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2015-11-06

Os Pássaros - Sophia de Mello Breyner Andresen



Ouve que estranhos pássaros de noite
Tenho defronte da janela:
Pássaros de gritos sobreagudos e selvagens
O peito cor de aurora, o bico roxo,
Falam-se de noite, trazem
Dos abismos da noite lenta e quieta
Palavras estridentes e cruéis.
Cravam no luar as suas garras
E a respiração do terror desce
Das suas asas pesadas.

in Coral (1950)

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto a 6 de novembro de 1919; m. Lisboa, 2 de julho de 2004. Recebeu entre outros o Prémio Camões 1999, o Prémio de Poesia Max Jakob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana 2003.

Ler da mesma autoria, neste blog:
Espero
Tarde
Pátria
Partida
Espera
A Forma Justa
Apolo Musageta
Eis-me
Mar Sonoro
Porque
Promessa
Liberdade
Soneto
Pudesse eu

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2014-11-06

ESPERO - Sophia de Mello Breyner Andresen

Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.


Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto a 6 de novembro de 1919; m. Lisboa, 2 de julho de 2004.

Tarde
Pátria
Partida
Espera
Apolo Musageta
Eis-me
Mar Sonoro
Porque
Promessa
Liberdade
Pudesse eu

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2014-07-02

Fundo do Mar, na evocação dos 10 anos da partida - deixando de ver o mar - de Sophia de Mello Breyner Andresen

Fundo do mar

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.


Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética I
Caminho

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto a 6 de novembro de 1919; m. Lisboa, 2 de julho de 2004.
Ler da mesma autora, neste blog:
Tarde
As Rosas
Ausência
Pátria
Partida
Espera
Soneto
A Forma Justa
Apolo Musageta
Eis-me
Mar Sonoro
Porque
Promessa
Liberdade
Pudesse eu

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2013-11-06

Tarde - Sophia de Mello Breyner Andressen

                                      Gaivotas na Apúlia daqui


O que queria dizer-te nesta tarde
Nada tem de comum com as gaivotas



Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919; m. Lisboa, 2 de Jul 2004.

Ler da mesma autora, neste blog:
Pátria
Partida
Espera
Soneto
A Forma Justa
Apolo Musageta
Eis-me
Mar Sonoro
Porque
Promessa
Liberdade
Pudesse eu

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2013-07-02

As rosas - Sophia de Mello Breyner Andresen

imagem daqui

Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.

in Dia do Mar, 1947

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919; m. Lisboa, 2 de Jul 2004.
Ler da mesma autora, neste blog:
Pátria
Partida
Espera
Soneto
A Forma Justa
Apolo Musageta
Eis-me
Mar Sonoro
Porque
Promessa
Liberdade
Pudesse eu

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2012-11-06

AUSÊNCIA - Sophia de Melo Breyner Andresen

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.


Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919; m. Lisboa, 2 de Jul 2004. Recebeu entre outros o Prémio Camões 1999, o Prémio de Poesia Max Jakob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana 2003.

Ler da mesma autora, neste blog:
Pátria
Partida
Espera
Soneto
A Forma Justa
Apolo Musageta
Eis-me
Mar Sonoro
Porque
Promessa
Liberdade
Pudesse eu

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2012-07-02

Partida - Sophia de Mello Breyner Andresen

I
Como uma flor incerta entre os teus dedos
Há a harmonia dum bailar sem fim,
E tens o silêncio indizível dum jardim
Invadido de luar e de segredos.
II
Nas tuas mãos trazias o meu mundo.
Para mim dos teus gestos escorriam
Estrelas infinitas, mar sem fundo
E nos teus olhos os mitos principiam.

Em ti eu conheci jardins distantes
E disseste-me a vida dos rochedos
E juntos penetrámos nos segredos
Das vozes dos silêncios dos instantes.

III
Os teus olhos são lagos e são fontes,
E em todo o teu ser existe
O sonho grave, nítido e triste
De uma paisagem de pinhais e montes.

Na tua voz as palavras são nocturnas
E todas as coisas graves, grandes, taciturnas
A ti são semelhantes.

in Sophia de Mello Breiner Andresen, Obra Poética, DIA DO MAR, Caminho

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919; m. Lisboa, 2 de Jul 2004. Recebeu entre outros o Prémio Camões 1999, o Prémio de Poesia Max Jakob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana 2003.

