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2012-04-30

BEDUÍNO - Moacyr de Almeida




Olha o imenso deserto em que vivo chorando...
Nunca a sombra do amor desceu sobre os meus dias!
Dorme o meu coração, cheio de um tédio infando
num túmulo de fogo e de areias bravias...

Tu, que eu amo, jamais com teu olhar tão brando
tornarás num vergel este areal de agonias,
com teus beijos florindo o áspero chão nefando,
com teus risos enchendo o espaço de harmonias!

Sofro em tédios de brasa e clarões de martírios...
Ah! Mas tu que és irmã das fontes e dos lírios
e que espero ajoelhado e de braços abertos,

não virás a este amor de beduíno e maldito,
em cuja fronte pesa a aflição do infinito,
em cujo beijo amarga a areia dos desertos...

Moacyr Gomes de Almeida nasceu a 22 de abril de 1902, Rio de Janeiro, RJ e faleceu a 30 de abril de 1925, Rio de Janeiro.

Ler do mesmo autor, neste blog: Amargura

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2009-04-30

Amargura - Moacyr de Almeida

Ah! não ser compreendido é a tortura do Artista!
Ofegante, rompendo os joelhos pelas fragas,
Vê, debalde, fulgir, nas nuvens de ametista,
A miragem do ideal, entre as estrelas magas...

Arqueja; o vendaval de angústias que o contrista
Vem-lhe aos olhos sangrar em tristezas pressagas...
Alça a vista: arde o céu tão longe! Baixa a vista:
Tão longe os corações a rolar como as vagas!

E ele, que tem o azul preso no crânio aflito,
Abre em astros de sangue a noite dos abrolhos,
Ergue constelações de rimas no infinito...

Soluça de aflição no deserto profundo,
Tendo os astros no olhar e a noite sobre os olhos,
Tendo os mundos nas mãos sem nada ter no Mundo!...

Moacyr Gomes de Almeida (nasceu a 22 de abril de 1902, Rio de Janeiro, RJ e faleceu a 30 de abril de 1925, Rio de Janeiro)

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