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2017-04-10

O Menino Grande - Sebastião da Gama


Também eu, também eu.
joguei às escondidas, fiz baloiços,
tive bolas, berlindes, papagaios,
automóveis de corda, cavalinhos...

Depois cresci,
tornei-me do tamanho que hoje tenho;
os brinquedos perdi-os, os meus bibes
deixaram de servir-me.
Mas nem tudo se foi:
ficou-me,
dos tempos de menino
esta alegria ingénua
perante as coisas novas
e esta vontade de brincar.

Vida!,
não me venhas roubar o meu tesoiro:
não te importes que eu ria,
que eu salte como dantes.
E se eu riscar os muros
ou quebrar algum vidro
ralha, ralha comigo, mas de manso...

(Eu tinha um bibe azul...
Tinha berlindes,
tinha bolas, cavalos, papagaios...
A minha Mãe ralhava assim como quem beija...
E quantas vezes eu, só pra ouvi-la
ralhar, parti os vidros da janela
e desenhei bonecos na parede...)

Vida!, ralha também,
ralha, se eu te fizer maldades, mas de manso,
como se fosse ainda a minha Mãe...

Sebastião Artur Cardoso da da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal a 10 de abril de 1924; m. Lisboa, 7 de fevereiro de 1952)

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2016-04-10

Pequeno Poema - Sebastião da Gama


Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

Sebastião da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal a 10 de abril de 1924; m. Lisboa, 7 de fevereiro de 1952)

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2016-02-07

Poesia Depois da Chuva - Sebastião da Gama

A Maria Guiomar


Depois da chuva o Sol - a graça.
Oh! a terra molhada iluminada!
E os regos de água atravessando a praça
- luz a fluir, num fluir imperceptível quase.

Canta, contente, um pássaro qualquer.
Logo a seguir, nos ramos nus, esvoaça.
O fundo é branco - cal fresquinha no casario da praça.

Guizos, rodas rodando, vozes claras no ar.

Tão alegre este Sol! Há Deus. (Tivera-O eu negado
antes do Sol, não duvidava agora.)
Ó Tarde virgem, Senhora Aparecida! Ó Tarde igual
às manhãs do princípio!

E tu passaste, flor dos olhos pretos que eu admiro.
Grácil, tão grácil!... Pura imagem da Tarde...
Flor levada nas águas, mansamente...

(Fluía a luz, num fluir imperceptível quase...)

in 'Pelo Sonho é que Vamos'

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de fevereiro de 1952).

Do mesmo autor ler, neste blog, os belíssimos poemas:
Louvor da Poesia
Crepuscular
Largo do Espírito Santo, 2 - 2º
Nasci Para Ser Ignorante
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal
Poema da Minha Esperança
Anunciação
Crepuscular
Meu País Desgraçado

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2015-04-10

Crepuscular - Sebastião da Gama



imagem daqui

Já não são horas, meu Amor…
A hora
passou
em que era grato a gente amar.
É um querer de Irmão este de agora.
Nem a Tarde
é já o cravo rubro de inda há pouco:
é um murmúrio quase… um lírio inexistente
dulcificando as coisas, perfumando-as
de carinhos…

Não é a hora, Amor.
Agora
deixa sorrir em nós a peregrina
ternura da Paisagem.
Não desprendas as mãos
das minhas…

Abandona-as, mas castas como berços…
E beija-me na testa…
Quando a Noite
mansa vier vindo,
Amor, beija de manso a minha testa…
De manso, meu Amor…
Como se o lírio da Tarde se fechasse…

Extraído de Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade, selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria, Terramar

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952)


Do mesmo autor ler, neste blog:
Louvor da Poesia
Largo do Espírito Santo, 2 - 2º
Nasci Para Ser Ignorante
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal
Poema da Minha Esperança
Anunciação
Meu País Desgraçado

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2014-02-07

Louvor da Poesia - Sebastião da Gama

Copiado daqui

Dá-se aos que têm sede,
não exige pureza.
Ah!, se fôssemos puros,
p’ra melhor merecê-la…

Sabe a terra, a montanhas,
caules tenros, raízes,
e no entanto desce
da floresta dos mitos.

