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2014-04-04

Nos 150 anos do nascimento de Roque Gameiro

Rua do Arco do Marquês do Alegrete (aguarela)

Alfredo Roque Gameiro nasceu em Minde, município de Alcanena a 4 de abril de 1864, faleceu em Lisboa a 5 de agosto de 1935

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2014-04-03

Camões e a Pátria - Augusto Emilio Zaluar

Peregrino, sê bem vindo!
Quem teus passos encaminha?
    A saudada, linda virgem,
    Saudades da pátria minha!

Donde vens? - De longes terras.
    Tua família? - Morreu,
E uma lágrima ao romeiro
Dos olhos se desprendeu.

Triste sorte a do proscrito
A vagar em terra estranha!
E dentro d'alma a saudade!
E que saudade tamanha!

Mas diz-me, qual é teu nome?
    Sou Camões! - disse a gemer.
E que procuras agora?
    Um abrigo para morrer!

Achaste-o pois, bardo luso!
Vem abraçar-te comigo!
Vem, que juntos morreremos,
Que a Pátria morre contigo!

Augusto Emílio Zaluar (Lisboa, 14 de fevereiro de 1826 – Rio de Janeiro, 3 de abril de 1882)

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No futebol todos os dias são "Dia das Mentiras" ?

Um antigo árbitro disse certo dia que depois de ter visto um porco andar de bicicleta... já nada o surpreendia.

Depois de assistirmos a notícias como estas:

«Foi dado provimento parcial ao recurso porque foi provado que o atraso foi intencional mas não com a intenção de causar prejuízo a terceiros...» - a propósito da decisão do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol e o caso do atraso do Porto no jogo da Taça da Liga.

Absolutamente inenarrável numa decisão de Justiça! O atraso foi intencional mas não com a intenção de causar danos a terceiros. Conclusão (minha, é óbvio) foi intencional mas para causar danos... a si próprio... Caso de masoquismo, certamente...

(É claro que, matematicamente ainda há a possibilidade de ter sido intencional para causar benefício a terceiros porque o benefício próprio já corresponderia a dano de outrém... ou intencional mas sem intenção de resultado... ou seja, afinal, intencional sem intenção!)...

Ontem ouvi na Rádio que Filipe Vieira foi castigado com dois meses de suspensão e uma (pequena) multa pecuniária porque após o jogo com o Belenenses para a 6ª Jornada (no próximo fim de semana já se disputa a 26ª.!) disse que o árbitro ou era cego ou incompetente. Pensei que era uma das mentiras de 1 de Abril mas depois ouvi a notícia noutra fonte. Afinal, era verdade. Não foi mal, Filipe Vieira ... ainda deu alternativas. Deveria ter se calhar adicionado ainda outras hipóteses para além de ser cego ou incompetente, talvez a hipótese de ser corrupto... mas não o fez. CASTIGO DE DOIS MESES?!

Certamente a campanha do Basta F.C. implementada pelo Presidente do Sporting e que durou dias a fio, com comunicados oficiais do clube, ameaças de processos na Justiça Civil..., conferências de imprensa, etc. vai dar um castigo, a manter a proporcionalidade, de TRÊS ANOS ou aproximadamente. Não duvido... mas apenas quando ele já não for Presidente do Sporting...

E que dizer do que disse o Presidente do Braga «Fomos roubados...» depois do jogo da Taça da Liga com o Rio Ave? Neste caso o árbitro não foi cego ou incompetente. Foi o autor do roubo, sendo assim, classifiquem-no... e antecipem o castigo. Ou esse por ser Presidente do Braga está isento?

E que dizer do comportamento de Quaresma no final do jogo com o Nacional e ... saiu com uma advertência? Nem sequer um jogo de castigo?

Certamente, em termos futebolísticos não só o que se diz é mentira, como todas estas decisões são mentiras!

Este ano espero que o Benfica seja campeão nacional. Leva sete pontos de avanço e faltam apenas cinco jogos. Mas com o Proença a voltar a arbitrar jogos do Benfica - felizmente para o clube de Lisboa o Braga estava muito fragilizado com muitos jogadores habitualmente titulares indisponíveis-, vem agora o Senhor Cosme Machado para o jogo com o Rio Ave... Muito cuidado!

Espero que o Benfica campeão na época desportiva 2013/2014 não seja mentira...

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2014-04-02

Cristo Hoje - Francisco Costa

Mendigo

Todos os dias bate à minha porta
e aceita a esmola que lhe dou - que é nada!
E lá se vai, rojando na calçada
o passo vacilante, a sombra torta.

É a miséria mesma que o conforta.
Com o sol a prumo ou a chuva regelada,
mendiga sempre, palmilhando a estrada,
vergado ao peso da existência morta.

Hoje, aquecia as minhas mãos ao lume
quando ele veio, como de costume,
fitar em mim o seu olhar vazio.

E ao dar-lhe a esmola que ele não reclama,
mais uma vez senti a face em chama
e as labaredas me fizeram frio.


Francisco José Lopes da Costa (n. em Sintra a 12 de Agosto de 1900; m. em Sintra a 2 de Abril de 1988).

Ler do mesmo autor, neste blog:
Esfinge
Pedra Alta

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2014-04-01

Autorretrato - Oleg Almeida

Não quero ser político
nem empresário, nem executivo;
ainda menos, líder da maioria vitoriosa.
Não me atrai a perspectiva
de viver preso ao telefone,
de dar entrevistas a torto e a direito,
de prestar contas ou, Deus me livre, depoimentos
no fim da jornada.
Não é que pregue a modéstia
que, aliás, não faz parte do meu caráter,
mas, vendo o ápice do Olimpo coberto de nuvens,
duvido que valha mesmo a pena atingi-lo.
De modo nenhum me seduz a glória,
sobretudo a póstuma,
bem como a opulência exagerada,
pois, com o tempo, esta perece nas baixas da bolsa
ou passa a juntar as baratas,
enquanto aquela cede lugar a outros louvores
falsos ou verdadeiros.
Não é que me curve perante a realidade,
mas, certo de que nas pontas da básica equação
ficam o tombo e o coqueiro igualmente concretos,
acho mais razoável manter-me na defensiva,
distante dos cargos de alto nível.
Não gosto, enfim, de vestir-me de preto e branco,
tampouco de integrar os esquemas
montados pela vontade alheia:
temo as cores monótonas,
e deixa-me trêmulo a simetria que se alinha à morte.
Não é que seja covarde por natureza,
mas, apegado a tradições seculares,
prefiro a lancha ao navio
e ao trombone, a flauta.
O íntimo sonho que tenho
consiste apenas em acordar cedinho –
toda manhã, de domingo a sábado – ,
abrir os olhos nessa penumbra cinzenta,
pela qual se costuma julgar de como será o dia recém-nascido,
ao lado da mulher amada,
que dorme de bruços, nua e confiante,
beijar os ombros aveludados dela
e, dando-me conta de que estou vivo,
agradecer, humilde, a quem criou a vida
por tê-la criado tão simples e cheia de bagatelas maravilhosas.
Numa palavra, evito acrescentar ao que foi concebido pequeno,
e, dada a mínima diferença entre vencido e vencedor,
não quero ser Davi nem Golias...
Quero ser Eu.


Oleg Andréev Almeida, poeta lusófono de procedência eslava, nasceu em 1 de abril de 1971 na Bielo-Rússia, então uma das repúblicas da extinta URSS.


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