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2011-12-18

One eye sees, the other feels - Paul Klee

Red Balloon, 1922, Oil on muslin primed with chalk, 31.8 x 31.1 cm.
The Solomon R. Guggenheim Museum, New York

Paul Klee b. 18 December 1879 in Münchenbuchsee, Switzerland - d. 29 June 1940 Muralto, Switzerland)

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2011-04-28

A Alma dos Vinte Anos - Alberto de Oliveira

Self-portrait - Francis Bacon (daqui)
Francis Bacon (Dublin b. 28 Oct. 1909 – d. Madrid, 28 April 1992)

A alma dos meus vinte anos noutro dia
Senti volver-me ao peito, e pondo fora
A outra, a enferma, que lá dentro mora,
Ria em meus lábios, em meus olhos ria.

Achava-me ao teu lado então, Luzia,
E da idade que tens na mesma aurora;
A tudo o que já fui, tornava agora,
Tudo o que ora não sou, me renascia.

Ressenti da paixão primeira e ardente
A febre, ressurgiu-me o amor antigo
Com os seus desvarios e com os seus enganos...

Mas ah! quando te foste, novamente
A alma de hoje tornou a ser comigo,
E foi contigo a alma dos meus vinte anos.

poema extraído daqui

Antônio Mariano Alberto de Oliveira (n. em Palmital de Saquarema, RJ, em 28 de Abril de 1857, e faleceu em Niterói, RJ, em 19 de Janeiro de 1937).

Ler do mesmo autor, neste blog:
Vaso Chinês
Beijos do Céu
Aspiração
Horas Mortas

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2011-01-19

Opus ∞ +1 - Fiama Hasse Pais Brandão

Title Deutsch: Stilleben mit Flasche und Apfelkorb
Date 1890-1894; Medium Oil on canvas; 62 × 79 cm
Art Institute, Chicago

Paul Cézanne (19 Jan 1839; 23 Oct 1906)


Folhas novas em que a chuva
não penetra mas esvoaça. A dis
tância da chuva pela qual eu
posso deduzir da paisagem
que estou a imaginar a obra.
A separação em que parte
de mim reflui da nova arte
para a antiga vida decalca
da para sempre por alguns versos.


in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI

Fiama Hasse Pais Brandão (Lisboa, 15 de Agosto de 1938 — Lisboa, 19 de Janeiro de 2007)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Quarta-feira às três horas da tarde
Imagem Minha;
Olhar é o Amor Total;
Poetas do Amor.
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Do Amor IV

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2011-01-11

Sainte-Victoire depois da morte de Cézanne - Al Berto

Cezanne - Mount Sainte-Victoire, 1890-1894,
National Gallery of Scotland, Edinburgh

no mais remoto isolamento da memória
guardei preciosamente a sombra dos basaltos
luminosos xistos frestas de granito janelas
perto de sainte-victoire mais cinzenta que nunca
pintava sem cessar pintava
desde o alvorecer até que a noite descia
obrigando a mão e o pensamento a desfalecer

trabalhei sempre a obsessiva luz
mas a velhice aprisionou-me na vertigem
muito longe na idade
continuei a pintar sur motif
parecia-me fazer lentos progressos
quase compreendi os sobrepostos planos
de um mesmo objecto sob a claridade d’aix

foi em 1906
montado num burro carregado com material
ia por onde o cortante mistral passara
deixando a descoberto o implacável sol
modulava terras pinhais nuvens casas corpos
mas a morte não consentiu que eu executasse
as vislumbradas geométricas paisagens e
comigo se perdeu o segredo dessa pirâmide
que é sainte-victoire vibrando
na cegante luminosidade do meio-dia

Antologia da poesia portuguesa contemporânea, um panorama. Organização de Alberto da Costa e Silva e Alexei Bueno. Lacerda Editores, Rio de Janeiro.

