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2016-04-12

Se amar é procurar a cousa amada - José Albano


Se amar é procurar a cousa amada
e unir duas vontades num desejo,
se é ressentir um mal tão benfazejo
que quanto mais tortura, mais agrada;

se amar é sofrer tudo por um nada
e a um tempo achar que e pouco o que é sobejo,
já claramente agora entendo e vejo
que não há quem de amor me dissuada.

Ó doce inquietação e doce engano,
doce padecimento e desatino
de que não me envergonho, antes me ufano!

Comigo quantas vezes imagino:
se é tão doce na terra o amor humano,
que não será no Céu o amor divino?!

José de Abreu Albano (n. em Fortaleza, Ceará, Brasil a 12 de abril de 1882, m. em Montauban, França a 11 de julho de 1923)

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2011-04-12

ESPARSA - José Albano

Há no meu peito uma porta
a bater continuamente;
dentro a esperança jaz morta
e o coração jaz doente.
Em toda parte onde eu ando,
ouço este ruído infindo:
são as tristezas entrando
e as alegrias saindo.


poema extraído daqui

José Albano (n. em Fortaleza, Ceará, Brasil a 12 Abr 1882, m. em Montauban, França a 11 Jul 1923)

Ler do mesmo poeta:
Soneto;
Ode À Lingua Portuguesa;
Prece

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2010-04-12

Se amar é procurar a cousa amada - José Albano

Se amar é procurar a cousa amada
e unir duas vontades num desejo,
se é ressentir um mal tão benfazejo
que quanto mais tortura, mais agrada;

se amar é sofrer tudo por um nada
e a um tempo achar que e pouco o que é sobejo,
já claramente agora entendo e vejo
que não há quem de amor me dissuada.

Ó doce inquietação e doce engano,
doce padecimento e desatino
de que não me envergonho, antes me ufano!

Comigo quantas vezes imagino:
se é tão doce na terra o amor humano,
que não será no Céu o amor divino?!


José de Abreu Albano (n. em Fortaleza, Ceará, Brasil a 12 Abr 1882, m. em Montauban, França a 11 Jul 1923)

Ler do mesmo poeta Soneto; Ode À Lingua Portuguesa; Prece

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2009-04-12

Prece - José Albano

imagem daqui

Bom Jesus, amador das almas puras
Bom Jesus, amador das almas mansas,
De ti vêm as serenas esperanças,
De ti vêm as angélicas doçuras.

Em toda parte vejo que procuras
O pecador ingrato e não descansas,
Para lhe dar as bem-aventuranças
Que os espíritos gozam nas alturas.

A mim, pois, que de mágoa desatino
E, noite e dia, em lágrimas me banho,
Vem abrandar o meu cruel destino,

E terminado este degredo estranho,
Tem compaixão de mim, pastor divino,
Que não falte uma ovelha ao teu rebanho!

Poema extraído daqui

José de Abreu Albano (n. em Fortaleza, Ceará, Brasil a 12 Abr 1882, m. em Montauban, França a 11 Jul 1923)

Ler do mesmo poeta Soneto e Ode À Lingua Portuguesa

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2008-07-11

Ode à Língua Portuguesa - José Albano

Língua minha, se agora a minha voz levanto
Pedindo à Musa que me inspire e ajude
Somente soe em teu louvor o canto,
Inda que a lira seja fraca e rude:
E tudo quanto sinto na alma, e digo,
Já que na alma não cabe,
Contigo viva e acabe - só contigo.

Língua minha dulcissona e canora,
Em que mel com aroma se mistura,
Agora leda, lastimosa agora,
Mas não isenta nunca de brandura;
Língua do gram Camões, a que ele ensina
A sinfonia rara,
Que em tudo se compara — co´a latina.

Língua, na qual eu suspirei primeiro,
Confessando que amava, às auras mansas
E agora choro, à sombra do salgueiro,
Os meus passados sonhos e esperanças;
Na qual me fez outrora venturoso
Aquela doce fala,
Que somente escutá-la — me era um gozo.

Língua em que o meu Amor falou de Amores
Em que d'Amores sempre andei cantando,
Em que modulo os mais encantadores
E deleitosos sons de quando em quando,
E espalho acentos inda nunca ouvidos,
De mágoas e de gozos,
Murmúrios amorosos — e gemidos.

Sempre e sempre te eu veja meiga e pura,
Naquela singeleza primitiva,
Naquela verdadeira formosura,
Que farei que no verso meu reviva;
E se apenas ao mundo se revela
Um pouco desse encanto,
Há-de mostrar-lhe quanto — és rica e bela.

Outros andam o teu sublime aspeito
De ornamentos estranhos encobrindo,
Ocultando o que tens de mais perfeito
E de mais precioso e de mais lindo:
Como direi que és tu? Triste, o duvido,
E não te reconheço,
Se o teu valor e preço — jaz perdido.

Quanta e quamanha dor me surge e nasce
De nunca ouvir aquele antigo estilo;
Mas eu fiz que ele aqui se renovasse
Para que o mundo agora possa ouvi-lo.
E com todo o poder de engenho e arte
Foi sempre o meu desejo
Ver-te qual te ora vejo — e celebrar-te.

Ah! como assim me agradas e me encantas,
Suavissimamente assim gemendo;
E se te outros ofendem vezes tantas,
Embora solitário, eu te defendo:
Eu te defenderei sem ter descanso
E em luta não inglória,
Tu verás que a vitória — e a palma alcanço.

E em paga disto, peço-te que exprimas
Quanto neste meu peito vive e mora:
Dá-me versos dulcíssimos e rimas
Cheias de branda música sonora,
Dá-me uma voz melodiosa e amena,
Para que eu noute e dia
Cante minha alegria — ou minha pena.

E não quero um som alto e retumbante
Para cantar de Amor ao mundo atento,
Pois não há língua que de Amor não cante,
Mas nenhuma traduz o meu tormento;
Nenhuma se conhece em que traslade,
Senão em ti somente,
Do coração doente — a Saudade.

José de Abreu Albano (n. em Fortaleza a 12 de abril de 1882; m. em Montauban, França a 11 de Julho de 1923)

Ler do mesmo autor Soneto

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2006-04-12

Soneto - José Albano

Poeta fui e do áspero destino
Senti bem cedo a mão pesada e dura.
Conheci mais tristeza que ventura
E sempre andei errante e peregrino.

Vivi sujeito ao doce desatino
Que tanto engana, mas. tão pouco dura;
E ainda choro o rigor da sorte escura,
Se nas dores passadas imagino.

Porém, como me agora vejo isento
Dos sonhos que sonhava noite e dia,
E só com saudades me atormento;

Entendo que não tive outra alegria
Nem nunca outro qualquer contentamento
Senão de ter cantado o que sofria.

in A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Edições Unicepe - Cooperativa Liovreira de Estudantes do Porto, CRL - 2004.

José de Abreu Albano (n. em Fortaleza, Ceará, Brasil a 12 Abr 1882, m. em Montauban, França a 11 Jul 1923)

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