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2013-09-08

Soneto XXXIV - Natividade Saldanha

Saudosos bosque, rústica espessura,
Que ouvis os meus lamentos dolorosos
Negros ciprestes, montes escabrosos
Não me negueis amiga sepultura.

Em feia cova, habitação escura,
Onde encontram prazer os desditosos,
Meus dias findarão,  dias penosos,
Bafejados da baça desventura.

Neste medonho abrigo sepultado,
Tendo por sócios mochos conspiradores,
Serei com minha morte afortunado.

Sobre a campa se leia: "Aqui pastores,
Josino está, pastor desventurado,
Morreu de ingratidão, morreu de amores".

 
José da NATIVIDADE SALDANHA nasceu em Santo Amaro do Jaboatão (PE) a 8 de Setembro de 1795 e morreu exilado em Bogotá, capital da Colômbia, em 30 de Março de 1830.

Ler do mesmo autor:
Soneto: Se no seio da pátria carinhosa
Nárcia! Márcia! ai de mim!
À Sombra Deste Cedro Venerando;
Os teus olhos gentis encantadores...

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2012-03-30

Soneto - Natividade Saldanha

Se no seio da pátria carinhosa,
Onde sempre é fagueira a sorte dura,
Inda lembras, e lembras com ternura,
Os meigos dias da união ditosa ;

Se entre os doces encantos de que goza
Teu peito divinal, tua alma pura
Suspiras por um triste e sem ventura,
Que vive em solidão cruel, penosa;

Se lamentas com mágoa a minha sorte,
Recebe estes meus ais, oh minha amante,
Talvez núncios fiéis da minha morte.

E se mais nós não virmos, e eu distante
Sofrer da parca dura o férreo corte:
Amou-me, dize então, morreu constante.

José da NATIVIDADE SALDANHA nasceu em Santo Amaro do Jaboatão (PE) a 8 de Setembro de 1795 e morreu exilado em Bogotá, capital da Colômbia, em 30 de Março de 1830.

Ler do mesmo autor:
Nárcia! Márcia! ai de mim!
À Sombra Deste Cedro Venerando;
Os teus olhos gentis encantadores...

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2011-09-08

Márcia! Márcia! ai de mim! ... - Natividade Saldanha

Márcia! Márcia! ai de mim! está chegado
O momento cruel, que eu mais temia;
Sinistro mocho, que a meu lado pia,
Há longo tempo o tinha anunciado!

Já deixei o surrão, e o meu cajado
Quebrei a doce flauta, em que tangia,
E o rafeiro fiel, que me seguia,
Definhou; definhou também meu gado.

Tudo acabou; e a negra desventura
Quer que os laços de amor a ausência corte;
Que eu deixe, ó Márcia, a tua formosura.

Céus! que Fado cruel! que imiga sorte
Eu desespero, eu morro ... Ó Parca dura,
Já que Márcia perdi, vem dar-me a morte.

José da NATIVIDADE SALDANHA nasceu em Santo Amaro do Jaboatão (PE) a 8 de Setembro de 1795 e morreu exilado em Bogotá, capital da Colômbia, em 30 de Março de 1830.

Ler do mesmo autor:
À Sombra Deste Cedro Venerando;
Os teus olhos gentis encantadores...

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2011-03-30

Márcia! Márcia! ai de mim! ...- Natividade Saldanha

Márcia! Márcia! ai de mim! está chegado
O momento cruel, que eu mais temia;
Sinistro mocho, que a meu lado pia,
Há longo tempo o tinha anunciado!

Já deixei o surrão, e o meu cajado
Quebrei a doce flauta, em que tangia,
E o rafeiro fiel, que me seguia,
Definhou; definhou também meu gado.

Tudo acabou; e a negra desventura
Quer que os laços de amor a ausência corte;
Que eu deixe, ó Márcia, a tua formosura.

Céus! que Fado cruel! que imiga sorte
Eu desespero, eu morro ... Ó Parca dura,
Já que Márcia perdi, vem dar-me a morte.