Al Berto [Alberto Raposo Pidwell Tavares], nasceu em Coimbra a 11 de Janeiro de 1948, m. em Lisboa a 13 de Junho de 1997.

Ler do mesmo autor, neste blog: Incêndio; Vigílias-I

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2010-04-22

Historical image of the day (II) - A Descoberta do Brasil foi há 510 anos

imagem extraída daqui

«A preparação da esquadra se fez rapidamente: apenas oito semanas após o retorno de Vasco da Gama a Portugal, os navios já estavam prontos para partir. Eram ao todo treze barcos de tipos diversos: oito naus, três caravelas (esses onze barcos eram armados), uma caravela mercante e um navio de mantimentos. Duas embarcações pertenciam a particulares (membros da nobreza de Portugal associados a mercadores italianos). Convém observar que as naus eram maiores que as caravelas e possuíam maior poder de fogo, além de comportar cargas mais volumosas.

Os onze navios oficiais pertenciam em sua maioria à Ordem de Cristo. Esta era uma ordem religiosa e militar portuguesa, derivada da antiga Ordem dos Templários, cujo grão-mestre (chefe supremo) era sempre um membro da família reinante em Portugal. Os recursos da Ordem de Cristo provinham das vastas propriedades que ela possuía, acrescidos dos lucros provenientes do comércio com a África. A célebre cruz vermelha e branca de extremidades alargadas, pintada nas velas das caravelas lusitanas, era o emblema dessa ordem.

O comando da frota foi confiado a Pedro Álvares de Gouveia, fidalgo português de 32 anos, descendente de uma família ilustre cujos antepassados haviam-se distinguido nas guerras de Portugal. Por ser filho segundogênito, Pedro Álvares possuía o sobrenome de sua mãe, Isabel de Gouveia, e não do pai, Fernão Cabral. Mais tarde, quando seu irmão mais velho faleceu sem descendentes, mudou seu nome para Pedro Álvares Cabral. Mas é dessa última forma que iremos designá-lo, para facilitar a leitura do presente texto.

Cabral não tinha nenhuma experiência de navegação, embora possuísse algum conhecimento de guerra terrestre. Mas a maioria dos comandantes de navio eram navegadores de grande reputação. Basta citar Bartolomeu Dias (o descobridor do Cabo das Tormentas), seu irmão Diogo Dias e Nicolau Coelho (que acompanhou Vasco da Gama em sua viagem às Índias). A expedição compreendia cerca de 1500 homens, entre tripulantes e soldados, além de 16 religiosos.

Controvérsias sobre o Descobrimento do Brasil

Quatro pontos acerca do Descobrimento têm sido objeto de debate:
1) a intencionalidade ou casualidade do evento;
2) o local onde a frota fundeou (ancorou);
3) a anterioridade de outros navegadores em relação a Cabral;
4) a origem do nome “Brasil”.
A discussão sobre a intencionalidade ou casualidade do Descobrimento resultou do notável desvio da esquadra para oeste (comparativamente com a rota seguida por Vasco da Gama). Hoje, porém, poucos defendem a tese da casualidade.

A ausência de tempestades durante o percurso, a não-influência de correntes marítimas no itinerário seguido, a grande experiência náutica dos comandantes, o interesse de Portugal em confirmar a existência de terras naquela área após a assinatura do Tratado de Tordesilhas, a “política de segredo” adotada por D. Manuel em relação às potências marítimas emergentes – França e Inglaterra – tudo aponta na direção da intencionalidade do Descobrimento.

