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2016-03-24

O Conselho das Árvores - Olegário Mariano

Sofro, luz dos meus olhos, quando dizes
Que a vida não te alenta nem conforta.
Olha o exemplo das árvores felizes
Dentro da solidão da noite morta.

Que lhes importa a dor, que lhes importa
O drama que há no fundo das raízes?
Não sentem quando o vento os ramos corta
E as folhas leva em várias diretrizes?

Que lhes importa a maldição do outono
E os dedos envolventes da garoa,
Se dão sombra às taperas no abandono?!...

Levanta os braços para o firmamento
E canta a vida porque a vida é boa
Mesmo esmagada pelo sofrimento.


Olegário Mariano Carneiro da Cunha (nasceu no Recife, Pernambuco a 24 de Março de 1889; morreu no Rio de Janeiro a 28 de Novembro de 1958).

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2015-03-24

DO MEU TEMPO... - Olegário Mariano

Quando eu era menino e tinha cheia
A alma de sonhos bons e, fugidio,
Como a abelha que voa da colmeia,
Andava a errar no canavial bravio;

Quando em noites de junho o luar macio
Punha um lençol de rendas sobre a areia,
Tiritava de medo ouvindo o pio
Da coruja mais lúgubre da aldeia.

Feliz! Bendita essa primeira idade!
Andava como quem anda sonhando
De olhos abertos, com a felicidade.

Dormia tarde e enquanto dormia,
Mamãe rezava o padre-nosso e quando
Me mandava rezar eu não sabia.


(in Sonetos, 1912)

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (nasceu na cidade de Recife, Pernambuco, a 24 de março de 1889. Faleceu no Rio de Janeiro a 28 de novembro de 1958).

Ler do mesmo autor:
Teia de Aranha
Arco-íris
O Meu Retrato
A Canção da Saudade
O Enamorado das Rosas
Almas Irmãs
O Conselho das Árvores
O Enterro da Cigarra

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2014-03-24

Teia de Aranha - Olegário Mariano

imagem daqui

Dizem que traz felicidade a teia
De aranha. Surge um dia, malha a malha,
E a aranha infatigável que trabalha
Mata os insectos quanto mais se alteia.

Sobe ao beiral. É um berço e balanceia
Ao vento que os filetes de ouro espalha...
E, ao sol iluminado que a amortalha,
A trama iluminada se incendeia.

Surge a primeira borboleta ebriada...
Vem louca, primavera de ansiedade...
Mas de repente, a asa despedaçada

Rola... É o fim... a tortura da grilheta...
Não quero nunca essa felicidade
Que vem da morte de uma borboleta.


in Antologia Portuguesa e Brasileira, Evaristo Pontes dos Santos, Porto 1974

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (nasceu na cidade de Recife, Pernambuco, a 24 de março de 1889. Faleceu no Rio de Janeiro a 28 de novembro de 1958).

Ler do mesmo autor:
Arco-íris
O Meu Retrato
A Canção da Saudade
O Enamorado das Rosas
Almas Irmãs
O Conselho das Árvores
O Enterro da Cigarra

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2013-03-24

O Meu Retrato - Olegário Mariano

Image Hosted by ImageShack.us
Busto de Olegário Mariano em bronze sobre pedestal em granito, na cidade do Rio de Janeiro e que terá sido furtado em 2001. Extraída de www.rio.rj.gov.br


Sou magro, sou comprido, sou bizarro,
Tendo muito de orgulho e de altivez.
Trago a pender dos lábios um cigarro,
Misto de fumo turco e fumo inglês.

Tenho a cara raspada e cor de barro.
Sou talvez meio excêntrico, talvez.
De quando em quando da memória varro
A saudade de alguém que assim me fez.

Amo os cães, amo os pássaros e as flores.
Cultivo a tradição da minha raça
Golpeada de aventuras e de amores.

E assim vivo, desatinado e a esmo.
As poucas sensações da vida escassa
São sensações que nascem de mim mesmo.

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (n. no Recife em 24 Mar 1889, m. no Rio de Janeiro, em 28 Nov. 1958)

Ler do mesmo autor:
A Canção da Saudade
Almas Irmãs
Arco-Íris
Teia de Aranha
O Enamorado das Rosas
O Conselho das Árvores
O Enterro da Cigarra

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2011-11-28

A Canção da Saudade - Olegário Mariano

Que tarde imensa e fria!
Lá fora o vento rodopia...
Dança de folhas... Folhas, sonhos vãos,
que passam, nesta dança transitória,
deixando em nós, no fundo da memória,
o olhar de uns olhos e a carícia de umas mãos.
Ante a moldura de um retrato antigo,
põe-se a gente a evocar coisas emocionais.
Tolda-se o olhar, o lábio treme, a alma se aperta,
tudo deserto... a vide em torno tão deserta
que vontade nos vem de sofrer mais!
Depois, há sempre um cofre e desse cofre
tiramos velhas cartas, devagar...
É a volúpia inervante de quem sofre:
ler velhas cartas e depois chorar.
Que tarde imensa e fria!
Nunca mais te verei... Nunca mais me verás...
Lá fora o vento rodopia...
Que desejo me vem de sofrer mais!