José da NATIVIDADE SALDANHA nasceu em Santo Amaro do Jaboatão (PE) a 8 de Setembro de 1795 e morreu exilado em Bogotá, capital da Colômbia, em 30 de Março de 1830.

Ler do mesmo autor:
À Sombra Deste Cedro Venerando;
Os teus olhos gentis encantadores...

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2009-09-08

Márcia! Márcia! ai de mim!... Natividade Saldanha

Márcia! Márcia! ai de mim! está chegado
O momento cruel, que eu mais temia;
Sinistro mocho, que a meu lado pia,
Há longo tempo o tinha anunciado!

Já deixei o surrão, e o meu cajado
Quebrei a doce flauta, em que tangia,
E o rafeiro fiel, que me seguia,
Definhou; definhou tambem meu gado.

Tudo acabou; e a negra desventura
Quer que os laços de amor a ausencia corte;
Que eu deixe, ó Márcia, a tua formosura.

Céus! que Fado cruel! que imiga sorte
Eu desespero, eu morro ... Ó Parca dura,
Já que Márcia perdi, vem dar-me a morte.

José da NATIVIDADE SALDANHA nasceu em Santo Amaro do Jaboatão (PE) a 8 de Setembro de 1795 e morreu exilado em Bogotá, capital da Colômbia, em 30 de Março de 1830.

Ler do mesmo autor:
À Sombra Deste Cedro Venerando;
Os teus olhos gentis encantadores...

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2008-09-08

À sombra deste cedro venerando... - Natividade Saldanha

Cedro-do-mato - Juniperus brevifolia imagem daqui

À sombra deste cedro venerando,
momentos mil gozaste encantadores…
Aqui mesmo, sentado entre os verdores,
te achou mil vezes Pedro suspirando…

Parece-me que estou ‘inda escutando
teus suspiros, teus ais e teus clamores…
Parece-me que a Fonte dos Amores
‘inda está de queixosa murmurando!...

Aqui viveu Inês!...E, reclinada
à borda desta fonte clara e pura,
foi – que horrível memória! – traspassada!

Mortais, gemei de mágoa e de ternura;
nesta rara beleza, não manchada,
foi culpa amor, foi crime a formosura…

José da NATIVIDADE SALDANHA nasceu em Santo Amaro do Jaboatão (PE) a 8 de Setembro de 1795 e morreu exilado em Bogotá, capital da Colômbia, em 30 de Março de 1830. Mestiço, era filho de padre e de mãe mulata. Formado em Direito (1823) pela universidade de Coimbra. Ainda estudante, publicou «Poesias dedicadas aos amigos e amantes do Brasil» (1822). Em 1824, condenado à morte por envolvimento na revolução pernambucana da Confederação do Equador, fugiu para os Estados Unidos da América do Norte e daí para França, Inglaterra, Venezuela e Colômbia, onde viveu precariamente de aulas particulares até se afogar numa vala, num dia de tempestade. Entretanto, publicara um «Discurso sobre a Tolerância» (Caracas, 1826). Mais do que um pre-romântico, foi um epígono retardatário do Arcadismo.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor:
Soneto: Os teus olhos gentis encantadores...

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2005-09-08

Soneto - Natividade Saldanha

Os teus olhos gentis, encantadores,
Tua loira madeixa delicada,
Tua boca por Vênus invejada,
Onde habitam mil cândidos amores:

Os teus braços, prisões dos amadores,
Os teus globos de neve congelada,
Serão tornados breve a cinza!... a nada!...
Aos teus amantes causarão horrores!...

Céus! e hei-de eu amar uma beleza,
Que à cinza reduzida brevemente
Há-de servir de horror à Natureza!...

Ah! Mandai-me uma luz resplandecente,
Que minha alma ilumine, e com pureza
Só ame um Deus, que vive eternamente.

José da Natividade Saldanha (n. em Santo Amaro de Jaboatão, (PE), Brasil 8 Set 1795; m. em Bogotá (Colombia) 30 Mar 1830)

in Poemas oferecidos aos amantes do Brasil 1922

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