Quanto à controvérsia sobre Cabral ter fundeado a sua frota diante da atual cidade de Porto Seguro, ou não, hoje é ponto pacífico que o local exato da ancoragem foi a Baía Cabrália, situada mais ao norte. Ademais, a dupla linha de recifes que se ergue à frente de Porto Seguro inviabiliza a outra hipótese.Sobre a anterioridade de Cabral em chegar ao Brasil, sabe-se com certeza que o espanhol Vicente Pinzón costeou o litoral entre o Ceará e o Pará, tendo descoberto a foz do Amazonas em janeiro de 1500. Mas esse fato é politicamente irrelevante, já que o Brasil (ou melhor, o terço oriental de seu território atual) fora atribuído à Coroa Portuguesa desde 1494, pelo Tratado de Tordesilhas. De vez em quando, volta também à baila o livro Esmeraldo de Situ Orbis, escrito por Duarte Pacheco Pereira em 1505, no qual o autor se atribui uma pretensa viagem ao Brasil em 1498; mas essa afirmação carece de qualquer base mais séria.

Finalmente, a questão do nome da terra descoberta. A expedição colonizadora de Gaspar de Lemos, da qual participou o piloto florentino Américo Vespúcio, concluiu acertadamente que um litoral tão extenso não podia pertencer a uma mera ilha. Daí a substituição do nome inicial por Terra de Santa Cruz. Quanto à denominação “Brasil”, já era encontrada, com grafias diversas, em muitos mapas medievais, que a atribuíam a uma ilha imaginária situada no Ocidente. Todavia, essa antiga referência não parece ter influenciado os colonizadores portugueses, mais diretamente impressionados com o vermelho ("cor de brasa") da madeira tintorial que aqui começaram a explorar: o pau-brasil. Esta, portanto, deve ser a origem verdadeira do nome...» (texto daqui)


A vinte e dois de Abril
Do ano mil e quinhentos
Foi descoberto o Brasil
Graças aos Descobrimentos

Pedro Álvares Cabral
Que a grande armada conduz
Descobre-o por Portugal
Chamando-lhe "Vera Cruz"

Na história relatada
Por Pêro Vaz de Caminha
Há beleza retratada
Que o Brasil então já tinha

E três séculos marcaram
A presença portuguesa
Onde muitos consumaram
Grande prestígio e riqueza

Mas D. Pedro seu regente
Em gesto heróico se zanga
E o decreta independente
No Grito do Ipiranga!...

Desde então os dois países
Pela paz deram as mãos
Mantendo as fortes raízes
Entre dois povos irmãos...

Euclides Cavaco (daqui Poema transcrito com autorização do autor)

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2010-04-20

Partiste, e a serra idílica do vento - Nunes Claro

Young Italian at the WellYoung Italian at the Well, c.1833-34 (oil_on_canvas)
Franz Xaver Winterhalter
(n. 20 Abril 1805 — m. 8 Jul 1873)

Partiste, e a serra idílica do vento,
do mar, das névoas, mais das grandes luas,
manda dizer-te, amor, neste momento,
que ficou triste, com saudades tuas.

E que, no inverno, enquanto o céu cinzento
tremer nos ramos e chorar nas ruas,
vestirá, com teu lindo pensamento,
as pedras pobres e as roseiras nuas.

E diz mais - que em abril, quando aí saias,
penses, ao ver florir perto as olaias,
naqueles que deixaste sem ninguém.

no sol, nas ervas, no luar, na altura.
- Só não te diz, porque é de pedra dura,
que tu penses, um pouco, em mim também!

Joaquim Nunes Claro nasceu em Lisboa a 20 de Abril de 1878 e faleceu em Sintra a 5 de Maio de 1949.

Ler do mesmo autor, neste blog:
Toma essas rosas de Dezembro agora
Vieste Tarde Meu Amor

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2010-04-08

Convite - Egito Gonçalves

Woman with a Flower - 1932
by Pablo Picasso (nasceu em Málaga a 25 Out 1881
e m. em Mougins, França a 8 Abr. 1973)


