Minha Língua - Júlio César Fonseca Filho
Minha língua tem primores,
Tem magias de encantar,
É língua de trovadores,
Tem doçuras de luar.
Da escala todos os sons
E do céu todas as cores,
É feita de corações
E dos aromas das flores.
Tem canto de rouxinol,
Do clarim tem os clangores,
E fulgura como o sol,
Da manhã, entre os albores.
Faz tremer, faz abalar,
É favônio e é procela;
Tem os ruídos de um mar
E as vibrações de uma tela.
Tem a palavra - saudade-
Só por si vale uma prece,
Ao dizê-la, na verdade,
A boca em beijos se tece.
É de bronze e de cristal,
É de ouro e diamantes,
Não conhece o que é mal,
É a língua dos amantes.
Tem a seiva e a pujança
Da floresta virginal;
Pelos deuses sem tardança
Foi forjada em luz vernal.
Tem filtros inebriantes,
É divinal pedraria,
Tem divícias deslumbrantes,
Outras mais não quereria.
Do aedo é puro canto,
Do orador - ardente pira,
Não é língua, é sumo encanto
É dos anjos santa lira.
Júlio César da Fonseca Filho, jornalista, escritor, poeta e republicano nasceu em Aracati, Ceará a 10 de outubro de 1850, faleceu no dia 18 de abril de 1931. Read More...






