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2015-08-31

Ah, venturosos e venturosas - Marina Tsvetáieva

Ah, venturosos e venturosas
que não sabem cantar. Para eles -
o derramar de lágrimas! Delícia -
derrama-se a dor como aguaceiro!

Para que trema algo sob a pedra.
Para mim - vocação a chicote -
no meio dos cantos fúnebres
manda o dever - cantar.

Porque David cantou reclinado
sobre o amigo que cortaram ao meio!
Se Orfeu não descesse ao Hades
mas mandasse lá a voz,

se apenas mandasse a voz às trevas
e se quedasse inútil à entrada,
Eurídice sairia pela voz
como por uma corda...

Por uma corda e para a luz,
sem regresso e às cegas
porque, se foi dada a voz,
poeta, foi-te tirado o resto.

Trad. Nuno Guerra e Filipe Guerra
in Rosa do Mundo, 2001 Poemas Para o Futuro, Assírio & Alvim, 2001

Marina Ivanovna Tsvetaïeva Марина Ивановна Цветаева (n. Moscovo 8 de outubro de 1892; Ielabuga, 31 de agosto de 1941)

Da mesma autoria: Ainda Ontem...

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2013-08-31

Ah, venturosos e venturosas - Marina Tsvetáieva

Ah, venturosos e venturosas
que não sabem cantar. Para eles -
o derramar de lágrimas! Delícia -
derrama-se a dor como aguaceiro!

Para que trema algo sob a pedra.
Para mim - vocação a chicote -
no meio dos cantos fúnebres
manda o dever - cantar.

Porque David cantou reclinado
sobre o amigo que cortaram ao meio!
Se Orfeu não descesse ao Hades
mas mandasse lá a voz,

se apenas mandasse a voz às trevas
e se quedasse inútil à entrada,
Eurídice sairia pela voz
como por uma corda...

Por uma corda e para a luz,
sem regresso e às cegas
porque, se foi dada a voz,
poeta, foi-te tirado o resto.

Trad. Nuno Guerra e Filipe Guerra
in Rosa do Mundo, 2001 Poemas Para o Futuro, Assírio & Alvim, 2001

Marina Ivanovna Tsvetaïeva Марина Ивановна Цветаева (n. 8 Out 1892; m. 31 Ago 1941)

Da mesma autoria: Ainda Ontem...

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2011-08-31

Ainda Ontem... - Marina Tsvetaïeva

Ainda ontem não despregavas os olhos dos meus
E hoje fizeste de conta que não me vias
Ainda ontem ficavas comigo até ao acordar dos pássaros
Hoje todos os corvos são cotovias

Como sou tola e tu inteligente
Tu estás vivo e eu petrificada
Oh brado das mulheres de todos os tempos
«Meu amor de que é que sou culpada?»

Para ele lágrimas são água e sangue é água
Lavou-se em sangue e lágrimas de verdade
O Amor não é mãe mas madrasta
Não espere no julgamento piedade

Barcos levam os nossos amantes
Leva-os a branca estrada
Um gemido grassa por toda a terra
«Meu amor de que é que sou culpada?»

Ainda ontem deitado a meus pés
Ao Império da China era igualada
Largou-me as mãos de uma só vez
A vida escapou-me como uma moeda enferrujada

De pé no tribunal como uma infanticida
Aqui estou sem coragem abandonada
Mesmo no inferno dir-te-ei
«Meu amor de que é sou culpada?»

Pergunto à cadeira pergunto à cama
«Porque sou tão desgraçada?»
Já não me beija mais e como se não bastasse
Agora é outra mulher que é beijada

Depois de me habituares a viver no fogo
Tu mesmo me atiraste para a estepe gelada
Eis aquilo que me fizeste
«Meu amor de que é que sou culpada?»

Sei tudo – não me contradigas
Capaz de ver de novo – já não sou a tua amada
Onde o Amor se apaga
De lá se aproxima a Morte com uma enxada

Para quê abanar a árvore – para nada
Na altura certa cai a maçã no chão
- Por tudo, por tudo peço perdão
«Meu amor de que é que sou culpada?»


Marina Ivanovna Tsvetaïeva Марина Ивановна Цветаева (n. 8 Out 1892; m. 31 Ago 1941)

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