Nesta fase em que só o amor me interessa
o amor de quem quer que seja
do que quer que seja
o amor de um pequeno objecto
o amor dos teus olhos
o amor da liberdade

o estar à janela amando o trajecto voado
das pombas na tarde calma

nesta fase em que o amor é a música de rádio
que atravessa os quintais
e a criança que corre para casa
com um pão debaixo do braço

nesta fase em que o amor é não ler os jornais

podes vir podes vir em qualquer caravela
ou numa nuvem ou a pé pelas ruas
- aqui está uma janela acolá voam as pombas -

podes vir e sentar-te a falar com as pálpebras
pôr a mão sob o rosto e encher-te de luz

porque o amor meu amor é este equilíbrio
esta serenidade de coração e árvores

(in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco Graça Moura, Quetzal Editores)

José Egito de Oliveira Gonçalves (nasceu em Matosinhos, 8 de Abril de 1922 - m. Porto, 29 de Janeiro de 2001)

Ler do mesmo autor, neste blog:
O Teu Ombro Sabe
A Aventura É Ficar
Com palavras

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2010-03-30

Arte Poética - Paul Verlaine

The Holy Family - Museo del Prado, Madrid
by Francisco Goya (n. 30 Mar. 1746, m. 15 Abr. 1828)

Música sempre, acima de tudo
E para tanto elege o Ímpar,
Mais vago e mais solúvel no ar,
Livre de peso e à pose mudo.

Abstém-te ainda de no teu inciso
Escolher o verbo sem um desacerto:
Nada mais alto que o canto incerto
Onde se juntam Preciso e Impreciso.

São belos olhos por detrás de um véu,
O amplo dia estremecendo ao estio,
E num luzir de Outono macio,
A turba azul de estrelas no céu!

Porque também a Nuance falta,
Não queremos Cor, apenas Nuance,
Oh! a Nuance permite que dance
Sonho com sonho, e com trompa flauta!

Mantém ao longe Farpa assassina
Riso impuro, Espírito cruel,
Que entristecem o doce Mantel,
Pobres manjares de tão fraca sina!

À Eloquência, torcer o pescoço!
Bem usarias o propício clima
Para amainar um pouco essa Rima
Pois senão onde findará o poço?

Oh! Quem dirá os males da Rima?
Que surda infância ou que preto louco
Terá forjado esse adorno oco
Que soa a falso sob a nossa lima?

Música ainda, sem nenhuns temores!
Seja o teu verso a coisa enlevada
Fugindo assim da alma puxada
Para outros céus e outros amores.

Seja o teu verso a boa aventura
Dispersa ao vento mordaz da manhã,
Embalsamada em menta, hortelã...
E tudo o resto é literatura.


Trad. Filipe Jarro,

in Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

Paul Marie Verlaine (n. Metz, 30 de Março de 1844, – m. Paris, 8 de Janeiro de 1896)

Ler do mesmo autor:

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2010-03-04

Engrinalda-me Com Os Teus Braços - Eugénio de Castro


"Two Peaches" English Scholl (19th Century)
image from here

Teu corpo de âmbar, gótico, afilado,
Sempre velado de cheirosos linhos,
Teu corpo, aprilino prado,
Por onde o meu desejo, pastor brando,
Risonho há-de viver, pastoreando
Meus beiços, desinquietos cordeirinhos,
Teu corpo é esbelto, ó zagala esguia,
Como as harpas que o pai de Salomão tangia!

Teu corpo eléctrico, ogival,
Núbil, sequinho, perturbante,
É uma dispensa real:
Os teus olhos são duas cabacinhas
Cheias dum vinho estonteante
Os teus dentes são alvas camarinhas,
Os teus dedos, suavíssimos espargos,
E os teus seios, pêssegos verdes mas não amargos.

Lira de nervos, glória das trigueiras,
Como tu és graciosa! As laranjeiras
Desde que viste o sol com esses sóis amados
Só vinte vezes perfumaram noivados!
Nobre e graciosa és, morena das morenas,
Como as senhoras dos olhos belos,
Que passeavam nos jardins de Atenas
Com uma cigarra de ouro nos cabelos!

