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2015-07-31

Soneto: Pára-me de repente o pensamento - Angelo de Lima

Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz, do esquecimento...

Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado...
Pára e fica e demora-se um momento.

Pára e fica na doida correria...
Pára à beira do abismo e se demora
E mergulha na noite escura e fria

Um olhar de aço que essa noite explora...
Mas a espora da dor seu flanco estria
E ele galga e prossegue sob a espora.


Do livro: "Líricas Portuguesas", seleção, prefácio e notas de Cabral do Nascimento, Portugália Editora, 1945, Portugal

Ângelo de Lima (n. Porto 31 de julho de 1872; m. Lisboa 14 de agosto de 1921)

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2015-07-30

Canção do Amor Imprevisto - Mário Quintana

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos…

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada, numa alegria atônita…
A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.

Mário Quintana (n. in Alegrete, Rio Grande do Sul a 30 de julho de 1906; m. em Porto Alegre, Rio Grande do Sul a 5 de maio de 1994).

Ler do mesmo autor, neste blog:

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2015-07-28

O golpe está dado!

Caros benfiquistas. O golpe consumou-se. Depois de uma vida inteira de arbitragem a prejudicar o Benfica (foi assim, que chegou ao lugar que chegou!) - não conheço nenhuma pessoa no Mundo que me tenha causado mais danos psicológicos do que essa personagem, a coberto de se dizer "benfiquista, heterossexual e de esquerda" - eis que o senhor PP é eleito presidente da Liga!! Nem sequer se quis ficar pelo Conselho de Arbitragem! Tem agora este senhor os plenos poderes na Liga sob o background do FCP (pois claro - quantos campeonatos esse senhor lhes ofereceu?!) e do Sporting. É assim, o futebol, como na economia e na política ... há que ter as pessoas certas nos lugares certos...

Com esse senhor a mandar no futebol português, o Benfica já estará arrependido de ter defendido as nomeações na arbitragem. O sorteio sempre daria menos margem de manobra... para manobras.

Depois da perda de JJ, de Maxi, de Lima, das derrotas na pré-época, o Benfica já sabe que o tri voou para outro lado - e o campeonato ainda nem sequer começou!...

PS: Não percebo, nunca percebi, é como o Benfica nunca expulsou PP de sócio!

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SONETO IMPERFEITO DA CAMINHADA PERFEITA

Já não há mordaças, nem ameaças, nem algemas
que possam perturbar a nossa caminhada,
em que os poetas são os próprios versos dos poemas
e onde cada poema é uma bandeira desfraldada.

Ninguém fala em parar ou regressar.
Ninguém teme as mordaças ou algemas.
- O braço que bater há-de cansar
e os poetas são os próprios versos dos poemas.

Versos brandos... Ninguém mos peça agora.
Eu já não me pertenço: Sou da hora.
E não há mordaças, nem ameaças, nem algemas

que possam perturbar a nossa caminhada,
onde cada poema é uma bandeira desfraldada
e os poetas são os próprios versos dos poemas.


Sidónio Muralha, “Passagem de Nível” (1942)
in Obras Completas do Poeta. Lisboa, Universitária Editora, 2002

Sidónio Muralha (nasceu na Madragoa, Lisboa a 28 de julho de 1920; m. a 8 de dezembro de1982 em Curitiba, Paraná, Brasil).

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2015-07-27

MEU CORAÇÃO - Félix Araújo

Meu coração, este país tristonho,
Em que Deus periclita e o Inferno avança,
Tem as florestas negras do meu Sonho
E as cordilheiras verdes da Esperança.

Doira-o, às vezes, um clarão risonho:
- É a crença morta que ressurge, mansa...
Mas sobrevém o temporal tristonho
Da Dúvida cruel brandindo a lança.

Brilham, no céu, os astros em delírio.
No meu país, de onde fugiu a calma,
Brotam, chorando, as rosas do martírio.

Maldito coração, que Deus te açoite!
De que valem os sóis que tenho n'alma
Se existe em mim a maldição da Noite?

Félix de Souza Araújo (Cabaceiras, Paraíba, 22 de dezembro de 1922 — Campina Grande, Paraíba, 27 de julho de 1953)

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