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2013-04-04

A consciência de um conservador - Charles Bernstein

Eu desregulo
Tu desregulas
Ele/ela desregula
Nós desregulamos
Vós desregulais
Eles lucram


daqui


Charles Bernstein nasceu em Nova Iorque a 4 de abril de 1950

Ler do mesmo autor: Pompeii

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2013-04-03

O Desvio do Gaspar

«...quero recordar que a credibilidade e confiança dependem da determinação constante em torno do processo de ajustamento. Qualquer desvio significativo poderá pôr em causa os sacrifícios dos últimos dois anos» - Vítor Gaspar hoje no Parlamento, no âmbito da discussão da moção de censura.

Qualquer desvio significativo...?

Ouço e fico perplexo. O responsável pelo Orçamento de Estado de 2013 elaborado com o pressuposto de que a quebra do PIB ia ser de 1% e que cerca de dois meses depois diz que, afinal. a recessão poderia ser de 2% e duas sdemanas depois já admite que venha a ser de 2,3% vem falar que qualquer desvio significativo... poderá pôr em causa os sacrifícios de dois anos...

Oh Gaspar! Usando a tua própria medida... devias tirar as tuas próprias ilações...

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Malmequer - Augusto Emílio Zaluar



Malmequeres? - Bem me queres?
Que respondes, meiga flor?
Diz-me tu, sibila de alma,
A sina do meu amor!

Quero ler o meu fadário
Nesta flor inocentinha
Não me enganes - Não me iludas,
Malmequer, esperança minha!

Na primeira tua folha,
Não sou eu afortunado!..
Bem me quer, diz a segunda;
Folga peito, que és amado!

A terceira, diz o muito!
Umas e uma vou contando;
Esta alegre me sorrindo
Aquela triste esfolhando!

Ai! Assim és vida minha!
Já desprezos, já carinhos;
Hoje grinalda de rosas
Amanhã coroa de espinhos!

E contei-as, contei todas,
Acabou dizendo, nada
Cada folha era uma esperança!
Triste vida, malfadada!

Procurei ler a minha sina
Nos aracanos desta flor
Encontrei o desengano
Onde queria achar amor!

in Dores e Flores, Poesias
Rio de Janeiro, Tipografia de F. Paula Brito, 1851
(com adaptação, atualizando a grafia)

Augusto Emílio Zaluar nasceu em Lisboa a 14 de fevereiro de 1826 e faleceu no Rio de Janeiro em 3 de abril de 1882








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2013-04-02

Visão do futuro - Paulo Gonçalves


Falar do coração! Mas ainda não se disse
Que à nossa espera à porta da velhice
Há uma figura estranha e dolorosa
Que um crepúsculo roxo apoteosa
De túnica lilás e tranças pretas
Numa coroa de violetas.

O viajor não transpõe a passagem medonha
Antes que aos pés dessa mulher deponha
Uma recordação qualquer da mocidade:
É ela, a deusa romântica, a Saudade!

Quem foi feliz mesmo por um minuto
Deve à deusa esse lírico tributo.

Há certos corações que ao passar pela porta
Deixam como oferenda uma ventura morta.
Os pobres de ventura oferecem, apenas,
Um sonho que floriu no intervalo das penas.

Dizem os corações amantes: "Eu só pude
Colher um beijo em minha juventude".
"E eu, tantos corações me inspiraram afeto,
Que eu nem vos sei dizer qual foi o predileto".

"E eu, só vos posso dar, como oferta sagrada,
Este nome de alguém que amei sem dizer nada".
"E eu, a lembrança de um idílio à luz da lua"...
"E eu, duas vidas, porque alguém me deu a sua".

Se chegar minha vez, o que pouco suponho,
Ao encontrar na porta um coração tristonho,
Tímido, a recordar seus amores falazes,
A Saudade talvez pergunte: "E tu que trazes,
Para recordação de teus últimos dias?"

E eu, só lhe mostrarei, chorando,
As mãos vazias!

Poema extraído daqui

Francisco de Paula Gonçalves, de pseudonimo literário Paulo Gonçalves (n. Santos, 2 de abril de 1897 - m. Santos, 8 de abril de 1927)

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2013-04-01

Agiotagem - Mário Chamie


um
dois
três
o juro: o prazo
o pôr / o cento / o mês / o ágio

p o r c e n t a g i o.

dez
cem
mil
o lucro: o dízimo
o ágio / a mora / a monta em péssimo

e m p r é s t i m o.

muito
nada
tudo
a quebra: a sobra
a monta / o pé / o cento / a quota

h a j a n o t a
agiota.

in Indústria; Mirante das Artes, São Paulo, 1967

Mário Chamie (nasceu em Cajobi, São Paulo a 1 de abril de 1933; faleceu em São Paulo a 3 de Julho de 2011)

Ler do mesmo autor neste blog: Pedregosa Rosa

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