Como tu, eu sou moço! e atrevido
Com Anceu, rei de Samos
E jamais caçador me fez vencido
Quando, caçando o javali ando entre os ramos.
O meu peito é de jaspe, a minha voz macia,
Meus olhos ágeis e dourados como abelhas
E, para que as colhas, minha boca sadia
É um orvalho cabazinho de groselhas

Novos e alegres somos! Ah! que em breve
Nossas bocas se colem voluptuosas;
Vamos sonhar e toucar-nos de rosas
Enquanto há sol, enquanto não cai neve!
Não te demores,
Ó cheia de graça,
Que os dias correm voadores
E a mocidade passa...
A mocidade passa...e, um dia ó meus pecados,
A tua boca vermelha
Será uma rosa velha,
E minhas mãos uns lírios fanados...

E então, velhinhos combalidos,
Como dois galhos ressequidos
Sem folhasd e sem pomos
Lembrar-nos-emos do que hoje somos,
Ó maravilha de graciosidade
Como dum filho e duma filha
Que nos morressem na flor da idade!


in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI,
Porto Editora

Eugénio de Castro>(n. em Coimbra a 4 Março de 1869; m. em Coimbra, a 17 de Agosto de 1944).

Ler do mesmo autor:
Amores
A Laís
Tua frieza aumenta o meu desejo
Presságios
Epígrafe

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2010-02-17

Visita à Casa Paterna - Luiz Guimarães Jr.

Still Life: Strawberries, Nuts &c. : Oil on Wood Panel;
16 3/8 x 22 3/4" (41.6 x 57.8 cm)
Raphaelle Peale (b. Feb 17, 1774, in Philadelphia; d. Mar 25, 1825)
The Art Institute of Chigago

Como a ave que volta ao ninho antigo,
depois de um longo e tenebroso inverno,
eu quis também rever o lar paterno,
o meu primeiro e virginal abrigo.

Entrei. Um génio carinhoso e amigo,
o fantasma talvez do amor materno,
tomou-me as mãos, – olhou-me grave e terno,
e, passo a passo, caminhou comigo.

Era esta a sala... (Oh! se me lembro! e quanto!)
em que da luz nocturna à claridade,
minhas irmãs e minha mãe...O pranto

jorrou-me em ondas... Resistir quem há-de?
Uma ilusão gemia em cada canto,
chorava em cada canto uma saudade.


LUÍS Caetano Pereira GUIMARÃES JR. nasceu no Rio de Janeiro a 17 de Fevereiro de 1845 e faleceu em Lisboa a 19 de Maio de 1898*. Formou-se em Direito no Recife (1869) e enveredou pela carreira diplomática (Santiago do Chile, Londres, Roma, Caracas e Lisboa). A princípio romântico, com os «Sonetos e Rimas» surge o poeta parnasiano. Os seus poemas descritivos foram saudados por Fialho de Almeida.

(*) algumas fontes dizem 20 de Maio

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições
Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004).

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2010-01-19

Canção - Eugénio de Andrade

La montagne Sainte-Victoire; Oil on Canvas
25.6 x 31.9 in. / 65 x 81 cm. 1888 - 1890
Paul Cézanne (n. 19 de Jan.1839, em Aix-en-Provence; m. Oct. 22, 1906)

Tu eras neve.
Branca neve acariciada.
Lágrima e jasmim
no limiar da madrugada.

Tu eras água.
Água do mar se te beijava.
Alta torre, alma, navio,
adeus que não começa nem acaba.

Eras o fruto
nos meus dedos a tremer.
Podíamos cantar
ou voar, podíamos morrer.

Mas do nome
que maio decorou,
nem a cor
nem o gosto me ficou.

in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora.

