Quem há-de abrir a porta ao gato
quando eu morrer?

Sempre que pode
foge prà rua
cheira o passeio
e volta pra trás,
mas ao defrontar-se com a porta fechada
(pobre do gato!)
mia com raiva
desesperada.

Deixo-o sofrer
que o sofrimento tem sua paga, e ele bem sabe.
Quando abro a porta corre para mim
como acorre a mulher aos braços do amante.
Pego ao colo e acaricio-o
num gesto lento,
vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele olha-me e sorri, com os bigodes eróticos,
olhos semi-cerrados, em êxtase,
ronronando.

Repito a festa,vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele aperta as maxilas,
cerra os olhos,
abre as narinas, e rosna,
rosna deliquescente,abraça-me e adormece.

Eu não tenho gato, mas se o tivesse
quem lhe abriria a porta quando eu morresse?

in Obra Completa António Gedeão, Relógio D'Água

António Gedeão (pseudónimo de Rómulo Vasco da Gama de Carvalho n. em Lisboa a 24 de novembro de 1906; m. Lisboa, 19 de fevereiro de 1997)

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2017-12-19

VI [do "Livro das Ignorãças"]

Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas
leituras não era a beleza das frases, mas a doença
delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor,
esse gosto esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
– Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável,
o Padre me disse.
Ele fez um limpamento em meus receios.
O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença,
pode muito que você carregue para o resto da vida
um certo gosto por nadas…
E se riu.
Você não é de bugre? – ele continuou.
Que sim, eu respondi.
Veja que bugre só pega por desvios, não anda em
estradas –
Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas
e os ariticuns maduros.
Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de
agramática.

in Livro das Ignorãças, 1994

Manoel Wenceslau Leite de Barros (Cuiabá, Mato Grosso, Brasil, 19 de dezembro de 1916 — Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 13 de novembro de 2014)

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2017-10-30

Um Poema de "Elogio da Desconhecida" - Alfredo Guisado

Ela. Seus braços vencidos,
Naus em procura do mar,
Caminhos brancos, compridos,
Que conduzem ao luar.

Se ao meu pescoço os enrola
Eu julgo, com alegria,
Que trago ao pescoço o dia
Como se fosse uma gola.

O Luar, lâmpada acesa
Pra alumiar à princesa
Que em meus olhos causa alarde.

E o dia, longe, esquecido,
É um lençol estendido
Numa janela da Tarde.

Alfredo Pedro de Meneses Guisado (nasceu a 30 de outubro de 1891 em Lisboa, onde faleceu a 2 de dezembro de 1975

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2017-09-27

Crianças - Rodrigues de Abreu (na efeméride dos 120 anos do nascimento)

Somos duas crianças! E bem poucas
no mundo há como nós: pois, minto e mentes,
se te falo e me falas; e bem crentes
somos de nos magoar, abrindo as bocas...

Mas eu bem sinto, em teu olhar, as loucas
afeições, que me tens e também sentes,
em meu olhar, as proporções ingentes
do meu amor, que, em teu falar, há poucas!

Preza aos céus que isto sempre assim perdure:
que a voz engane no que o olhar revela;
que jures não amar, que eu também jure...

Mas que sempre, ao fitarmo-nos, ó bela,
penses: "Como ele mente" e que eu murmure:
"quanta mentira tem os lábios dela!".


Benedito Luís Rodrigues de Abreu (n. Capivari (SP) a 27 de setembro de 1897; m. em Bauru (SP) a 24 de novembro de 1927)

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2017-09-13

DUENDES - Alceu Wamosi

Nas mudas solidões da alma da gente,
Pela noite sem termo, andam vagando
Dolorosos espectros tristemente,
Em soluçante e doloroso bando...

Uns têm o aspecto cândido, inocente,
E os olhos cheios de lágrimas, chorando.
Outros, da rebeldia impenitente,
Vão, na fúria danada, estertorando.

É toda a dor amarga que nos prosta,
Que, num cortejo fúnebre, se mostra,
- Duendes vagando na alma - sem rebouços...

São as acerbas mágoas, os gemidos
Profundos, revoltados, doloridos,
E as blasfêmeas, e as pragas, e os soluços...

Alceu de Freitas Wamosy naceu em Uruguaiana, Rio Grande do Sul (RS), Brasil a 14 de Fevereiro de 1895 e faleceu em Livramento (RS) a 13 de setembro de 1923

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2017-09-07

DESPEDIDA - Carlos Magalhães de Azeredo

Não me coroes, Alma querida, de rosas: o encanto
da Juventude é efêmero; e a minha é quase extinta.

