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2011-11-10

O louro chá no bule fumegando - Correia Garção



O louro chá no bule fumegando
De Mandarins e Brâmanes cercado;
Brilhante açúcar em torrões cortado;
O leite na caneca branquejando;

Vermelhas brasas alvo pão tostando;
Ruiva manteiga em prato mui lavado;
O gado feminino rebanhado,
E o pisco Ganimedes apalpando:

A ponto a mesa está de enxaropar-nos.
Só falta que tu queiras, meu Sarmento,
Com teus discretos ditos alegrar-nos.

Se vens, ou caia chuva, ou brame o vento,
Não pode a longa noite enfastiar-nos,
Antes tudo será contentamento.


in Poemas Portugueses, Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, selecção, organização, introdução e notas de Jorge Reis-Sá e Rui Lage, Prefácio de Vasco da Graça Moura, Porto Editora

Pedro António Correia Garção (Lisboa, 13 de junho 1724 — Lisboa, 10 de novembro 1772
Ler do mesmo autor: Soneto: Comigo minha Mãe brincando um dia

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2006-11-10

Soneto - Correia Garção

A uma senhora a quem o autor chamava Mãe


Comigo minha Mãe brincando um dia
a namorar c'os olhos me ensinava,
mas Amor que em seus olhos me esperava
com mil brilhantes farpas me feria.

De quando em quando mais formosa ria
porque incapaz do ensino me julgava.
Porém tanto a lição me aproveitava
que suspirar por ela já sabia.

Em poucas horas aprendi a amá-la.
Ditoso se tal arte não soubera
Não me custara a vida não lográ-la.

Certo que aprender menos melhor era
pois não soubera agora desejá-la
nem de tão louco amor enlouquecera.

Pedro Antonio Joaquim Correia da Serra Garção (n. Lisboa, a 20 Abr 1724; m. Lisboa a 10 Nov 1772).

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