Eugénio de Andrade (nasceu em Póvoa de Atalaia a 19 Jan. 1923; m. no Porto a 13 Jun. 2005)

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2009-12-05

Remember - Christina Rossetti

Water Lilies - 1906 Oil on canvas 87.6 x 92.7 cm (34 1/2 x 36 1/2)
by Claude Monnet (b. Paris 14 Nov. 1830 - d. Giverni 5 Dec 1926)
in The Art Institute of Chicago

Remember me when I am gone away,
Gone far away into the silent land;
When you can no more hold me by the hand,
Nor I half turn to go yet turning stay.
Remember me when no more day by day
You tell me of our future that you planned:
Only remember me; you understand
It will be late to counsel then or pray.
Yet if you should forget me for a while
And afterwards remember, do not grieve:
For if the darkness and corruption leave
A vestige of the thoughts that once I had,
Better by far you should forget and smile
Than that you should remember and be sad.

(versão em português)

Recorda-te de mim quando eu embora
For para o chão silente e desolado;
Quando eu não te tiver mais ao meu lado
E sombra vã chorar por quem me chora.

Quando mais não puderes, hora a hora,
Falar-me no futuro que hás sonhado,
Ah de mim te recorda e do passado,
Delícia do presente por agora.

No entanto, se algum dia me olvidares
E depois te lembrares novamente,
Não chores: que se em meio aos meus pesares

Um resto houver do afecto que em mim viste,
- Melhor é me esqueceres, mas contente,
Que me lembrares e ficares triste.

Trad. de Manuel Bandeira, in Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

Christina Rossetti (b. 5-Dec-1830 in London, England; Died: 29-Dec-1894, London, England)

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2009-07-15

Do supérfluo - Henriqueta Lisboa

Pintura de Rembrandt Paisagem Tempestuosa by Rembrandt Harmenszoon van Rijn
(n. Leiden, 15 de Julho de 1606 –m. Amesterdão, 4 de Outubro de 1669)


Também as cousas participam
de nossa vida. Um livro. Uma rosa.
Um trecho musical que nos devolve
a horas inaugurais. O crepúsculo
acaso visto num país
que não sendo da terra
evoca apenas a lembrança
de outra lembrança mais longínqua.
O esboço tão-somente de um gesto
de ferina intenção. A graça
de um retalho de lua
a pervagar num reposteiro
A mesa sobre a qual me debruço
cada dia mais temerosa
de meus próprios dizeres.
Tais cousas de íntimo domínio
talvez sejam supérfluas.
No entanto
que tenho a ver contigo
se não leste o livro que li
não viste a rosa que plantei
nem contemplaste o pôr-do-sol
à hora em que o amor se foi?
Que tens a ver comigo
se dentro em ti não prevalecem
as cousas — todavia supérfluas —
do meu intransferível patrimônio?

Henriqueta Lisboa (nasceu em Lambari, MG, em 15 de Julho de 1901 e morreu em Belo Horizonte em 9 de Outubro de 1985).

Este poema fez-me recordar uma canção de Rui Veloso, "Anel de Rubi" que a certo passo diz:

"...e era só a ti que eu mais queria
ao meu lado no concerto nesse dia
juntos no escuro de mão dada a ouvir
aquela musica maluca sempre a subir
mas tu não ficaste nem meia hora
nao fizeste um esforço pra gostar e foste embora
contigo aprendi uma grande liçao
nao se ama alguem que nao ouve a mesma canção"

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2009-05-11

Voz das Lágrimas - Augusto Casimiro na passagem dos 120 anos do nascimento

Estudo de cabeça, segundo "Giuliano di Medici" de Michelangelo, 1982
Óleo sobre tela 75 x 75 cm Figueras, Fundação Gala-Salvador Dalí
Salvador Dali (n. Figueres 11 de Maio 1904 — m. 23 de Jan. 1989)

Que belos são os olhos marejados,
- Ó meu Amor - de lágrimas!... Parece
Que sobre os nossos olhos extasiados
Toda a Beleza e toda a graça desce...