Também não me coroes de louros: a Glória não fala
ao coração, nem o ouve; passa, longínqua e fria.

Coroa-me das heras, que abraçam as graves ruínas:
são da humildade símbolo, e da tristeza eterna ...


Procelárias (1898)
Extraído daqui

Carlos Magalhães de Azeredo nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de setembro de 1872, e faleceu em Roma, Itália, em 4 de novembro de 1963

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2017-09-06

Oásis - Pedro Homem de Mello




Aquela praia-contraste
Entre a liberdade e a lei
(Aquela praia ignorada!)
Foste tu que ma mostraste
Ou fui eu que a inventei?
Lençol de seda ou de linho?
Lençol de linho bordado?
Deitei-me nele ao comprido...
Lençol de seda ou de linho?
Lençol de espuma comprido...
Lençol de areia queimado!
Ai! aquela praia! Aquela
Que, na minha embriaguez
Manchei sem dó! Fiquei triste
Logo da primeira vez
Em que a vi... Não o sentiste?
Agora, lembro-me dela
Como de um lençol de renda
Rasgado por minha mão...
E fico triste, tão triste!
Todas as praias são brancas
E só aquela é que não!
Moinhos que andais no vento,
Leite que escorres na Lua,
Quero pedir-vos perdão!
Mas é tão grande, tão grande
Ai! é tão grande o contraste
Entre a liberdade e a Lei
Que, às vezes até nem sei
Se aquela praia ignorada
Foste tu que me mostraste
Ou fui eu que a inventei...

in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal Editores

Pedro da Cunha Pimentel Homem de Mello (n. Porto em 6 de setembro de 1904 - m. Porto, 5 de março de 1984).

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2017-08-25

Que Vos Daria? - Luís Delfino


Se tiverdes um dia um capricho, senhora,
Um capricho, um delírio, uma vontade enfim,
Não exijas o carro azul que monta a Aurora
Nem da estrela da tarde o plaustro de marfim;

Nem o mar, que murmura e aí vai por mar em fora
Nem o céu d'outros céus, elos de céu sem fim,
Que se isso fosse meu, já vosso, há muito, fôra.
Fôra vosso o que é grande e anda em torno de mim...

Mostrásseis num só gesto ingênuo, um só desejo...
O universo que vejo e os outros que não vejo
Sofreriam por vós vosso último desdém.

Que faríeis dos sóis, grãos vis de areias d'ouro
Mulher! Pedi-me um beijo e vereis o tesouro
Que um beijo encerra e o amor que um coração contém.

LUÍS DELFINO dos Santos nasceu em Desterro, hoje Florianópolis, Santa Catarina,. Brasil, a 25 de agosto de 1834 e morreu no Rio a 31 de janeiro de 1910.

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2017-08-18

ASAS BROTAM DE MEUS DEDOS - Osmar Pisani

Aqui, asas brotam de meus dedos
e se elevam como um sopro
na branca paisagem de teus sonhos.

Vês as figuras transformadas em papel?

Outros seres passam em procissão
e a ideia é um lago somente,
súbita estrela se apoia em tua mão.

Tua sombra se ajusta à órbita da noite
e cobre o abismo dos homens sem memória.

Osmar Pisani nasceu em Gaspar, Santa Catarina, em 18 de agosto de 1936; faleceu em 7 de março de 2007.

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2017-07-12

Se Tu Me Esqueceres - Pablo Neruda



Quero que saibas
uma coisa.

Tu já sabes o que é:
se olho
a lua de cristal, o ramo rubro
do lento outono em minha janela,
se toco
junto ao fogo
a implacável cinza
ou o enrugado corpo da madeira,
tudo me leva a ti,
como se tudo o que existe
aromas, luz, metais,
fossem pequenos barcos que navegam
para essas tuas ilhas que me aguardam.

Pois ora,
se pouco a pouco deixas de me amar,
de te amar, pouco a pouco, deixarei.

Se de repente
me esqueces,
não me procures,
já te esqueci também.

Se consideras longo e louco
o vento de bandeiras
que canta em minha vida
e te decides
a me deixar na margem
do coração no qual tenho raízes,
pensa
que nesse dia
a essa hora
levantarei os braços
me nascerão raízes
procurando outra terra.

Porém,
se cada dia,
cada hora,
sentes que a mim estás destinada
com doçura implacável.
Se cada dia se ergue
uma flor a teus lábios me buscando,
ai, amor meu, ai minha,
em mim todo esse fogo se repete,
em mim nada se apaga nem se esquece,
do teu amor, amada, o meu se nutre,
e enquanto vivas estará em teus braços
e sem sair dos meus.

