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2012-09-05

Quero-te - António Pires Vicente

Quero-te num lugar onde
te confundas com a claridade
pois é dessa luz que eu preciso
para iluminar meus olhos
cansados de escuridão.

Quero-te num lugar onde
te possa beijar num sufoco
como se os meus lábios quisessem
falar-te de uma só vez
toda a verdade e essa verdade
não fosse mais que um grande amor.

Quero-te num lugar onde
os nossos corações possam habitar
sem qualquer constrangimento
as veredas de um destino traçado
com a força do nosso querer comum.

Quero-te num lugar onde
seja fácil estar ao pé de ti:
precisar um afago e ter as tuas mãos
necessitar calor e ter o teu corpo
ansiar um beijo e ter a tua boca.

Extraído do blog do autor daqui

António Pires Vicente nasceu em Bragança a 5 de Setembro de 1963

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2009-09-05

Momento magnífico - António Pires Vicente

Pôr do Solimagem daqui

o sol mortiço perde-se
no horizonte

estranha é a luz
rubra e incandescente
que emana dos confins do céu

e de repente
o tempo pára
numa simbiose quase perfeita
e há um grito íntimo
que se liberta
em mim:

um pássaro impossível enceta
então
seu voo mágico
incontornável
e quase estonteante
que num amanhecer de poesia
me desperta para os limites
de um momento único
revelador
magnífico
e decisivo

em que bem vejo
como pairas
como sempre pairaste
indelével
sobre minha vida.

António Pires Vicente (n. em Bragança em 5 Set. 1963)

Ler do mesmo poeta, neste blog: Na Maré dos Teus Olhos

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2008-09-05

Na maré dos teus olhos - António Pires Vicente (na passagem do 45º aniversário do poeta)

O Olhar imagem daqui


É na maré dos teus olhos,
Que eu invento naufrágios de ternura.

É na maré dos teus olhos,
Que eu descubro a cor insensata das manhãs.

É na maré dos teus olhos,
Que eu assisto ao pôr-do-sol do meu desespero.

É na maré dos teus olhos,
Que eu navego em barcos feitos de espuma.

António Pires Vicente (n. em Bragança em 5 Set. 1963)

Este poema trouxe-me à lembrança o «Sei de um Rio» (embora neste seja a boca, não o olhar, que me põe a navegar... ai ai!) e que deixo aqui para ouvir uma vez mais, na voz de Camané.

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