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Espera
Apolo Musageta
Eis-me
Mar Sonoro
Porque
Promessa
Liberdade
Soneto
Pudesse eu
A Forma Justa


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2011-11-06

Espera - Sophia de Mello Breyner Andresen

Dei-te a solidão do dia inteiro
Na praia deserta, brincando com a areia.
No silêncio que apenas quebrava a maré cheia
A gritar o seu eterno insulto,
Longamente esperei que o teu vulto
Rompesse o nevoeiro.


(Dia do Mar, 1947)
Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919; m. Lisboa, 2 de Jul 2004. Recebeu entre outros o Prémio Camões 1999, o Prémio de Poesia Max Jakob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana 2003.

Ler da mesma autora, neste blog:
A Forma Justa
Apolo Musageta
Eis-me
Mar Sonoro
Porque
Promessa
Liberdade
Pudesse eu

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2011-07-02

Soneto - Sophia de Mello Breiner Andresen


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Esperança e desespero de alimento
Me servem neste dia em que te espero
E já não sei se quero ou se não quero
Tão longe de razões é meu tormento

Mas como usar amor de entendimento?
Daquilo que te peço desespero
Ainda que mo dês – pois o que eu quero
Ninguém o dá senão por um momento.

Mas como é belo, amor, de não durares,
De ser tão breve e fundo o teu engano,
E de eu te possuir sem tu te dares.

Amor perfeito dado a um ser humano:
Também morre o florir de mil pomares
E se quebram as ondas no oceano.


in Poemas Escolhidos, Círculo de Leitores

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919; m. Lisboa, 2 de Jul 2004. Recebeu entre outros o Prémio Camões 1999, o Prémio de Poesia Max Jakob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana 2003.

Ler da mesma autora, neste blog:
A Forma Justa
Apolo Musageta
Eis-me
Mar Sonoro
Porque
Promessa
Liberdade
Pudesse eu

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2010-11-06

A forma justa - Sophia de Mello Breyner Andresen

Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu, o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos – se ninguém atraiçoasse – proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
- Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo
Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo


in Cem Poemas Portugueses no Feminino, selecção,organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria, Terramar

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919; m. Lisboa, 2 de Jul 2004. Recebeu entre outros o Prémio Camões 1999, o Prémio de Poesia Max Jakob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana 2003.

Ler da mesma autora, neste blog:
Apolo Musageta
Eis-me
Mar Sonoro
Porque
Promessa
Liberdade
Soneto
Pudesse eu

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2010-07-02

Partida - Sophia de Mello Breiner Andresen

I

Como uma flor incerta entre os teus dedos
Há a harmonia dum bailar sem fim,
E tens o silêncio indizível dum jardim
Invadido de luar e de segredos.

II
Nas tuas mãos trazias o meu mundo.
Para mim dos teus gestos escorriam
Estrelas infinitas, mar sem fundo
E nos teus olhos os mitos principiam.

Em ti eu conheci jardins distantes
E disseste-me a vida dos rochedos
E juntos penetrámos nos segredos
Das vozes dos silêncios dos instantes.

III
Os teus olhos são lagos e são fontes,
E em todo o teu ser existe
O sonho grave, nítido e triste
De uma paisagem de pinhais e montes.

Na tua voz as palavras são nocturnas
E todas as coisas graves, grandes, taciturnas
A ti são semelhantes.


in Sophia de Mello Breiner Andresen, Obra Poética, DIA DO MAR, Caminho

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919; m. Lisboa, 2 de Jul 2004. Recebeu entre outros o Prémio Camões 1999, o Prémio de Poesia Max Jakob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana 2003.

Ler da mesma autora, neste blog:
Apolo Musageta
Eis-me
Mar Sonoro
Porque
Promessa
Liberdade
Soneto
Pudesse eu

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2010-06-08

E porque hoje é o Dia dos Oceanos... - Mar Sonoro de Sophia de Mello Breyner Andresen

In Oceanário de Lisboa - foto by Luis F. Semana

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2009-11-06

Apolo Musageta - Sophia de Mello Breyner Andresen, no dia que passa o 90º. aniversário do seu nascimento

Apollo Musagetes

Eras o primeiro dia inteiro e puro
Banhando os horizontes de louvor.

Eras o espírito a falar em cada linha
Eras a madrugada em flor
Entre a brisa marinha.
Eras uma vela bebendo o vento dos espaços
Eras o gesto luminoso de dois braços
Abertos sem limite.
Eras a pureza e a força do mar
Eras o conhecimento pelo amor.