Tradução de: Thiago de Mello
Extraído de Os Versos do Capitão; Impresso no Brasil, 2004 - 8ª. edição EDITORA BERTRAND BRASIL LTDA.

Pablo Neruda [Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto] (n. 12 julho de 1904, Parral, Chile; m. 23 de setembro 1973 em Santiago, Chile).

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2017-07-04

O Meu Algarve (excerto) - João Lúcio

Natureza imortal, tu que soubeste dar
Ao meu país do sul a larga fantasia,
Que ensinaste aqui as almas a sonhar
Nessa frescura sã da crença e da alegria:

Que inundaste de azul e mergulhaste em oiro
Esta suave terra heróica dos amores,
Que lançaste sobre ela o canto imorredoiro
Que vibra a sinfonia oriental das cores:

Tu que mostraste aqui mais do que em toda a parte
O intenso poder do teu génio fecundo,
Que fizeste este Céu para inspirar a Arte
E lhe deste por isso o melhor sol do mundo:

Ensina algum pintor a fixar nas telas
Este brilho, esta cor, inéditos, diversos,
E põe a mesma luz que chove das estrelas
Na pena que debuxa estes humildes versos.

João Lúcio Pousão Pereira (Olhão, 4 de julho de 1880 - Olhão, 26 de outubro de 1918)

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2017-07-03

Ironia do Coração - Luís Murat


Como estavas formosa entre o mar e a minh'alma!
Ias partir... no céu vinha rompendo a aurora.
Eu te pedia - luz, tu me pedias - calma;
Eu te dizia: - "Crê"; tu me dizias: - "Chora!"

Beijei-te as mãos, beijei-te os pequeninos pés,
Como os lábios de um padre um assoalho sagrado.
Longe, ouvia-se ainda, entre os caramanchéis,
A melodiosa voz do luar apaixonado.

"É a voz do nosso amor, nos esponsais das flores.
Não chores mais, acalma a tua ansiedade.
Assim, como hei de eu dar tréguas às minhas dores,
E recalcar no peito esta amarga saudade?"

Partiste... Sobre mim cerrou-se a escuridão.
E eu não ouso subir aos meus sonhos agora,
Porque, irônico e mau, me grita o coração,
Quando não creio: "crê!", quando não choro: "chora!"

Poesias escolhidas, 1917

Luís Morton Barreto Murat (nasceu em Resende, RJ, em 4 de maio de 1861, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 3 de julho de 1929).

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2017-06-30

Que de nós dois - Reinaldo Ferreira




Que de nós dois
O mais sensato sou eu,
- É uma forma delicada
De dizeres que sou mais velho.
Ora é verdade
Ser eu quem tem mais idade.
Mas daí a ter juízo
Vai um abismo tão grande
Que é preciso,
Com certeza,
Que o digas com ironia
E nenhuma simpatia
Pelo engano em que vivo.
O engano de ter rugas
E nunca fitar um espelho...
Vê lá tu que eu não sabia
Que sou dos dois o mais velho.


Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira (n. em Barcelona, a 20 de março de 1922; m. em Moçambique a 30 de junho de 1959).

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2017-06-29

ATARDECER - Dionisio Ridruejo


Regreso al corazón cuando estoy solo
y está la luz morada sobre el campo y el sueño.
Regreso al corazón. ¿Por qué, en la tarde,
esta alegría indócil de porvenir tan fresco?
Languidecen las cosas,
los montes van al cielo,
la serranía es toda
niebla, congoja y miedo,
y el corazón se obstina desvelado
en su mañana de radiante fuego
mientras es la memoria retirada
como un lecho de rosas en misterio.

Dionisio Ridruejo Jiménez (Burgo de Osma, Soria, 12 de outubro de 1912 - Madrid, 29 de junho de 1975)

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2017-06-23

Soneto [Antes de conhecer-te, eu já te amava] - Martins Fontes


Antes de conhecer-te, eu já te amava.
Porque sempre te amei a vida inteira:
Eras a irmã, a noiva, a companheira,
A alma gêmea da minha que eu sonhava.

Com o coração, à noite, ardendo em lava
Em meus versos vivias, de maneira
Que te contemplo a imagem verdadeira
E acho a mesma que outrora contemplava.

Amo-te. Sabes que me tens cativo.
Retribuis a afeição que em mim fulgura,
Transfigurada nos anseios da Arte.

Mas, se te quero assim, por que motivo
Tardaste tanto em vir, que hoje é loucura,
Mais que loucura, um crime desejar-te?

José Martins Fontes nasceu em Santos (SP) a 23 de junho de 1884 e morreu a 25 de junho de 1937.