Olegário Mariano Carneiro da Cunha (nasceu na cidade de Recife, Pernambuco, a 24 de março de 1889. Faleceu no Rio de Janeiro a 28 de Novembro de 1958).

Ler do mesmo autor:
O Conselho das Árvores
O Enterro da Cigarra

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2011-03-24

Arco-íris - Olegário Mariano



Choveu tanto esta tarde
Que as árvores estão pingando de contentes.
As crianças pobres, em grande alarde,
Molham os pés nas poças reluzentes.

A alegria da luz ainda não veio toda.
Mas há raios de sol brincando nos rosais.
As crianças cantam fazendo roda,
Fazendo roda como os tangarás:

"Chuva com sol!
Casa a raposa com o rouxinol."

De repente, no céu desfraldado em bandeira,
Quase ao alcance da nossa mão,
O Arco-da-Velha abre na tarde brasileira
A cauda em sete cores, de pavão.


Publicado no livro Canto da Minha Terra (1930).

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (nasceu na cidade de Recife, Pernambuco, a 24 de março de 1889. Faleceu no Rio de Janeiro a 28 de Novembro de 1958).

Ler do mesmo autor:
O Conselho das Árvores
O Enterro da Cigarra

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2010-03-24

Teia de Aranha - Olegário Mariano

imagem daqui

Dizem que traz felicidade a teia
De aranha. Surge um dia, malha a malha,
E a aranha infatigável que trabalha
Mata os insectos quanto mais se alteia.

Sobe ao beiral. É um berço e balanceia
Ao vento que os filetes de ouro espalha...
E, ao sol iluminado que a amortalha,
A trama iluminada se incendeia.

Surge a primeira borboleta ebriada...
Vem louca, primavera de ansiedade...
Mas de repente, a asa despedaçada

Rola... É o fim... a tortura da grilheta...
Não quero nunca essa felicidade
Que vem da morte de uma borboleta.


in Antologia Portuguesa e Brasileira, Evaristo Pontes dos Santos, Porto 1974

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (nasceu na cidade de Recife, Pernambuco, a 24 de março de 1889. Faleceu no Rio de Janeiro a 28 de Novembro de 1958).

Ler do mesmo autor:
O Conselho das Árvores
O Enterro da Cigarra

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2009-03-24

Pé de Vento ... poema infantil de Olegário Mariano que nasceu há 120 anos

Vento imagem daqui

Ágil, violento,
De copa em copa,
Salta, galopa,
Relincha o vento.

Corcel alado,
Solta as crinas,
Desce às campinas
Desenfreado…

Transpõe barrancas,
Vales, penhascos,
Nas nuvens brancas
Imprime os cascos.

Da terra fura
Fundo as entranhas,
Na noite escura
Galga as montanhas,

Tolda os remansos,
Muda em cachoeiras
As cabeceiras
Dos rios mansos…

Arranca os galhos,
Pelos caminhos,
Deixa em frangalhos
Frondes e ninhos.

De salto em salto.
Revoluteia…
Lambe o planalto,
Dança na areia…

Na amaldiçoada
Força que o agita,
De cambulhada
Se precipita…

Pende o arvoredo
Num murmúrio:
"Meu Deus! Que medo!
Que horror! Que frio!"

Diz um arbusto:
"Por que me levas?
Tremo de susto
Dentro das trevas."

Uma andorinha,
De asa quebrada:
"Morro sozinha,
Solta na estrada!"

Pobre tropeiro
Se desengana:
"Rolou do outeiro
Minha choupana!"

Vozes de magoas
Despedaçadas
Choram nas águas
E nas ramadas…

Uivam nas furnas
Feras aflitas,
Sob infinitas
Sombras noturnas…

E o vento nessa
Marcha selvagem,
Corta, atravessa,
Rasga a paisagem.

E segue o rumo
Do movimento,
Subindo a prumo
No firmamento,

Até que rola,
No último açoite,
Como uma bola
Dentro da noite…

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (nasceu na cidade de Recife, Pernambuco, a 24 de março de 1889. Faleceu no Rio de Janeiro a 28 de Novembro de 1958).

Ler do mesmo autor:
O Conselho das Árvores
O Enterro da Cigarra

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2008-11-28

O Conselho das Árvores - Olegário Mariano, na passagem do 50º. aniversário da sua morte

Sofro, luz dos meus olhos, quando dizes
Que a vida não te alenta nem conforta.
Olha o exemplo das árvores felizes
Dentro da solidão da noite morta.

