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2014-08-02

Ofício - Nauro Machado

Ocupo o espaço que não é meu, mas do universo.
Espaço do tamanho do meu corpo aqui,
enchendo inúteis quilos de um metro e setenta
e dois centímetros, o humano de quebra.
Vozes me dizem: eh, tu aí! E me mandam bater
serviços de excrementos em papéis caídos
numa máquina Remington, ou outra qualquer.
E me mandam pro inferno, se inferno houvesse
pior que este inumano existir burocrático.
E depois há o escárnio da minha província.
E a minha vida para cima e para baixo,
para baixo sem cima, ponte umbilical
partida, raiz viva de morta inocência.
Estranhos uns aos outros, que faço eu aqui?
E depois ninguém sabe mesmo do espaço
que ocupo, desnecessário espaço de pernas
e de braços preenchendo o vazio que eu sou.
E o mundo, triste bronze de um sino rachado,
o mundo restará o mesmo sem minha quota
de angústia e sem minha parcela de nada.


Nauro Diniz Machado (nasceu em São Luís, Maranhão, a 2 de agosto de 1935)

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2011-08-02

Soneto 92 - Nauro Machado

Meu aniversário!: dá-me, Goethe, o fogo
que vi queimando nos lábios do teu ontem,
pura energia, livrando-me do logro
de existir para onde os deuses apontem.
Sarça ardente, crepúsculo que rogo,
regresse eu à terra, e que as trevas me montem
no tempo morto de um eterno logo,
eterno aberto ao pronto desmonte em
matéria e ruga, de olhar no meu rosto.
e ao achar-me inteiro – e à Tua partilha exposto,
elucida-me, Goethe, o em mim por quê:
se não sei o vento, verbo do arvoredo,
balbucio o tempo e nele retrocedo
ao não ser próximo do estar no Ser.


Nauro (Diniz) Machado nasceu em São Luís do Maranhão, no dia 2 de agosto de 1935

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