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2007-02-01

A Reabilitação do Amor - Maria Amália Vaz de Carvalho

À indiferença oponhamos o amor, à dúvida oponhamos a fé.

O céu tem ainda o azul radiante dos dias da mocidade; a natureza é ainda a bela insensível, que assiste radiosa e iluminada às nossas lágrimas eternas, que o vento enxuga num momento!

Contemplemos de mais alto a evolução dos ideais e a transformação das coisas.

Se na terra somos efémeros de uma hora, nunca se quebra a cadeia que se vai forjando, dos ideais belos que concebemos ao passar.

Soframos, tal é o nosso destino e quase o nosso dever, mas amemos, que é o meio de tornarmos fecunda para os outros a dor que acima de nós mesmo nos levanta, a dor que é inspiração de todo o bom, de todo o belo, que em nós há.

O pessimismo leva à abdicação da vontade, à própria negação do sofrimento, pela completa insensibilidade a que aspira, e que de vez em quando já começa a atingir.

Não vale a pena! Eis a divisa da nossa desolada geração!

Pois é necessário que, em contradição e em protesto a este lema egoístico, se levante das nossas entranhas de mães, dos nossos corações de mulheres, um grito de amor intenso, um grito de amor fecundante e poderoso.

Porque um dos defeitos da nossa quadra é este: depois de termos dado ao amor um lugar enorme, predominante, decisivo e tirânico, tendemos a cercear-lhe todos os direitos, a destruir-lhe todas as influências boas.

O nosso século, que por meio de radiante romantismo fez do amor o Deus pagão que foi na Renascença, hoje, pela escola científica do temperamento e do meio, vai fazer do amor um poder inconsciente, que, segundo as circunstâncias em que é chamado a actuar, é um órgão de reprodução animal, ou um elemento de corrupção dissolvente.

Reabilitemos o amor.

Façamos dele alguma coisa de mais ou de menos do que o estão fazendo os mestres da literatura contemporânea, fotógrafos, neste ponto, dos costumes decadentes da época.

Ele não é a suprema e última embriaguez embrutecedora em que a humanidade tende a adormecer, como essa literatura de sensualismo agonizante, parece querer demonstrar-nos; pelo contrário, ele, é a fonte da eterna juventude em que, os velhos, da velhice precoce deste século, da velhice que se traduz pelo excesso do pensamento e da sensação, podem ainda retemperar as forças exaustas; é dele que podem ainda partir as grandes iniciativas transformadoras, as poderosas e viris energias, os sonhos iluminados da virtude e do bem.

Cartas a Luísa

Maria Amália Vaz de Carvalho (n. em Lisboa a 1 Fev 1847; m. Lisboa 24. Mar.1921)

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Jornal digital sobre impostos

Desde há poucos dias, encontra-se disponível o primeiro jornal digital sobre impostos em Portugal: Impostos Press.

O jornal Impostos Press é o primeiro jornal digital exclusivamente sobre impostos em Portugal, publica-se na Internet, é actualizado permanentemente todos os dias do ano e está disponível no endereço: http://www.impostospress.net

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On this day in History - Feb. 01

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2007-01-31

Renteria ... renderá?

Foto : Renteria ao serviço do Internacional de Porto Alegre

A época de Janeiro na contratação de jogadores revelou a enorme crise por que passam os clubes portugueses. O Benfica contratou por empréstimo Derlei e para o lugar do central Ricardo Rocha contratou um brasileiro imberbe (19 anos), Daniel Luís. Um clube em três frentes e só com três defesas centrais!

O Sporting, o melhor que conseguiu foi Bruno Pereirinha, de 19 anos um jogador feito nas escolas do clube e que regressa. A tentativa de contratação, por empréstimo do centrocampista brasileiro Fabio Rochemback, que já foi do clube, não resultou.

O Porto que não tem contado com Adriano, contratou Rentería um colombiano que iniciou a carreira no El Boyacá Chicó FC clube do seu país, mas ultimamente estava a jogar no Brasil. Em 18 meses, participou em 35 jogos e marcou ... seis golos! (ai Adriano, Adriano...), pelo que também não deve ser «grande espingarda».

É a crise!!!
Porém, o Beira-Mar inscreveu onze novos jogadores. Ou seja, uma equipa nova de futebol. Parece que até agora não a tinha... É obra!!

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Poema da Utopia - Fernando Namora

Na efeméride da morte do autor:

LUA ( photo from here)

A noite
caiu sem manchas e sem culpa.
Os homens largaram as máscaras de bons actores.
Findou o espectáculo. Tudo o mais é arrabalde.

No alto, a utópica Lua vela comigo
E sonha coalhar de branco as sombras do mundo.
Um palhaço, a seu lado, sopra no ventre dos búzios.
Noite! Se o espectáculo findou
Deixa-nos também dormir.

Fernando Gonçalves Namora (n. Condeixa-a-Nova em 15 de Abril 1919; m. em Lisboa a 31 Jan 1989)


Do mesmo autor ler: Intimidade; Noite;

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