Blog Widget by LinkWithin
Mostrar mensagens com a etiqueta Ruy de Noronha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ruy de Noronha. Mostrar todas as mensagens

2015-10-28

Surge et Ambula - Rui de Noronha


Dormes! e o mundo marcha, ó pátria do mistério.
Dormes! e o mundo rola, o mundo vai seguindo...
O progresso caminha ao alro de um hemisfério
E tu dormes no outro sono o sono do teu infindo...

A selva faz de ti sinistro eremitério,
onde sozinha, à noite, a fera anda rugindo...
Lança-te o Tempo ao rosto estranho vitupério
E tu, ao Tempo alheia, ó África, dormindo...

Desperta. Já no alto adejam corvos
Ansiosos de cair e de beber aos sorvos
Teu sangue ainda quente, em carne sonâmbula...

Desperta! O teu dormir já foi mais que terreno...
Ouve a Voz do Progresso, este outro Nazareno
Que a mão te estende e diz: - África, surge et ambula!



António Ruy de Noronha (n. Lourenço Marques, actual Maputo, Moçambique a 28 de outubro de 1909; m. Moçambique em 25 dezembro 1943).

Ler, neste blog, do mesmo autor:
Por Amar-te Tanto
Grito de Alma
Mulher

Read More...

2014-10-28

Grito de Alma - Ruy de Noronha

Vem de séculos, alma, essa orgulhosa casta,
Repudiando a dor, tripudiando a lei.
Num gesto de altivez que em onda leva arrasta
Inteiras gerações de amaldiçoada grei.

Ir procurar, amor, nessa altivez madrasta,
Um gesto de carinho ou de brandura, eu sei?
Ao tigre dos juncais, duma crueza vasta,
Quem há que roube a presa? Aponta-me e eu irei!

Cruel destino o meu, que ao meu caminho trouxe
Na fulgurante luz do teu olhar tão doce
À mágoa minha eterna, a minha eterna dor.

Vai. Segue o teu destino. A onda quere-te e passa.
Vai com ela cantar o orgulho da tua raça
Que eu ficarei cantando o nosso eterno amor...


António Ruy de Noronha (n. Lourenço Marques, actual Maputo, Moçambique a 28 Out 1909; m. Moçambique 25 Dez 1943).

Ler, neste blog, do mesmo autor:
Por Amar-te Tanto
Mulher

Read More...

2010-10-28

Por Amar-te Tanto - Rui de Noronha


Jasmins
jasmins


Que culpa terei eu de amar-te assim?
Que culpa terás tu de o não saberes?
Quem adivinha o que se passa em mim?
Como hei-de adivinhar o que tu queres?

Oh! Corações secretos de mulheres!
Oh! Minhas ilusões, mágoas sem fim!
Porque hei-de eu ter só mágoas, não prazeres,
por tanto te querer, doce jasmim?

Tudo, que sob a luz do sol existe,
alegre é num momento e noutro triste,
só eu herdei apenas dor e pranto...

O mais humilde verme, que rasteja,
um outro tem, que o ama, afaga e beija
- e eu nada tenho por amar-te tanto...


António Ruy de Noronha (n. Lourenço Marques, actual Maputo, Moçambique a 28 Out 1909; m. Moçambique 25 Dez 1943).

in A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa - Edição UNICEPE - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL - 2004

Ler, neste blog, do mesmo autor:
Grito de Alma
Mulher

Read More...

2008-10-28

Mulher - Ruy de Noronha


Chamam-te linda, chamam-te formosa,
Chamam-te bela, chamam-te gentil...
A rosa é linda, é bela, é graciosa,
Porém a tua graça é mais subtil.

A onda que na praia, sinuosa,
A areia enfeita com encantos mil,
Não tem a graça, a curva luminosa
Das linhas do teu corpo, amor e ardil.

Chamam-te linda, encantadora ou bela;
Da tua graça é pálida aguarela
Todo o nome que o mundo à graça der.

Pergunto a Deus o nome que hei-de dar-te,
E Deus responde em mim, por toda parte:
Não chames bela – Chama-lhe Mulher!

António Ruy de Noronha nasceu na Ilha de Moçambique a 28 de Outubro de 1909 e morreu em Lourenço Marques a 25 de Dezembro de 1943. Mestiço, de pai indiano, de origem brâmane, e de mãe negra, foi funcionário público (Serviço de Portos e Caminho de Ferro) e jornalista. Usou, por vezes, o pseudónimo de Carranquinha de Aguilar. Os seus «Sonetos» (ed. póstuma, 1943) revelam influência de Antero, Feijó e Nobre, mas o seu poema mais célebre intitula-se «Quenguêlêquê!...». Os seus contos e críticas literárias não foram até hoje recolhidos em volume. Uma desilusão amorosa, causada pelo preconceito racial, fez, segundo os seus amigos, com que o escritor se deixasse morrer no hospital da capital de Moçambique, com 34 anos.

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor neste blog: Por Amar-te Tanto

Read More...

2005-10-28

Por amar-te tanto - Rui de Noronha


Que culpa terei eu de amar-te assim?
Que culpa terás tu de o não saberes?
Quem adivinha o que se passa em mim?
Como hei-de adivinhar o que tu queres?

Oh! Corações secretos de mulheres!
Oh! Minhas ilusões, mágoas sem fim!
Porque hei-de eu ter só mágoas, não prazeres,
por tanto te querer, doce jasmim?

Tudo, que sob a luz do sol existe,
alegre é num momento e noutro triste,
só eu herdei apenas dor e pranto...

O mais humilde verme, que rasteja,
um outro tem, que o ama, afaga e beija
- e eu nada tenho por amar-te tanto...

António Ruy de Noronha (n. Moçambique 28 Out 1909; m. Moçambique 25 Dez 1943).

in A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa - Edição UNICEPE - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL - 2004

Read More...