Que numa lágrima somente, - abraço
Infinito e divino, - os altos céus
A nossa alma e a vastidão do espaço,
Se beijam, fundem, - realizam Deus...

Deixa correr as lágrimas...Só vêem
Aquelas almas lúcidas que têm
Os olhos claros, doces, de chorar...

Almas de Amor, sem voz que diga tudo,
Deslumbradas de céu, num gesto mudo,
Choram...

E o Pranto é um modo de falar...

poema recolhido daqui

Augusto Casimiro dos Santos (n. em Amarante a 11 Maio de 1889; m. em Lisboa a 23 Set. 1967)

Ler do mesmo autor, neste blog:
O Poeta e a Nau
Sangue de Inês
Velando

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2009-01-23

Salvador Dali died 20 years ago

(Premonition of Civil War) (1936) - Salvador Dali

Salvador Felipe Jacinto Dalí Domènech, Marquis of Pubol or Salvador Felip Jacint Dalí Domènech (b. in Figueres, Spain on May 11, 1904 – d. January 23, 1989), known popularly as Salvador Dali, was one of the most important painters of the 20th century and his work is classified in Surrealism. He died 20 years ago (Jan. 23, 1989)


The Persistence of Memory - 1931
oil on canvas 24 × 33 cm, 9.4 × 13.0 inches
Museum of Modern Art

Salvador Dali Quotes:

*Have no fear of perfection - you'll never reach it.
(Não tenha medo da perfeição. Você nunca vai atingi-la).
*Intelligence without ambition is a bird without wings. (Inteligência sem ambição é como um pássaro sem asas)
*I shall be so brief that I have already finished (Eu vou ser tão breve que na verdade já terminei).

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2009-01-09

A Mulher e a Casa - João Cabral de Nelo Neto


"Autumn in the Ozarks", c. 1940; oil/canvasboard, 10" x 8"
Olive Holbert Chaffee (b. Jan. 9, 1886 in Woodville, Kentucky; d. 1980)

Tua sedução é menos
de mulher do que de casa;
pois vem de como é por dentro
ou por detrás da fachada.

Mesmo quando ela possui
tua plácida elegância,
esse teu reboco claro,
riso franco de varandas,

uma casa não é nunca
só para ser contemplada;
melhor: somente por dentro
é possível contemplá-la.

Seduz pelo que é dentro,
ou será, quando se abra;
pelo que pode ser dentro
de suas paredes fechadas;

pelo que dentro fizeram
com seus vazios, com o nada;
pelos espaços de dentro,
não pelo que dentro guarda;

pelos espaços de dentro:
seus recintos, suas áreas,
organizando-se dentro
em corredores e salas,

os quais sugerindo ao homem
estâncias aconchegadas,
paredes bem revestidas
ou recessos bons de cavas,

exercem sobre esse homem
efeito igual ao que causas:
a vontade de corrê-la
por dentro, de visitá-la.

in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco Graça Moura, Quetzal Editores.

João Cabral de Melo Neto (n. Recife, Pernambuco em 9 Jan 1920; m. Rio de Janeiro, 9 Out 1999).

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2009-01-04

The Key - Jackson Pollock

The Key 1946; Oil on canvas, 59 x 84 in The Art Institute of Chicago
by Jackson Pollock (1912-1956) image from here


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2008-04-29

Apr. 29 - International Dance Day : Let´s Dance

Dance at Bougival 1883 by Pierre-August Renoir
Oil on Canvas 181.8 x 98.1cm; Museum of Fine Arts, Boston

International Dance Day (World Dance Day) has been celebrated on April 29 through promotion by the International Dance Council (CID), an umbrella organization within UNESCO for all kinds of dance. So do your part: get up for that chair and go dance like no one is watching!

