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2005-08-12

Perfil - Miguel Torga

Não. Não tenho limites.
Quero de tudo
Tudo.
O ramo que sacudo
Fica varejado.
Já nascido em pecado,
Todos os meus pecados são mortais.
Todos tão naturais
À minha condição.
Que, quando por excepção,
Os não pratico
É que me mortifico.
Alma perdida
Antes de se perder,
Sou uma fonte incontida
De viver,
E o que redime a vida
É ela não caber
Em nenhuma medida.

Coimbra, 2 de Março de 1979

in Poesia Completa -Publicações Dom Quixote
Miguel Torga (n. 12 Ago 1907, m. 17 Jan 1995)