Que lhes importa a dor, que lhes importa
O drama que há no fundo das raízes?
Não sentem quando o vento os ramos corta
E as folhas leva em várias diretrizes?

Que lhes importa a maldição do outono
E os dedos envolventes da garoa,
Se dão sombra às taperas no abandono?!...

Levanta os braços para o firmamento
E canta a vida porque a vida é boa
Mesmo esmagada pelo sofrimento.

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (nasceu no Recife, Pernambuco a 24 de Março de 1889; morreu no Rio de Janeiro a 28 de Novembro de 1958).

Ler do mesmo autor:

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2008-03-24

O Enterro da Cigarra - Olegário Mariano

Fonte
As formigas levavam-na… Chovia…
Era o fim… Triste outono fumarento!
Perto, uma fonte, em suave movimento,
cantigas de água trémula carpia.

Quando eu a conheci, ela trazia
na voz um triste e doloroso acento.
Era a cigarra de maior talento,
mais cantadeira, desta freguesia.

Passa o cortejo entre árvores amigas…
Que tristeza nas folhas… que tristeza!
Que alegria nos olhos das formigas!…

Pobre cigarra! Quando te levavam,
enquanto chorava a Natureza,
tuas irmãs e tua mãe cantavam…

Olegário Mariano Carneiro da Cunha nasceu no Recife (PE) a 24 de Março de 1889 e veio ainda adolescente para o Rio de Janeiro, onde faleceu a 28 de Novembro de 1958. Notário, deputado, inspector escolar, crítico teatral, secretário de embaixada (Bolívia), ministro plenipotenciário (Portugal, 1940), embaixador em Lisboa (1953/54), foi eleito, em 1938, por morte de Alberto de Oliveira, «príncipe dos poetas brasileiros». Considerado «o poeta das cigarras» (publicara mesmo um livro intitulado «Últimas Cigarras», 1920), os seus versos são fluentes, melancólicos, musicais, evidenciando mais sensibilidade que pensamento.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor:

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2007-11-28

O enamorado das rosas - Olegário Mariano

La femme et les roses - Marc Chagall

Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,
Ouvindo a água da fonte que murmura,
Rego as minhas roseiras com ternura,
Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.

Cada uma tem um suave movimento
Quando a chamar minha atenção procura
E mal desabrochada na espessura,
Manda-me um gesto de agradecimento.

Se cultivei amores às mancheias,
Culpa não cabe às minhas mãos piedosas
Que eles passassem para mãos alheias.

Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,
Alimento a ilusão de que essas rosas,
Ao menos essas rosas, sejam minhas.

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (n. no Recife em 24 Mar 1889, m. Rio de Janeiro, em 28 Nov. 1958)

Ler do mesmo autor, neste blog: O meu retrato ; Almas irmãs

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2006-03-24

O MEU RETRATO - Olegário Mariano

Image Hosted by ImageShack.us
Busto de Olegário Mariano em bronze sobre pedestal em granito, na cidade do Rio de Janeiro e que terá sido furtado em 2001. Extraída de www.rio.rj.gov.br


Sou magro, sou comprido, sou bizarro,
Tendo muito de orgulho e de altivez.
Trago a pender dos lábios um cigarro,
Misto de fumo turco e fumo inglês.

Tenho a cara raspada e cor de barro.
Sou talvez meio excêntrico, talvez.
De quando em quando da memória varro
A saudade de alguém que assim me fez.

Amo os cães, amo os pássaros e as flores.
Cultivo a tradição da minha raça
Golpeada de aventuras e de amores.

E assim vivo, desatinado e a esmo.
As poucas sensações da vida escassa
São sensações que nascem de mim mesmo.


Olegário Mariano Carneiro da Cunha (n. no Recife em 24 Mar 1889, m. no Rio de Janeiro, em 28 Nov. 1958)

Ler do mesmo autor Almas Irmãs

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2005-11-28

Almas Irmãs - Olegário Mariano

Cigarra! Eu sou feliz quando imagino
sermos os dois irmãos no mesmo fado:
canto as minhas canções desde menino...
Quem canta fica menos desgraçado.

De almas unidas e de braço dado,
Vamos de desatino em desatino...
Somos pobres os dois, mas o Destino
deu-nos astros no céu e ouro no prado.

Cantas para dar vida à natureza.
Eu canto para ver se a alma se esquece
dessa ronda noturna de tristeza.

Somos iguais no sonho que enobrece:
nosso eterno motivo de Beleza
é dar felicidade a quem merece.

Últimas Cigarras
Olegário Mariano Carneiro da Cunha (n. no Recife em 24 Mar 1889, m. Rio de Janeiro, em 28 Nov. 1958)
in Antologia Portuguesa e Brasileira - Evaristo Pontes dos Santos, 1974

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