Água tão generosa
como a que a gente bebe,
fuja dela Narciso
e quem não tenha sede.


Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de fevereiro de 1952).

Do mesmo autor ler, neste blog, os belíssimos poemas:
Crepuscular
Largo do Espírito Santo, 2 - 2º
Nasci Para Ser Ignorante
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal
Poema da Minha Esperança
Anunciação
Crepuscular
Meu País Desgraçado

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2013-04-10

Poesia depois da chuva - Sebastião da Gama

imagem daqui


Depois da chuva o Sol - a graça.
Oh! a terra molhada iluminada!
E os regos da água atravessando a praça
- Luz a fluir, num fluir imperceptível quase.

Canta contente um pássaro qualquer.
Logo a seguir nos ramos nus, esvoaça.
O fundo é branco - cal fresquinha no casario da praça.

Guizos, rodas rodando, vozes claras no ar.

Tão alegre este Sol! Há Deus. (Tivera-O eu negado
antes do Sol, mas duvidava agora.)
Ó Tarde virgem, Senhora Aparecida! Ó Tarde igual
às montanhas do princípio!

E tu passaste, flor dos olhos pretos que admiro.
Grácil, tão grácil!... Pura imagem da Tarde...
Flor levada nas águas, mansamente...

(Fluía a luz, num fluir imperceptível quase...)

(Pelo Sonho É Que Vamos, 1953)

in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI
Porto Editora

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952).

Do mesmo autor ler, neste blog, os belíssimos poemas:
Crepuscular
Largo do Espírito Santo, 2 - 2º
Nasci Para Ser Ignorante
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal
Poema da Minha Esperança
Anunciação
Crepuscular
Meu País Desgraçado

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2013-02-07

Poesia Depois Da Chuva - Sebastião da Gama

Depois da chuva o Sol - a graça.
Oh! a terra molhada iluminada!
E os regos da água atravessando a praça
- Luz a fluir, num fluir imperceptível quase.

Canta, contente, um pássaro qualquer.
Logo a seguir, nos ramos nus, esvoaça.
O fundo é branco - cal fresquinha no casario da praça.

Guizos, rodas rodando, vozes claras no ar.

Tão alegre este Sol! Há Deus. (Tivera-O eu negado
antes do Sol, mas duvidava agora.)
Ó Tarde virgem, Senhora Aparecida! Ó Tarde igual
às montanhas do princípio!

E tu passaste, flor dos olhos pretos que admiro.
Grácil, tão grácil!... Pura imagem da Tarde...
Flor levada nas águas, mansamente...

(Fluía a luz, num fluir imperceptível quase...)


(Pelo Sonho é que Vamos, 1953)

in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI
Porto Editora

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952

Do mesmo autor:
Crepuscular
Nasci para ser ignorante
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal
Poema da Minha Esperança
Meu País Desgraçado
Largo do Espírito Santo, 2 - 2º
Anunciação

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2012-04-10

Anunciação - Sebastião da Gama

Quem bateu? Ouviste?
Tão de manso..., tão...
-Meu Amor, é gente?
meu Amor, ou não?

-Se será o Anjo,
para anunciar?...
-Fosse a noite calma,
fosse o vento brando,

viria...viria...
Mas assim, Amor?
Oh! a alma frágil
nesta ventania?

-Meu Amor, vais ver?
-Meu Amor, pois vou...
-Que perfume é este?
Esta luz que entrou,

esta paz que veio
p'lo postigo dentro?
-Meu Amor, não vez?!...
-Meu Amor, não sentes?!...

in 366 Poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal Editores

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952

Do mesmo autor ler neste blog:
Crepuscular
Nasci para ser ignorante
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal
Poema da Minha Esperança
Meu País Desgraçado
Largo do Espírito Santo, 2 - 2º
Poesia Depois da Chuva
Meu País Desgraçado

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2012-02-07

O Sonho - Na passagem do 60º aniversário da morte do poeta setubalense Sebastião da Gama

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952

Do mesmo autor ler os belíssimos poemas:
Crepuscular
Nasci para ser ignorante
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal
Poema da Minha Esperança
Meu País Desgraçado
Largo do Espírito Santo, 2 - 2º
Anunciação
Poesia Depois da Chuva

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2011-04-10

Meu país desgraçado - Sebastião da Gama

Meu país desgraçado!...
E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há céu mais alegre do que o nosso,
Nem pássaros, nem águas…

Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
- busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!