Sonho e presença
de uma vida florindo
Possuída e suspensa.

Eras a medida suprema, o cânon eterno
Erguido puro, perfeito e harmonioso
No coração da vida e para além da vida
No coração dos ritmos secretos.

Sophia de Mello Breyner Andresen (nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919; m. Lisboa, 2 de Julho de 2004)
Outros poemas da mesma autora aqui no blog:
Eis-me
Mar Sonoro
Promessa
Liberdade
Soneto
Pudesse eu
Partida

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2009-07-31

Mar Sonoro - Sophia de Mello Breyner Andresen

In Oceanário de Lisboa - foto by Luis F. Semana

Em jeito de roteiro ( e para memória futura) de uma fugaz passagem por Lisboa ontem em dia de férias, fica, como primeiro quadro, a inseparável do mar poesia de Sophia.

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2009-07-02

Eis-me - Sophia de Mello Breyner Andresen (que desapareceu faz hoje cinco anos)

Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face
Mas tu és de todos o ausente o ausente
Nem o teu ombro me nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo
(em que não moras)
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio

Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente


in Livro Sexto, Obra Poética de Sophia de Mello Breiner Andresen, Editorial Caminho

Sophia de Mello Breyner Andresen (nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919; m. Lisboa, 2 de Jul 2004)

Ler da mesma autora, neste blog:
Porque
Promessa
Liberdade
Soneto
Pudesse eu
Partida

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2008-11-06

Porque - Sophia de Mello Breyner Andresen

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


SOPHIA de Mello Breyner ANDRESEN nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919, de ascendência dinamarquesa. Frequentou Filologia Clássica na Faculdade de Letras de Lisboa, mas não concluiu o curso. Estreou-se nas letras com «Poesia» (1944). Traduziu Dante («Purgatório»), Shakespeare («Hamlet»), Claudel («Anunciação a Maria»), e verteu para francês poemas de Camões, Cesário, Pessoa e Sá-Carneiro («Quatre Poètes Portugais», P.U.F., 1970). Foi influenciada por Hölderlin, Rilke, Pascoaes, Pessoa e Cecília Meireles. A sua poesia é distante e apaixonada, concisa e eloquente, fluente e escultural; em suma, poesia pura, reveladora de uma rara exigência de essencialidade. O seu ideal é de depuração e contenção, despojamento e sobriedade. Poesia órfica, já que o poeta é um medianeiro e o ofício poético uma celebração (magia e exorcismo, paganismo helénico e expressão clássica). Em 1999, foi galardoada com o prémio Camões.

Poema extraído de «Os poemas da minha vida - Diogo Freitas do Amaral, Público». Nota biobibliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Outros poemas da mesma autora aqui no blog:
Promessa
Liberdade
Soneto
Pudesse eu
Partida

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2008-07-02

Sophia de Mello Breyner desapareceu há 4 anos

Jardim à Noite Uploaded on flickr.com by kapa jota

A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.

Sophia de Mello Breyner Andresen (n. Porto, 6 de Nov 1919; m. Lisboa, 2 de Jul 2004)

Outros poemas da mesma autora aqui no blog:
Promessa
Porque

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2007-11-06

Pátria - Sophia de Mello Breiner Andresen

Muro branco Muro branco foto daqui


Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro

Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Do longo relatório irrecusável

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas

- Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro

Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo.


in Os poemas da minha vida - Mário Soares - Público

Sophia de Mello Breyner Andresen (n. Porto, 6 de Nov 1919; m. Lisboa, 2 de Jul 2004)

Outros poemas da mesma autora aqui no blog:
Promessa

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2007-07-02

Promessa - Sophia de Mello Breyner

Primavera, Sandro Boticelli, c. 1482
Tempera on panel 203 × 314 cm
Uffizi, Florence

És tu a Primavera que eu esperava
A vida multiplicada e brilhante,
Em que é pleno e perfeito cada instante

Sophia de Mello Breyner Andresen (n. Porto 6 Nov 1919; m. Lisboa, 2 Jul 2004)

in Dia do Mar, Obra Poética de Sophia de Mello Breiner Andreses, Editorial Caminho

Ler outros poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen aqui

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2006-11-06

Porque - Sophia de Mello Breyner

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen (n. Porto, 6 de Nov 1919; m. Lisboa, 2 de Jul 2004)

Outros poemas da mesma autora aqui no blog:
Liberdade
Soneto
Pudesse eu
Partida

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