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2013-11-20

A maior mágoa - Marta Mesquita da Câmara

Cá dentro da minh'alma de mulher,
Alma feita de sonho e de incerteza,
Sedenta de afeição e de beleza,
Quantas coisas sonhei p'ra te dizer!...

Quantas coisas sonhei p'ra te escrever!...
Jamais mulher alguma, com certeza,
Cantou com tanto amor, tanta tristeza,
O bem que desejou sem nunca o ter!...

Porque a chaga mais viva, que mais dói,
Não é saudade do que a vida foi...
Ninguém nos rouba um doce bem vivido.

A mágoa do que foi é suportável;
É bem mais funda a mágoa irreparável
Daquilo que pudera, enfim ter sido!...


Marta de Mesquita da Câmara nasceu a 24 de Agosto de 1895 no Porto, onde morreu a 20 de Novembro de 1980

Ler também, neste blog, da mesma autora:
Contra senso
General em Miniatura
A Tua Amada


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2011-08-24

Contra senso - Marta de Mesquita da Câmara

Oh! meu amor, escuta, estou aqui,
pois o teu coração bem me conhece,
eu sou aquela voz que, em tanta prece
endoideceu, chorou, gemeu por ti!

Sou eu, sou eu que ainda não morri.
Nem a morte me quer, ao que parece,
e vinha renovar se ainda pudesse
as horas dolorosas que vivi.

Oh! que insensato e louco é quem se ilude!
Quiz fugir, esquecer-te, mas não pude...
Vê lá do que teus olhos são capazes!

Deitando a vista pelo mundo além
desisto de encontrar na vida um bem
que valha o mal que tu me fazes!


Marta de Mesquita da Câmara (n. Porto, 24 de Agosto de 1895 — m. Porto, 20 de Novembro de 1980)

Ler também, neste blog, da mesma autora:
General em Miniatura
A Tua Amada

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2010-11-20

General em miniatura - Marta Mesquita da Câmara (desaparecida há 30 anos)


Soldado de Chumbo

Bebé, nas estratégicas canseiras,
o bibe aos quadradinhos, marcial,
e o capacete feito dum jornal,
comanda um regimento de cadeiras.

Menino! - diz a mãe - não são maneiras!
Mas o petiz, na febre do irreal,
só termina a batalha se, afinal,
vê por terra soldados e trincheiras.

Perante esta batalha sem feridos,
que não fez órfãos, nem deixou vencidos,
queda a gente a cismar, e com razão,

que fora a paz do mundo mais completa
com generais de espada de folheta
montados em corcéis de papelão.


Marta de Mesquita da Câmara (n. Porto, 24 de Agosto de 1895 — m. Porto, 20 de Novembro de 1980)

Ler também, neste blog, da mesma autora: A Tua Amada e Contra Senso

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2009-11-20

Contra Senso - Marta de Mesquita da Câmara

Oh! meu amor,escuta, estou aqui,
pois o teu coração bem me conhece,
eu sou aquela voz que, em tanta prece
endoideceu, chorou, gemeu por ti!

Sou eu, sou eu que ainda não morri.
Nem a morte me quer, ao que parece,
e vinha renovar se ainda pudesse
as horas dolorosas que vivi.

Oh! que insensato e louco é quem se ilude!
Quiz fugir, esquecer-te, mas não pude...
Vê lá do que teus olhos são capazes!

Deitando a vista pelo mundo além
desisto de encontrar na vida um bem
que valha o mal que tu me fazes!


Marta de Mesquita da Câmara (n. Porto, 24 de Agosto de 1895 — m. Porto, 20 de Novembro de 1980)

Ler também neste blog da mesma autora: A Tua Amada

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2008-11-20

A Tua Amada - Marta Mesquita da Câmara (que desapareceu faz hoje 28 anos)

Ninguém ma descreveu, mas era ela…
Passou por mim, airosa como a flor;
beleza que valesse o teu amor,
devia ser precisamente aquela…

E segredou-me a voz interior:
«Repara atentamente como é bela!
Não te parece a graça duma estrela,
tomando movimento, forma e cor?»

− Que julgas se passou na minha ideia?
Desgosto enorme de sentir-me feia
ou mágoa de a não ver feia também?

Se a inveja é predicado de mulher,
naquela ocasião deixei de o ser
e, só por teu amor, eu quis-lhe bem!…

MARTA MESQUITA DA CÂMARA nasceu a 24 de Agosto de 1895 no Porto, onde morreu a 20 de Novembro de 1980. De ascendência açoriana, a sua mãe era tia do poeta Roberto de Mesquita. Poetisa e jornalista, dedicou-se também à literatura infantil com o pseudónimo de Tia Madalena. Estreou-se em 1923 com «Triste», a que se seguiram «Arco Íris» (1925) e «Pó do Teu Caminho» (1928). A sua poesia vai do sentimentalismo contido a um erotismo velado. Publicou as suas «Poesias Completas» em 1962.

Soneto e nota biobibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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2008-08-24

A Tua Amada - Marta de Mesquita da Câmara

foto daqui

Ninguém ma descreveu, mas era ela…
Passou por mim, airosa como a flor;
beleza que valesse o teu amor,
devia ser precisamente aquela…

E segredou-me a voz interior:
«Repara atentamente como é bela!
Não te parece a graça duma estrela,
tomando movimento, forma e cor?»

− Que julgas se passou na minha ideia?
Desgosto enorme de sentir-me feia
ou mágoa de a não ver feia também?

Se a inveja é predicado de mulher,
naquela ocasião deixei de o ser
e, só por teu amor, eu quis-lhe bem!…

MARTA MESQUITA DA CÂMARA nasceu a 24 de Agosto de 1895 no Porto, onde morreu a 20 de Novembro de 1980. De ascendência açoriana, a sua mãe era tia do poeta Roberto de Mesquita. Poetisa e jornalista, dedicou-se também à literatura infantil com o pseudónimo de Tia Madalena. Estreou-se em 1923 com «Triste», a que se seguiram «Arco Íris» (1925) e «Pó do Teu Caminho» (1928). A sua poesia vai do sentimentalismo contido a um erotismo velado. Publicou as suas «Poesias Completas» em 1962.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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