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2013-09-30

Apelo - Paulo Bonfim


...Mas deixai-me poetar
Em nome dos que não sonham,
Dos que calçam desespero
Em percursos cotidianos,
Dos que cruzam confluências
Com pára-brisas de tédio,
Dos fugitivos, nos bares,
Dos vencidos que se amam,
Dos inocentes que esperam.
...Mas deixai-me poetar
Neste esvair sem sentido
Com palavras indomadas,
Ou com vocábulos mansos.
– Que eu cante a vida que passa
E os destinos sem destino
– Que eu cubra de redondilhas
As damas da madrugada,
E meus versos sejam potros
Onde as crianças galopem,
Lona de circo estelante
Vestindo a fome do mundo,
Valsa brisa em realejo
Na esquina dos desencontros.
Sei da lógica das máquinas,
Das avenidas neuróticas,
Do roubo das alvoradas
E dos anjos que se matam.
Sou feito de tudo e nada.
...Mas deixai-me poetar!

Paulo Lébeis Bomfim (São Paulo, 30 de setembro de 1926)

Ler do mesmo autor, neste blog: Cantiga do Desencontro
Soneto I de Transfiguração

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2013-09-28

ÁGUA VÁRIA - Francisco Barreiros Filho

Essa água azul do mar, Praia de Fora,
O sol poliu-a com o esmeril da luz:
Que loiro ambiente! Um ar de quem namora...
Gaivotas dançam de asa aberta em cruz.

Mas desce a tarde. O dia se reduz.
Lá vem a noite. E um temporal se arvora.
A escuridão enfia o seu capuz
Já tempesteia... A torva praia agora

Revida ao vento de rajada e açoite,
Rebate às cegas, resfolegando escumas,
Vivo contraste de si mesma à noite.

O humano coração assim varia:
Primeiro um sol, um sonho... depois brumas,
E treva, e raiva, e fel, e rebeldia!


Extraído daqui

Francisco Barreiros Filho (Tubarão, Santa Catarina, 28 de setembro de 1891 — Florianópolis, 4 de outubro de 1977. 1977) foi

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Happy Birthday: Joana Duarte

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Proença ganha ao Vitória de Guimarães

Mais uma vez o suposto melhor árbitro do Mundo deu a vitória ao FCP. É sempre assim...
Quando o FCP está apertado lá vai o Proença nomeado e... penalty assegurado! Já são tantos os episódios que é uma telenovela gasta nem vale a pena recordar, desde o penalty inventado de Yebda (sobre Lizandro) - já lá vão uns anos - é sempre a aviar...
O Porto que nos primeiros 30 minutos dominou completamente e falhou vários golos... foi baixando de rendimento e ao intervalo estava 0-0.
Depois mais um favor externo... e o FCP lá ganhou por 1-0 a sofrer nos últimos minutos com a reação do Guimarães.
É claro que as coisas são tão bem feitas que nem sequer o Guimarães se pode queixar muto porque na semana passada beneficiou de um penalty que o árbitro não marcou a favor do Benfica. Agora foi a compensação...para o Guimarães mas a benefício do FCP. Paulo Fonseca dixit... No final do jogo ainda teve a coragem de dizer «Este pelo menos parece-me que foi dentro da área mas não tive ainda oportunidade de ver, pois estava longe.»
Chega de mentira no futebol! Como pode o tal melhor árbitro do Mundo «enganar-se» sempre a favor dos mesmos?



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2013-09-27

Soneto - Juvêncio de Araújo Figueiredo

Noite de junho. O frio, é vidro em pó coçando
As mãos dos que da praia, estendidos na areia,
Estão tranqüilamente o café esperando
De um rancho em cuja porta um clarão bruxoleia...

Outros já da canoa as velas vão soltando...
Não há tempo a perder, que à luz da lua cheia
O vento sul que sopra as ondas vai rolando...
E cada coração de pescador anseia!

Todos, todos ao mar, satisfeitos, felizes!
Sem sentirem do mal as profundas raízes!
Apenas da saudade envolvidos nas mágoas.

Mas que saudade doce a dessas almas francas,
Sob as velas em cruz, as grandes velas brancas
Da canoa que lembra uma ave à flor das águas.


soneto extraído daqui

Juvêncio de Araújo Figueiredo (nasceu na Nossa Senhora do Desterro, Florianópolis 27 de setembro de 1865 e faleceu em 6 de abril de 1927).

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