Povo anémico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
- olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!


Extraído de "Cem Poemas Portugueses sobre Portugal e o Mar", selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria; Terramar

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952).

Do mesmo autor ler, neste blog, os belíssimos poemas:
Crepuscular
Largo do Espírito Santo, 2 - 2º
Nasci Para Ser Ignorante
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal
Poema da Minha Esperança
Anunciação
Poesia Depois da Chuva

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2011-02-07

Poesia Depois Da Chuva - Sebastião da Gama

Depois da chuva o Sol - a graça.
Oh! a terra molhada iluminada!
E os regos da água atravessando a praça
- Luz a fluir, num fluir imperceptível quase.

Canta contente um pássaro qualquer.
Logo a seguir nos ramos nus, esvoaça.
O fundo é branco - cal fresquinha no casario da praça.

Guizos, rodas rodando, vozes claras no ar.

Tão alegre este Sol! Há Deus. (Tivera-O eu negado
antes do Sol, mas duvidava agora.)
Ó Tarde virgem, Senhora Aparecida! Ó Tarde igual
às montanhas do princípio!

E tu passaste, flor dos olhos pretos que admiro.
Grácil, tão grácil!... Pura imagem da Tarde...
Flor levada nas águas, mansamente...

(Fluía a luz, num fluir imperceptível quase...)

(Pelo Sonho É Que Vamos, 1953)

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952).

Do mesmo autor ler, neste blog, os belíssimos poemas:
Crepuscular
Largo do Espírito Santo, 2 - 2º
Nasci Para Ser Ignorante
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal
Poema da Minha Esperança
Anunciação

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2010-04-10

Anunciação - Sebastião da Gama

Quem bateu? Ouviste?
Tão de manso..., tão...
-Meu Amor, é gente?
meu Amor, ou não?

-Se será o Anjo,
para anunciar?...
-Fosse a noite calma,
fosse o vento brando,

viria...viria...
Mas assim, Amor?
Oh! a alma frágil
nesta ventania?

-Meu Amor, vais ver?
-Meu Amor, pois vou...
-Que perfume é este?
Esta luz que entrou,

esta paz que veio
p'lo postigo dentro?
-Meu Amor, não vez?!...
-Meu Amor, não sentes?!...


in 366 Poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal Editores

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952).

Do mesmo autor ler, neste blog, os belíssimos poemas:
Crepuscular
Largo do Espírito Santo, 2 - 2º
Nasci Para Ser Ignorante
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal
Poema da Minha Esperança

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2010-02-07

Crepuscular - Sebastião da Gama

imagem daqui

Já não são horas, meu Amor…
A hora
passou
em que era grato a gente amar.
É um querer de Irmão este de agora.
Nem a Tarde
é já o cravo rubro de inda há pouco:
é um murmúrio quase… um lírio inexistente
dulcificando as coisas, perfumando-as
de carinhos…

Não é a hora, Amor.
Agora
deixa sorrir em nós a peregrina
ternura da Paisagem.
Não desprendas as mãos
das minhas…

Abandona-as, mas castas como berços…
E beija-me na testa…
Quando a Noite
mansa vier vindo,
Amor, beija de manso a minha testa…
De manso, meu Amor…
Como se o lírio da Tarde se fechasse…


Extraído de Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade, selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria, Terramar

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952)

Do mesmo autor ler os belíssimos poemas:
Nasci para ser ignorante
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal
Poema da Minha Esperança

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2009-04-10

Largo do Espírito Santo, 2, 2º - Sebastião da Gama (na passagem do 85º aniversário do poeta)

imagem daqui

Nem mais, nem menos: tudo tal e qual
o sonho desmedido que mantinhas.
Só não sonharas estas andorinhas
que temos no beiral.

E moramos num largo... E o nome lindo
que o nosso largo tem!
Com isto não contáramos também.
(Éramos dois sonhando e exigindo).

Da nossa casa o Alentejo é verde.
É atirar os olhos: São searas,
são olivais, são hortas ... E pensaras
que haviam nossos de ter sede!

