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2014-09-05

Madrigal LIII [Tu és no campo, ó Rosa,] - Silva Alvarenga

imagem daqui

Tu és no campo, ó Rosa,
A flor de mais beleza
De quantas produziu a Natureza
Que em tuas perfeições foi cuidadosa.
E se Glaura formosa
No seio dos prazeres te procura,
Qual outra flor será de mais ventura,
Ou mais digna de amor ou mais mimosa?
Tu és no campo, ó Rosa,
A flor de mais ventura e mais beleza
De quantas produziu a Natureza.

Manuel Inácio da Silva Alvarenga (Vila Rica, atual Ouro Preto MG, 5 de setembro de 1749* - Rio de Janeiro RJ, 1 de novembro de 1814).

* a data de nascimento, que na maior parte das fontes não é precisa, consta a páginas 26 de «Vida e Obra de Castro Alves», de Múcio Teixeira, Bahia, Tip. e Encadernação do »Diário da Bahia», 1896

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2010-11-01

Madrigal III (Voai, suspiros tristes) - Silva Alvarenga

Voai, suspiros tristes;
Dizei à bela Glaura o que eu padeço,
Dizei o que em mim vistes,
Que choro, que me abraso, que esmoreço.
Levai em roxas flores convertidos
Lagrimosos gemidos que me ouvistes:
Voai, suspiros tristes;
Levai minha saudade;
E, se amor ou piedade vos mereço,
Dizei à bela Glaura o que eu padeço.


Manuel Ignácio da Silva Alvarenga (n. 1749 em Vila Rica, Minas Gerais — m. no Rio de Janeiro a 1 de Novembro de 1814)

Ler do mesmo autor: O Canto dos Pastores

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2008-11-01

O Canto dos Pastores - Silva Alvarenga

Flores no Campo imagem daqui

Que saudoso lugar!... Em roda, as flores
nascem por entre a relva; estes pinheiros
parecem suspirar também de amores...

O Zéfiro respira; o sol formoso
vai dos troncos as sombras aportando,
que já se inclina o carro luminoso...

O rouxinol te está desafiando;
querem-te ouvir os verdes arvoredos
que o vento faz mover de quando em quando;
e a musa que de amor sabe os segredos...

Risonhas flores, que um estreito laço
formais de vossos ramos na floresta,
sei que Glaura vos ama... Pela sesta,
deixai-vos desfolhar no seu regaço.


Manuel Ignácio da SILVA ALVARENGA nasceu, mestiço, em Vila Rica (MG) em 1749 e morreu no Rio de Janeiro a 1 de Novembro de 1814. Bacharel em Direito Canónico pela universidade de Coimbra (1771/ 76), aí publicou um poema herói-cómico, «O Desertor das Letras» (1774), e parece que chegou a exercer advocacia em Lisboa. Regressado ao Brasil em 1777, passou a advogar em Rio das Mortes (MG), de onde, em 1782, transitou para o Rio de Janeiro, como professor de Retórica e Poética. Aí escreveu e ensaiou várias peças de teatro. Pertenceu à Arcádia Ultramarina, com o nome de Alcindo Palmireno, e reuniu a sua obra lírica na «Glaura» (1799). Denunciado por ideias subversivas, conheceu o cárcere por mais de dois anos (1794/97), mas acabou libertado por falta de provas.

Soneto e nota biobibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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