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2017-06-16

Noturno - Ariano Suassuna (lembrando o autor no dia em que celebraria o 90º aniversário)

Têm para mim Chamados de outro mundo
as Noites perigosas e queimadas,
quando a Lua aparece mais vermelha
São turvos sonhos, Mágoas proibidas,
são Ouropéis antigos e fantasmas
que, nesse Mundo vivo e mais ardente
consumam tudo o que desejo Aqui.

Será que mais Alguém vê e escuta?

Sinto o roçar das asas Amarelas
e escuto essas Canções encantatórias
que tento, em vão, de mim desapossar.

Diluídos na velha Luz da lua,
a Quem dirigem seus terríveis cantos?

Pressinto um murmuroso esvoejar:
passaram-me por cima da cabeça
e, como um Halo escuso, te envolveram.
Eis-te no fogo, como um Fruto ardente,
a ventania me agitando em torno
esse cheiro que sai de teus cabelos.

Que vale a natureza sem teus Olhos,
ó Aquela por quem meu Sangue pulsa?

Da terra sai um cheiro bom de vida
e nossos pés a Ela estão ligados.
Deixa que teu cabelo, solto ao vento,
abrase fundamente as minhas mão...

Mas, não: a luz Escura inda te envolve,
o vento encrespa as Águas dos dois rios
e continua a ronda, o Som do fogo.

Ó meu amor, por que te ligo à Morte?

Ariano Vilar Suassuna (João Pessoa, Paraíba, 16 de junho de 1927 — Recife, Pernambuco, 23 de julho de 2014

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2017-06-09

Vivam Apenas - José Gomes Ferreira


Vivam, apenas
Sejam bons como o sol.
Livres como o vento.
Naturais como as fontes.

Imitem as árvores dos caminhos
que dão flores e frutos
sem complicações.

Mas não queiram convencer os cardos
e transformar os espinhos
em rosas e canções.

E principalmente não pensem na morte.
Não sofram por causa dos cadáveres
que só são belos
quando se desenham na terra em flores.

Vivam, apenas.
A morte é para os mortos!

José Gomes Ferreira (n. no Porto a 9 de junho de 1900, m. em Lisboa, 8 de fevereiro de 1985)

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2017-05-05

Retrato - Luís Amaro

Um silêncio, um olhar, uma palavra
Nasceste assim na minha vida,
Inesperada flor de aroma denso,
Tão casual e breve.

Já te visionara no meu sonho,
Imagem de segredo esparsa ao vento
Da noite rubra, delicada, intacta.
E pressentira teu hálito na sombra
Que minhas mãos desenham, inquietas.

Existias em mim... O teu olhar
Onde cintila, pura a madrugada,
Guardara-o no meu peito, ó invisível,
Flutuante apelo das raízes
Que teimam em prender-te, minha vida!

in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco Graça Moura, Quetzal

Francisco Luís Amaro nasceu em Aljustrel, em 05 de maio de 1923

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2017-04-29

Hoje é o dia de todos os deuses - Helga Moreira

Hoje é o dia de todos os deuses.
A maresia subirá breve
ao terceiro andar.

Virá como quem pede mais um pouco
desta tarde.
Deixo-me ficar enquanto vou

indecisa como quem não sabe.
Se escolho rainha se rei
só eu decido, só eu sei.

Hoje é o dia de todos os deuses.
A qualquer deles vou pedir
não só a Zeus, não só a Argos,

não só a Afrodite,
a que o amor consente de todos os modos,
à brisa pedirei

que me deixe partir
a voz em arco
e tudo fruir de outro modo

Ainda que hoje não seja o dia
de todos os deuses
direi
não tenho género ou identificação bastante

que se assemelhe
ao estar
preto no preto branco no branco

in 'Agora que Falamos de Morrer'


Helga Moreira (Quadrazais, Guarda, 29 de abril de 1950)

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2017-04-26

Tudo, menos tu, Cronos, morrer pode - Alexei Bueno

Tudo, menos tu, Cronos, morrer pode.
Mesmo os deuses à morte estão sujeitos.
Mesmo o Fado, que até a eles subjuga,
Não se interpõe a ti.

Só tu reinas, e findos ainda um dia
Os deuses, e os mortais, e os mundos todos,
E o olímpico monte em pó tornado,
Tu, eterno, seguirias.

Pois, mais que os nossos olhos que te vissem,
Num vácuo até de ti, sem quem a olhasse,
Tua gota a cair continuaria,
Sem gota, ou queda, ou nada.

Poemas Gregos (1984) - in Poesia reunida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira (2003)

Alexei Bueno (n. Rio de Janeiro, 26 de abril de 1963)

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