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2014-01-16

A Nau do Tempo - Ulisses Duarte

Esconjuro o feitiço do retorno
e sigo nos meus passos, os meus passos,
alheio aos gritos das marés.
Ainda, nos sinais de toda a praia,
um pedaço de luz que lá ficou
retido numa poça de silêncio...
As raivas apodrecem pelas sombras
e as palavras caem absurdas
nas barcas que perderam o futuro.
As rochas são fantasmas na penumbra
que a madrugada vem despir dos medos
a deixar-nos seguir mais adiante,
como se a «Nau-do-Tempo» lá ficasse
para podermos aumentar o Mundo!


Guilherme Ulisses Duarte nasceu em Matosinhos em 11 de março de 1923, tendo falecido em Lisboa em 16 de janeiro de 2008

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2012-01-16

Silêncio - Ulisses Duarte

Nesta memória onde o silêncio fala
a viajar no meu sofá sem rumo,
percorro o mundo, sem sair da sala,
com palavras de fumo.
É o silêncio do musgo preso ao muro
de retardar a infância...
Por isso, ainda hoje me procuro
e perco na distância!
Há silêncios que voam como eu
num espanto de luz e nevoeiro
com uma estrela a navegar no céu
na mão dum marinheiro...
Nesta memória onde o silêncio fala
de lagos azuis ou doutra cor
onde um menino cresce e não se cala
quando fala de amor!
Ainda hoje o lago tem pedaços
com bailados de sombras e penumbra
pra recordar os sonhos onde os lábios
o coração afunda...
A fantasia dorme em teu regaço
e Pã dedica a Ceres o seu regresso
quando o silêncio quebra em mil pedaços
pra renascer num verso!

in PALAVRAS COM DISTÂNCIA

Guilherme Ulisses Duarte nasceu em Matosinhos em 11 de março de 1923, tendo falecido em Lisboa em 16 de janeiro de 2008


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