E o pão da nossa mesa! E o pucarinho
que nos dá de beber!... E os mil desenhos
da nossa loiça: flores, peixes castanhos,
dois pássaros cantando sobre um ninho...

E o nosso quarto? Agora podes dar-me
teu corpo sem receio ou amargura.
Olha como a Senhora da moldura
sorri à nossa alma e à nossa carne.

Em tudo, ó Companheira,
a nossa casa é bem a nossa casa.
Até nas flores. Até no azinho em brasa
que geme na lareira.

Deus quis. E nós ao sonho erguemos muros,
rasguei janelas eu e tu bordaste
as cortinas. Depois, ó flor na haste,
foi colher-te e ficamos ambos puros.

Puros, Amor — e à espera.
E serenos. Também a nossa casa.
(Há de bater-lhe à porta com a asa
um anjo de sangue e carne verdadeiro).

in 366 Poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal Editores

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952).

Do mesmo autor ler os belíssimos poemas:
Nasci Para Ser Ignorante
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal
Poema da Minha Esperança

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2009-02-07

Nasci para ser ignorante... - Sebastião da Gama (na passagem do 57º. aniversário da morte do poeta)

Nasci para ser ignorante
mas os parentes teimaram
(e dali não arrancaram)
em fazer de mim estudante.

Que remédio? Obedeci.
Há já três lustros que estudo.
Aprender, aprendi tudo,
mas tudo desaprendi.

Perdi o nome às Estrelas,
aos nossos rios e aos de fora.
Confundo fauna com flora.
Atrapalham-me as parcelas.

Mas passo dias inteiros
a ver um rio passar.
Com aves e ondas do Mar
tenho amores verdadeiros.

Rebrilha sempre uma Estrela
por sobre o meu parapeito;
pois não sou eu que me deito
sem ter falado com ela.

Conheço mais de mil flores.
Elas conhecem-me a mim.
Só não sei como em latim
as crismaram os doutores.

No entanto sou promovido,
mal haja lugar aberto,
a mestre: julgam-me esperto,
inteligente e sabido.

O pior é se um director
espreita p'la fechadura:
lá se vai licenciatura
se ouve as lições do doutor.

Lá se vai o ordenado
de tuta-e-meia por mês.
Lá fico eu de uma vez
um Poeta desempregado.

Se me não lograr o fado
porém, com tais directores,
e de rios, aves e flores
somente for vigiado,

enquanto as aulas correrem
não sentirei calafrios,
que flores, aves e rios
ignorante é que me querem.

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952)

Do mesmo autor ler os belíssimos poemas:
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal
Poema da Minha Esperança

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2008-04-10

Poema da minha esperança - Sebastião da Gama

Foto by: Everwatchingeye daqui

Que bom ter o relógio adiantado!...
A gente assim, por saber
que tem sempre tempo a mais,
não se rala nem se apressa.

O meu sorriso de troça,
Amigos!,
quando vejo o meu relógio
com três quartos de hora a mais!...

Tic-tac... Tic-tac...
(Lá pensa ele
que é já o fim dos meus dias.)

Tic-tac...
(Como eu rio, cá p'ra dentro,
de esta coisa divertida:
ele a julgar que é já o resto
e eu a saber que tenho sempre mais
três quartos de hora de vida.)

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952)

Do mesmo autor ler os belíssimos poemas:
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal

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2008-02-07

Madrigal - Sebastião da Gama

A minha história é simples.
A tua, meu Amor,
é bem mais simples ainda:

"Era uma vez uma flor.
Nasceu à beira de um Poeta..."

Vês como é simples e linda?

(O resto conto depois;
mas tão a sós, tão de manso
que só escutemos os dois).

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952)

Ler do mesmo autor: Pequeno Poema; O Sonho

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2007-02-07

Pequeno Poema - Sebastião da Gama

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

Sebastião da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeuitão, Setúbal a 19 Abr 1924; m. 7 Fev. 1952)

Ler do mesmo autor: O Sonho

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2005-10-14

O SONHO - Sebastião da Gama

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.


in Pelo sonho é que vamos

Sebastião da Gama (n. 1924 ; m. 1952)

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