Ballet, belly dance, bossa-nova, bolero, cancan, cha-cha-cha, disco, fandango, flamenco, foxtrot, gigue, habanera, hip-hop, hula, jazz dance, jig, jive, kathak, lambada, limbo, macarena, mambo, mazurka, merengue, modern dance, paso doble, polka, quickstep, rock-and-roll, rumba, salsa, samba, shag, slow dance, swing, tango, tarantella, twist, two-step, waltz ... anyone what you want...

Remember if you can walk, you can dance!

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2008-04-24

The Boatman - Valery Zhukovsky

Painterly Architectonic 1916, Oil on board,
Size 59.40 x 39.40 cm by Liubov Sergeyevna Popova
(Любовь Сергеевна Попова)
(born on April 24, 1889; d. May 25, 1924)

Driven by misfortune's whirlwind,
Having neither oar nor rudder,
By a storm my bark was driven
Out upon the boundless sea.
"midst black clouds a small star sparkled;
"Don't conceal yourself!" I cried;
But it disappeared, unheeding;
And my anchor was lost, too.

All was clothed in gloomy darkness;
Great swells heaved all round;
In the darkness yawned the depths
I was hemmed in by cliffs.
"There's no hope for my salvation!"
I bemoaned, with heavy spirit...
Madman! Providence
Was your secret helmsman.

With a hand invisible,
'midst the roaring waves,
Through the gloomy, veiled depths
Past the terrifying cliffs,
My all-powerful savior guided me.
Then-all's quiet ! gloom has vanished;
I behold a paradisical realm...
Three celestial angels.

Providence - O, my protector!
My dejected groaning ceases;
On my knees, in exaltation,
On their image I did gaze.
Who could sing their charm?
Or their power o'er the soul?
All around them holy innocence
And an aura divine.

A delight as yet untasted -
Live and breathe for them;
Take into my soul and heart
All their words and glances sweet.
O fate! I've but one desire:
Let them sample every blessing;
Vouchsafe them delight - me suffering;
Only let me die before they do.

July 1812

Vasily Andreyevich Zhukovsky (b. Feb. 9 [New Style], 1783, Mishenskoe, near Tula Oblast, Russia - d. 24 April 1852, Baden-Baden, Germany)

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2008-04-20

Vieste tarde, meu amor...- Nunes Claro

Joan Miró i Ferrà n. Barcelona, a 20 de Abril de 1893
(m. Palma de Maiorca, 25 Dez. 1983)


Vieste tarde, meu amor! Começa
em mim caindo a neve devagar;
morre o sol, o Outono cai depressa
e o Inverno, finalmente, vai chegar;

e se hoje andamos juntos, na promessa
de caminharmos toda a vida a par,
daqui a pouco, o teu amor tem pressa
e o meu, daqui a pouco, há-de cansar.

Dentro em breve, por trás das velhas portas,
dando um ao outro só palavras mortas,
que rolam mudas pelas nossas vidas,

ouviremos, nas noites desoladas:
tu, a canção das vozes desejadas;
eu, o chorar das vozes esquecidas.

Joaquim Nunes Claro nasceu em Lisboa a 20 de Abril de 1878 e faleceu em Sintra a 5 de Maio de 1949. Médico, trabalhou, durante a 1.ª Guerra Mundial, no Hospital Militar Português de Hendaia e, mais tarde, viria a ser vice-presidente do conselho regional lisboeta da Ordem dos Médicos. Começou como poeta panfletário, escrevendo versos indignados sobre a morte de Macéo, herói da independência cubana, ou replicando ao canto de purificação deísta de Junqueiro «Oração ao Pão» (1902) com a «Oração da Fome», protesto contra a condição penosa do homem secularmente esbulhado dos frutos do seu trabalho. Depois, a partir dos anos ‘20, o poeta-cidadão, cantor da emancipação sócio-cultural, retirou-se para Sintra e deu lugar ao poeta neo-romântico («A Cinza das Horas», 1928), que a uma poesia erótica hedonista junta o sentimento melancólico da usura do tempo e da fugacidade do amor.

Poema e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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