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2011-03-09

Senhor! De que Valeu o Sacrifício?... - Álvaro Feijó

Quantos desejam, Senhor,
na calma de uns seios brandos
ter sonhos e ter amor...

Os que mendigam na vida
anseiam por ser meninos
e aninhar-se
— depois da faina de um dia, cansados já de ser homens —
junto dos seios de alguém.

Senhor! De que valeu o sacrifício,
se os seios não se abriram
nem se deram a ninguém!


Álvaro de Castro e Sousa Correia Feijó nascido a 5 de Junho de 1916, em Viana do Castelo, morreu, a 9 de Março de 1941

Ler do mesmo autor: Os Dois Sonetos de Amor da Hora Triste

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2011-03-08

De «O SEU NOME» [Soneto] - João de Deus



Ela não sabe a luz suave e pura
Que derrama numa alma acostumada
A não ver nunca a luz da madrugada
Vir raiando senão com amargura!

Não sabe a avidez com que a procura
Ver esta vista, de chorar cansada,
A ela... única nuvem prateada,
Única estrela desta noite escura!

E mil anos que leve a Providencia
A dar-me este degredo por cumprido,
Por acabada já tão longa ausência,

Ainda nesse instante apetecido
Será meu pensamento essa existência...
E o seu nome, o meu ultimo gemido

in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

João de Deus de Nogueira Ramos, nasceu em 8 de Março de 1830 em São Bartolomeu de Messines, Silves e faleceu em Lisboa em 11 de Janeiro de 1896.

Ler do mesmo autor no Nothingandall:
Amor
Adeus
De Dia a Estrela de Alva Empalidece
A Cigarra e a Formiga
A Vida
Agora Miséria...

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SENHORA DO MARÃO - Afonso de Castro

Capela de Nª Senhora do MarãoFoto daqui
Ao Carlos Queiroz

Senhora do Marão e da Saudade
Tão triste da nossa alma portuguesa,
Junto de ti, vestido de humildade,
Meu coração ajoelhado reza.

Quero amar-te na fria soledade
Da virginal e bruta natureza,
Longe do mundo, na sinceridade
Da mais humana e pura singeleza.

Senhora da Distância e da Neblina,
Alma de lírio em corpo de menina,
Que para o amor dum anjo é que nasceu…

Irei à tua romaria, em breve,
À tua serra antes que volte a neve,
Que te veste de noiva, em lindo véu.

Afonso de Castro, Mocidade Lírica. – Régua: Imprensa do Douro, 1938

Afonso da Rocha e Castro nasceu em 27 de Dezembro de 1897, em Vila Real e faleceu no Porto em 8 de Março de 1959

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International Women's Day

Equal access to education, training and science and technology: Pathway to decent work for women

2011 year marks the 100th anniversary of International Women’s Day. The day was commemorated for the first time on 19 March 1911 in Austria, Denmark, Germany and Switzerland, following its establishment during the Socialist International meeting the prior year. More than one million women and men attended rallies on that first commemoration..

Celebrated on 8 March, International Women's Day (IWD) is the global day connecting all women around the world and inspiring them to achieve their full potential. IWD celebrates the collective power of women past, present and future ...

Originally called International Working Women’s Day IWD is a major day of global celebration of women. In different regions the focus of the celebrations ranges from general celebration of respect, appreciation and love towards women to a celebration for women's economic, political and social achievements.

The United Nations theme for this IWD is Equal access to education, training and science and technology: Pathway to decent work for women.

Did you know that purple, green and white are the official international women's colours?

Learn more about International Women's Day

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2011-03-07

É Uma Tarde de Estio ... - António Patrício

É uma tarde de estio, é uma tarde de estio
há vinte e tantos anos já extinta...
Estou sob as japoneiras, vejo o rio
e oiço os gritos dos pavões na quinta...
A minha mãe faz doces na cozinha,
E os meus irmãos (que agora estão com Ela)
sopram (eu oiço-os rir) toda a tardinha
as bolas de sabão, a uma janela...
Nessa penumbra glauca há humidade...
E eu penso que nada, nada existe
tão bom como assim estar, um pouco triste,
numa preguiça em que já há saudade...
Depois vêm-me chamar: é a merenda,
eu beijo as mãos de minha mãe contente;
é sob a acácia do portão que arrenda
o ar da tarde luxuosamente...
Merendamos todos três. Depois calados,
ficamos ao pé d'Ela a olhar a tarde;
e os olhos do Emílio, extasiados,
beijam-na sempre com um olhar que arde,
olhos de mago em que há tanta doçura
(queria ser em grande marinheiro)
que se podia ver que era o primeiro
que ia, a sorrir, bater à sepultura...
Depois (ainda com tarde) veio a lua,
mirrou-se, toda de âmbar, sobre o rio...
E nada mais...as ralas... é estio...
calor da terra que respira e sua...
a sombra caminhando pela quinta
aos gritos dos pavões na tarde extinta


in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI
Selecção, organização, introdução e notas: Jorge Reis e Rui Lage
Prefácio: Vasco da Graça Moura
Porto Editora, 2009

António Patrício (n. no Porto a 7 Mar 1878, m. em Macau (China) a 4 Jun 1930)

Ler do mesmo autor, neste blog:
O QUE É VIVER
Uma Manhã no Golfo do Corinto
Relíquia
Em Prinkipo

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