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2010-10-10

Minha Língua - Júlio César Fonseca Filho

Minha língua tem primores,
Tem magias de encantar,
É língua de trovadores,
Tem doçuras de luar.

Da escala todos os sons
E do céu todas as cores,
É feita de corações
E dos aromas das flores.

Tem canto de rouxinol,
Do clarim tem os clangores,
E fulgura como o sol,
Da manhã, entre os albores.

Faz tremer, faz abalar,
É favônio e é procela;
Tem os ruídos de um mar
E as vibrações de uma tela.

Tem a palavra - saudade-
Só por si vale uma prece,
Ao dizê-la, na verdade,
A boca em beijos se tece.

É de bronze e de cristal,
É de ouro e diamantes,
Não conhece o que é mal,
É a língua dos amantes.

Tem a seiva e a pujança
Da floresta virginal;
Pelos deuses sem tardança
Foi forjada em luz vernal.

Tem filtros inebriantes,
É divinal pedraria,
Tem divícias deslumbrantes,
Outras mais não quereria.

Do aedo é puro canto,
Do orador - ardente pira,
Não é língua, é sumo encanto
É dos anjos santa lira.


Júlio César da Fonseca Filho, jornalista, escritor, poeta e republicano nasceu em Aracati, Ceará a 10 de outubro de 1850, faleceu no dia 18 de abril de 1931.

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